CAPÍTULO QUATRO

1745 Words
A música já não era tão alta quanto na chegada à mansão. Lorena notava os olhares, em sua maioria, masculinos, voltarem para si, incluindo os de Bruno e Eduardo - finalmente. E lá estava seu marido, pálido, tenso, prestes a ter uma síncope. Lúcio seguia sua patroa ainda feito um cão de guarda, com seu olhar arredio e desconfiado diante de toda aquela gente cheia de pompa. O jovem motorista dava a impressão de que iria rosnar a qualquer momento. - Quê? - Eduardo não estava crente de que a mulher que descia as escadas um dia fora o Ariel que todos conheceram. - Tô, falando, Edu, é ela! Em carne e osso! O que eu vou fazer, d***a? - Bruno estava muito impaciente passando a mão pelo rosto. - Cara, se eu rir, você vai deixar de ser meu amigo? - Me poupe das suas piadas, mané. Estou muito tenso, sério mesmo. Não era para ela estar aqui agora! - "Ela" - desdenhou Eduardo balançando seu copo de uisque em círculos - Bom, a mansão é dela, pelo que me disse. Nada mais natural que ela ter vindo para cá. - Agora tudo aqui pertence a essa... coisa! - Afoito Bruno apanhou um copo com água de uma bandeja que passava - E somos legalmente casados! Casados, cara! Que m***a! - Mas casamento mesmo? Tipo homem e mulher? Tradicional? - Perante a lei sim, Edu. Parece que ela conseguiu mudar todos os documentos. Aí pode se casar como se fosse uma mulher de verdade... - Hum, entendi. É, meu parça, agora ela é sua esposinha. Quando tiverem filhos, eu posso ser o padrinho? - Vá se ferrar, Edu! A canção ambiente ainda era uma música sertaneja qualquer. Lorena não detestava o ritmo e até mesmo seria capaz de se arriscar em alguns passos com certa graciosidade. - Lúcio, querido, dançaria comigo? - Ela tinha como apoio a mão de seu motorista ao terminar de descer os degraus. - Se não se importar de dançar com um simples empregado, senhora, creio que posso acompanhá-la na dança! Há homens aqui que estão a sua altura e que facilmente a tirariam para dançar! - Não se trata disso, querido. Quero que você me acompanhe, sim? - Ela estendeu a mão para ele novamente e foram para o meio dos demais convidados. Era preciso dizer que se prestava mais atenção às curvas de Lorena que ao seu modo de dançar. Os cabelos negros ondulados feito carvão balançavam e conferiam-lhe um charme e graciosidade aos olhos dos que a observavam de longe. - Quem é aquela mulher que não tinha visto antes, Bruno? - Luiz, um amigo da adolescência se aproximou. - Respeite a mulher do Bruno, Luiz! - Ria Eduardo. - O quê? Você se casou? - Espantou-se Luiz, afinal, não imaginaria que Bruno, "o grande pegador" se renderia ao matrimônio. - Foi um casamento arranjado. Nada formal, apenas negócios. Uma longa história! - Luiz, você se lembra de um garoto da nossa época de adolescente chamado Ariel? Uma "b******a" que morria de amores pelo Bruno? Ao rememorar o episódio, Luiz riu. - Claro que sim! Como esquecer? O que tem? Já era inútil insistir para que Eduardo parasse com suas piadas irritantes. Bruno apenas aceitou e ficou abatido vendo seu castelo desmoronar e sua reputação de macho alfa ir pelo ralo. - Pois é. Fique sabendo que "aquela" linda morena que dança no meio do salão, é "ele" o próprio Ariel do tempo do ensino médio. - Impossível! - Espantava-se Luiz - Não pode ser! Está brincando, cara! Qualquer um diria que é uma linda moça. Deve confundir todo mundo. Eu mesmo não perceberia. - Já disse para respeitar a esposa do nosso amigo, Luiz. Pode ser pior pra você! - Eduardo dizia com ironia. - Pera. Então quer dizer que você se casou com o Ariel, Bruno? - Até você vai entrar na pilha, Luiz? - Desculpa, mas é isso, ué. Bom, de todo modo, ela é linda, isso não se pode negar. Repare o sorriso charmoso dela dançando com o... Motorista? É um motorista aquele cara? ~*~ - Estão todos observando, senhora! - Alertava Lucio enquanto conduzia Lorena na dança. - Deve ser porque estou extremamente alta com esses saltos! - Não, senhora! Se me permite dizer, é porque a doutora é muito bonita e chama a atenção. E está tão bem vestida e elegante que todos devem estranhar o fato de estar dançando com um reles motorista. - Não se deprecie, querido. Você é um homem bonito e polido. Está sendo uma honra dançar com você. Mais do que com qualquer homem nesta sala. ~*~ - Ei, Bruno, segura minha taça! - Luiz dava um último gole em sua bebida. - Aonde vai? - Indagou Eduardo. - Bem, se Bruno não se opuser, eu vou tirar a esposa dele para dançar. Ela é muito elegante e merece mais que um simples motorista, não acham? - Ah, sério que tu vai tirar o Ariel para dançar? Um monte de garota bonita na festa! - Eduardo estava incrédulo com a atitude do amigo. - Acho que agora ela se chama Lorena - Retrucou Luiz - Bruno, se importa? - Obvio que não. Não há nada que me ligue a essa coisa além de um contrato