CAPÍTULO TRÊS

1005 Words
Castor rapidamente acionou por meio de seu ponto eletrônico, quatro dos seguranças mais fortes que tinha. E nem foi preciso usa a força, pois apenas as palavras sutis do mordomo pedindo para que se retirassem do lugar surtiram efeito - ou talvez a figura amedrontadora dos quatros seguranças. Ainda alheios ao ambiente, Eduardo e Bruno, entretidos com suas conversas, não notavam a confusão que poderia ter se armado. Castor acompanhava os dois homens até a porta e certificou-se de que pegaram uber para casa. Após isso, subiu ao segundo piso para terminar de recepcionar sua patroa. Desejava que Lorena ficasse devidamente instalada e se sentisse confortável, com uma boa impressão. O mordomo nunca soube de outra coisa que não fosse o "servir". Esteve sob os comandos de Soraya desde os seus vinte anos de idade e nada mudaria dali em diante além do fato de que Lorena seria senhora. - Eu sinto muito pelo constrangimento que a senhora passou lá embaixo. Como disse são amigos do senhor Bruno. - Castro tinha uma certa soberba na forma de falar, lembrando muito aos mordomos de filmes, no modo mais clichê. - Mas os dois se foram da minha casa? - Lorena ajeitava um belo par de brincos dourados nas orelhas. Lúcio e Celeste estavam sobre a cama esvaziando as malas, não dando atenção ao diálogo que Lorena mantinha com Castor. - Sim, senhorita! Como era seu desejo, foi prontamente atendido. E fique despreocupada, pois enquanto estiver aqui eu cuidarei pessoalmente até o último detalhe para que nada a aborreça. - Fico muito grata, Castor. Mas e a festa? Continua lá embaxo? Antes de responder, o mordomo tentou disfarçar seu desgosto, retorcendo levemente o nariz. - Ai continua, senhora. E se me permite dizer, esses eventos são corriqueiros nesta casa. Creio que uma dama do seu nível também não deva se agradar de algo assim! Se quiser, posso ordenar que a festa se encerre imediatamente! A jovem médica ainda se ajeitava de frente ao espelho. Sabia que Castor temia ser demitido e, por essa razão, tentava agradá-la a qualquer custo. Mas ela não via motivos para dispensar o pobre homem e, apesar de não demonstrar, de algum modo, havia se afeiçoado a ele. - Não será necessário, Castor. - Lorena virou-se para o mordomo - Creio que beber um pouco e dançar me fará bem. A festa não é por minha causa mas eu farei de conta. Estou animadíssima! Lúcio e Celeste se entreolharam e pareciam preocupados com a decisão da patroa de descer para a festa. Discretamente, Celeste sinalizou ao motorista que acompanhasse Lorena ao andar de baixo e que ela terminaria a arrumação das roupas sozinha. **** Como seria rever Bruno finalmente? Agora ele era seu marido, ao menos perante a lei, ele era. Lorena costumava se sair muito bem em seu papel de mulher durona e inabalável, contudo, por dentro, a jovem moça tentava impedir que seu coraçãozinho acelerasse sobremaneira, que disparasse de ansiedade. A verdade era que seu consciente não queria admitir que antigos sentimentos do passado ainda permaneciam com uma chama acesa em sua alma. - Como estou, Lúcio? - Lorena desejava garantir uma imagem impecável perante todos os convidados de Bruno. - Deslumbrante, doutora. Acho que precisarei ficar atendo com outros engraçadinhos que tentem importuná-la! Satisfeita, Lorena sorriu para seu motorista enquanto caminhavam pelo corredor rumo a sala de estar. Sala - Cara, acho que a bebida já começou a fazer efeito de novo! - Bruno usava o álcool como uma válvula de escape. - Acho que em mim também. Melhor a gente dar um tempo para poder curtir a festa mais um pouco. O intuito da dupla era vagar pela sala em meio as convidadas e aproveitar o que ainda restava do evento. Bruno desejava encontrar alguma moça com quem pudesse passar aquela noite e não dormir sozinho. E sendo bonito, provavelmente não seria uma tarefa muito difícil para o rapaz encontrar alguma mulher que o quisesse. Alto, vistoso, de barba cerrada e de porte atlético, Bruno nunca precisou se esforçar muito em sua conquistas amorosas. E seria mesmo simples para ele, em qualquer outra festa e em uma outra noite, pois naquela em questão talvez não fosse possível, coisa que Bruno ainda não sabia. A mais nova moradora do condomínio de luxo Malota preparava-se para descer as escadas e fazer daquela noite algo muito memorável. Ironicamente, Eduardo fora o primeiro a ter os olhos atraídos para a beleza estonteante da desconhecida descendo os degraus vagarosamente. Ele não seria capaz de imaginar por si só que se tratava da esposa de seu melhor amigo. Tudo que pensava era em como algo tão perfeito como ela poderia existir e logo sentiu um receio de Bruno nota-la e querer a desconhecida para si, o que não era incomum. - Cara, olha aquela belezinha ali! - Eduardo cutucou Bruno de leve com o cotovelo. Bruno olhou na direção em que o colega apontava e semicerrou os olhos para avistar melhor a moça aparentemente bonita. Porém, antes que pudesse se empolgar, os olhos de Bruno arregalaram-se e a pele de sua face ficou pálida tal como se tivesse visto um fantasma. Não poderia cogitar que Lorena surgiria repentinamente e muito menos em uma de suas festas. Que tragédia! Lorena e ele não se viam desde que ela partira de Jundiaí quando ela ainda era um jovem adolescente de nome Ariel. Porém, pelo pouco que vira em fotos, seus olhos não o estavam traindo: se tratava de Lorena. - Bruno? Bruno? - Chamava Eduardo ao ver o amigo com a boca aberta, com uma face de espanto - Cara, tá tudo bem?? Parece que viu uma assombração! Bruno suava frio. Ele não havia preparado seu psicológico para receber Lorena. - Pior que isso, Edu! - Pior por quê? O que tá acontecendo? Fala! Bruno hesitava. Estava em choque. - Ela é... é... M-minha "esp-posa" - Gaguejava o jovem ainda incrédulo avistando Lorena deslumbrante já andando pela sala entre os convidados. Não iria dar certo aquele encontro.
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