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Onda de Mentiras

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Blurb

E então, eu me vi surfando nas minhas próprias mentiras!

Eu precisava dele para enganar minha família, ele precisava de mim para que seus colegas de trabalho acreditassem nele.

Um namoro falso era a resposta para evitar nosso afogamento emocional.

Foi assim que nós acabamos levando um caixote da vida.

Quando dei por mim, já estava mergulhando na praia dele e deixando ele nadar pelos meus abissais.

Estávamos navegando em mares desconhecidos!

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Capítulo I
"A vida é um mar repleto de ondas. Onde para sobreviver, você tem que aprender a surfar" Brenda Passei o olho por cada uma das quatro pessoas sentadas no meu sofá, que me encaravam de volta, sem entender o porquê de tê-las reunido no meu apartamento, após uma cansativa sexta-feira de trabalho. —Tenho até medo de perguntar o que você aprontou— Raíssa foi a primeira a falar. Cruzei minhas pernas em cima da mesa de centro de madeira e levei a taça da mão à boca, bebendo um pouco de vinho. —Lembram daqueles meus parentes que moram em Petrópolis?— Não especifiquei muito, minha vontade de tocar naquele assunto era igual a zero, mas eu sabia que precisava. Estava encrencada e, sem a ajuda de minhas amigas, provavelmente não conseguiria sair da bolha de problemas que eu mesma criei. Eu queria ignorá-lo, mas ele estava me rondando como uma mosquinha chata que eu não conseguia m***r. —As tias chatas que vivem te perturbando?— Camila questionou. —Essas mesmo!— suspirei, antes de continuar— Elas conseguem mexer comigo, me deixar m*l, sabe? Viviam falando que o surf não ia me dar futuro, que não era coisa de menina e que eu nunca arrumaria um namorado na vida, que eu fazia tudo errado. —Madrinha, se tem algo que você me ensinou, é que opinião de quem não faz parte da nossa vida não serve nem para reciclagem. Tem que ser descartada como resíduo inorgânico. Mariana poderia ter pouca idade, mas dava um banho em muita gente bem mais velha. Eu concordava com ela, mas quando conversamos sobro isso, esqueci de mencionar o "pequeno" detalhe de que a teoria é bem mais fácil que a prática. —Elas não sossegam nem se você disser que está satisfeita com a sua vida! Até onde eu sei, você está muito bem. E não é isso que importa? Felicidade, satisfação... É melhor ignorar a existência de quem não tem nada bom para falar— Fernanda concordou com sua filha. —Isso tudo me causou um trauma, um bloqueio, vocês sabem. Mesmo se eu dissesse que estou bem solteira, elas continuariam me perturbando. Dizem que eu estou "encalhada" porque com o meu jeito, nunca vou ser desejada por um cara, pelo menos não por mais que uma noite. —Sei como traumas adquiridos no passado e alimentados ao longo da vida podem ser dolorosos— Camila começou— Mas você é uma mulher incrível, estabilizada, independente, linda, desejada e é sim carinhosa e romântica do seu jeitinho. —Se fosse eu no seu lugar, mandava sua família ir se fuder e te deixar viver sua vida. Opinião de quem não te conhece, ou melhor, de quem escolhe não te conhecer, tem que entrar por um ouvido e sair pelo outro— Raíssa completou. —Elas tem um complexo de superioridade imenso, Sandra e Maria Rita acham que são a parte mais perfeita da família, mas eu tenho certeza que tem alguma coisa errada ali. Desculpa amiga, mas eu te conheço a tempo suficiente para falar isso— Nanda se referiu a minha tia, a pior delas, e sua filha. —Eu também acho, ninguém tem tudo tão encaixado e perfeito assim. Mas ela adora me colocar como a parte da família que deu errado, me chamou de garota problema durante minha adolescencia inteira. E aí eu cresci, deixei de ser a "garota problema" para virar a "g****************a", e olha que eu nunca nem comentei sobre minha vida s****l com ela. —Só por você não ter um namorado, como ela acha que é certo?— Mila arregalou os olhos e eu assenti. —Isso é ridículo, minha bisavó era menos machista que ela, isso porque ela nasceu em 1920!— Raíssa afirmou, me fazendo soltar uma risada fraca. —Eu só queria ter falado com vocês antes, talvez assim eu não tivesse sido tão impulsiva. Sabe quando parece que você tem o plano perfeito e depois acaba se enrolando em suas próprias mentiras?— Suspirei e passei a mão pelo rosto, dando uma pausa e bebendo o resto do vinho da taça. — Madrinha, você está fingindo que tem um namorado?— Mari se ajeitou no sofá e questionou, direta. —Você sabe que a gente te apoia em tudo, né? Eu posso até não concordar, mas jamais deixaria de estar aqui por você— Raíssa falou, sendo o raio de sol nos meus dias chuvosos, como sempre. —Faz alguns meses que minha tia Sandra começou a me mandar mensagem quase todo dia, querendo saber da minha vida. "Brenda, você nunca vai arrumar alguém se não mudar seu jeito. Eu sei que você sonha em formar uma família e se não se esforçar para isso, vai passar a vida inteira infeliz"— Imitei sua voz azeda, fazendo uma careta em seguida. —Maldita hora que essa mulher foi descobrir que você quer se casar e ter filhos— Ray disse, absorvendo todos os meus sentimentos. Se eu nunca tivesse falado das minhas aspirações para o futuro com minha tia, poderia apenas dizer que isso tudo não fazia parte dos meus planos e fingir que era imune ao seu veneno. —Se você quiser fazer isso aos 50, ou nunca, é uma escolha sua! Melhor ficar sozinha até encontrar a pessoa certa do que acabar como eu— Foi a vez de Mila. Eu sabia que aquele era um assunto complicado para ela, minha amiga tinha conseguido sua liberdade recentemente, depois de anos sofrendo em silêncio. Finalmente seu ex marido agressor estava atrás das grades. —O problema não é o que ela fala, mas a maneira que faz isso— Iniciei novamente, tentando distrair Camila de suas memórias tristes— Ela diz tudo de uma forma pesada. Eu sei que no amor precisamos nos adaptar em alguns pontos, mas não mudar, não me tornar outra pessoa para caber no mundo de alguém. Isso eu jamais me permitiria fazer. —Existe um abismo entre não comprar pizza calabresa, mesmo sendo sua preferida, porque seu namorado não gosta, e se transformar em outra pessoa— Raissa exemplificou. —Quando eu encontrar um cara legal, ele precisa amar quem eu sou de verdade. Esse é o único ponto importante, até parece que eu trocaria o surf, a minha maior paixão— Voltei a falar e dei continuidade à analogia usada por Ray— Começar a pedir pizza meio a meio, tudo bem. Agora mudar quem eu sou? Nunca. —E o que você decidiu fazer, que te fez ter essa carinha de arrependimento?— Nanda questionou. —Ela me encheu o saco e eu falei que estava namorando fazia um tempo. Falei que não queria contar para ninguém antes que completássemos seis meses e que ela deveria se sentir privilegiada, porque estava descobrindo antes de todo mundo. —Chocada! A vida imita mesmo a arte, isso está parecendo uma fanfic— Minha afilhada disse, rindo animada. —Amiga, você conseguiu resolver seu problema da forma mais fácil. Agora não entendo porque está com essa carinha preocupada... Se foi o que você achou que seria certo de se fazer, nós vamos te ajudar e te apoiar. Pode não ter sido a decisão mais coerente, mas agora não tem como voltar atrás! —Ah, Mila... Eu juro que pensei que tinha resolvido um problema, até que outro maior surgisse e tudo virasse uma bola de neve. Ela teve a cara de p*u de falar que não sabia se poderia acreditar em mim, pelo menos não até que eu o levasse nas festas de fim de ano, porque segundo ela, inventar mentiras desse tipo é a minha cara. —Estou indo para Petrópolis quebrar a cara dessa mulher, vocês me dão cobertura?— Raissa chegou a se levantar da cadeira e minha primeira reação foi rir— Você não vai sozinha, nem que me leve junto e diga que estamos namorando. Não vou deixar sua tia crescer para cima de você— Ela cruzou as mãos em volta do peito, como a leoa que se tornava para proteger os amigos. —Eu até pensei que você poderia contratar alguém— Mariana iniciou, parecendo experiente no assunto. Experiência nível leitora assídua de fanfics— Mas seria perigoso demais levar um desconhecido, alguém que você não conhecesse as intenções e... Não tem ninguém que você tem i********e ao ponto de dizer o que está acontecendo e pedir ajuda? —Já sei!— Raissa falou antes de mim— Vamos fazer uma lista. Entre caras que você tem i********e para fazer essa proposta, até caras que você poderia verdadeiramente começar a namorar antes do recesso e, por fim, os que nós sabemos que são boa pessoa e que podemos arriscar fazer essa proposta indecente. —Isso não vai dar certo! —Vamos pelo menos tentar, Bê! Se não der certo, se essa não for a solução certa, vamos dar um jeito, até lá— Fernanda deu força. —Tá bom, tá bom— Me rendi, vendo que aquela parecia minha única saída— Mas não se anima muito, essa lista vai ter no máximo uns cinco nomes. —Para quem só precisa de um, ter uma lista com cinco é mais que o suficiente— Camila piscou, mas fomos interrompidas pelo barulho do meu celular tocando alto. —Hum, é Joana— Me levantei da mesa e caminhei até a cozinha, para atender a ligação da minha chefe.

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