de casamento. Se quiser pode até levá-la com você para casa. - Então, tá. Eu vou lá e já volto! ~*~ - Doutora, devo avisá-la que há um homem se aproximando. Suspeito que irá tirá-la para dançar - Lúcio era observador, como sempre. Luiz se aproximava sorridente e todo cordial. - Se importa se eu dançar um pouco com ela? - Luiz dirigiu-se a Lúcio. - Talvez deva pedir a permissão a senhora e não a mim - Respondeu Lúcio de maneira assertiva. - Claro, tem toda a razão. - Luiz lançou outro sorriso largo para Lorena, admirado com o fato de a beleza da jovem ser realçada ainda mais com a aproximação - Dançaria comigo? Não sei se se lembra de mim. Sou o Luiz. Estudamos juntos na época do ensino médio. Lorena se lembrava do rapaz. De todos seus algozes da época, Luiz talvez fosse o que menos a importunava, apesar de sempre estar no meio dos garotos que praticavam bullying contra ela. - Ainda estou confusa. Talvez deva me contar mais. Se importa, Lucio? - Não, doutora. Fique a vontade. Estarei por perto caso precise de mim. Com licença. - Disse o motorista entregando Lorena a Luiz. O motorista se manteve astuto e observador, certificando-se o tempo todo que a situação era segura. Ao seu lado, de repente, Castor parava, olhando todos ao redor com certo desprezo. - A senhora Lorena é a mais bonita e elegante neste momento! Lúcio segurou-se para não rir da maneira pomposa com que Castor falava. Mas não poderia discordar da observação do mordomo. - Tem razão. Doutora Lorena é deslumbrante. Castor não esboçava qualquer emoção. - Bem, acho que está tudo em ordem por aqui. Devo ir a suíte da senhorita Lorena verificar se Celeste precisa da minha ajuda na organização. Com licença. Castor se retirava de maneira tão delicada que Lúcio achou mais graça ainda, porém se segurou para não rir, com receio de ofender o rapaz. - Pode ir que ficarei aqui tomando conta dela, Castor. Lúcio permanecia estático, na mesma posição, vendo aquele par bonito dançando. Lorena com suas curvas provocantes moldadas pelo tecido do vestido justo. Ela sorria de maneira discreta, como se realmente estivesse se divertindo, o que fazia o motorista relaxar por alguns instantes. A acompanhando estava Luiz, que era ligeiramente mais alto que Lorena vestida de seus saltos. Luiz era um jovem rapaz, bonito e bem vestido, que parecia ser perfeito para a doutora. - Devo dizer que você se tornou uma mulher muito bonita. - Luiz sabia ser cordial como ninguém, havendo muita sinceridade nas palavras que dizia. - Bom, agora que já tive tempo de recordar quem você é, também devo admitir que o tempo o favoreceu e muito! O que tem feito da vida, Luiz? - Então, eu herdei os negócios do meu pai. Talvez você lembre que a minha família é dona de uma rede de supermercados na cidade. - Ah , sim, eu me lembro! - Pois é, os negócios cresceram desde aquela época e eu assumi a diretoria da empresa mais cedo que o planejado. Mas me fala de você também. O que fez esse tempo todo além de ter se tornado essa mulher estonteante? A única coisa que eu sabia a seu respeito é que havia ido morar no Rio de Janeiro! - Sim, fiz faculdade lá e quando me formei fiquei um tempo trabalhando. - Sério? Que maravilha! E se formou em quê?- Luiz estava realmente interessado em saber sobre a vida de Lorena. - Eu sou médica. - Uau - Luiz não escondeu sua surpresa - Confesso que isso a deixa ainda mais atraente. E foi a primeira investida dele em Lorena naquela noite. Luiz não era o tipo de homem que se importava com que os outros pensariam a seu respeito, como Bruno, por exemplo. ~*~ *Suíte de Lorena* - Creio que deveríamos organizar as roupas por cores: brancas, pretas e coloridas - Dizia Castor trocando os cabides de lugar. - Eu sei exatamente como a doutora gosta que eu organize as roupas dela. Não se intrometa! - Retrucou Celeste ajeitando outra peça de roupa no cabide. - Provavelmente porque a senhorita Lorena é uma mulher educadíssima que jamais teria coragem de dizer que seu modo de organizar é h******l! - O que disse? - Celeste fuzilou Castor com os olhos - Olha aqui, seu mordomo de araque, tire essas mãos de cima do meu trabalho e não se intrometa onde não foi chamado. - Ô, velha ranzinza, eu estou apenas dando uma opinião. Mas pelo visto a idade avançada já deve ter consumido seus miolos! - Pelo menos eu não sou uma bicha m*l amada e solteirona intrometida feito você! - Eu? Bicha m*l amada? Pelo que soube, a velha encalhada aqui é a senhora! - Você me respeite, viu? - A senhora que começou, sua venenosa! Irritada, Celeste foi até Castor e tomou os cabides das mãos dele. - Saia deste quarto antes que eu chame Lúcio para te colocar para fora. - Velha ridícula! - Feito uma criança, Castor mostrou a língua para Celeste. - Bicha m*l amada! - Revidou a senhora.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD