Seis meses haviam se passado desde a queda definitiva dos Martins. Para muitos, parecia que o tempo tinha lavado tudo — o medo, as ameaças, as disputas por território e poder. Mas, para quem viveu o pior, especialmente Henrique, Bela e Helena, a verdadeira paz sempre vinha acompanhada de uma leve desconfiança, como o silêncio profundo antes de uma tempestade. Ainda assim, a rotina na fazenda caminhava com uma harmonia rara. O sol da manhã entrava pelas janelas grandes da cozinha, iluminando as mesas de madeira maciça sempre cheias. O cheiro de pão caseiro e bolo de fubá recém-saído do forno já fazia parte do ritual diário, e até mesmo João — o veterinário mais enrolado da região — aparecia cedo, agora com as olheiras profundas de um homem que descobriu, tarde demais, que a vida estava pre

