A verdade segundo a tia Cidinha

975 Words

Tia Cidinha — Você quer saber quem foi seu pai, não é? A voz de tia Cidinha quebrou o silêncio da varanda como uma lâmina cortando o tempo. Ela não perguntou com espanto nem desconfiança. Apenas sabia. Como se estivesse esperando por esse momento há anos. Bela virou lentamente, segurando a xícara de chá já morna entre os dedos. Olhou para a mulher à sua frente — cabelos grisalhos presos num coque apertado, olhos marcados pelas rugas do tempo, mas vivos. Muito vivos. Olhos de quem viu mais do que contou. — Quero, sim — respondeu Bela, com a voz embargada. — A senhora sabe quem ele foi? Cidinha deu um suspiro fundo e puxou a cadeira de palha para perto da moça. Sentou-se devagar, repousando as mãos sobre o colo, como quem estava prestes a abrir uma caixa de memórias enterradas. — Seu

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