Apaguei cuidadosamente a frase “ignorar completamente” com uma borracha, substituindo-a por ignorar parcialmente, permitindo-me pelo menos olhar.
Mas no dia em que atingi a maioridade, todas as configurações voltaram às configurações de fábrica...
Depois dos parabéns da equipe com bolo e chá, pedi às garçonetes que ficassem na sala dos fundos para comemorar o meu aniversário como uma adulta... com uma garrafa de espumante. O mesmo colecionável que roubei do “superintendente” algumas horas antes.
Tive sorte que as meninas se tornaram aventureiras como eu, e bebemos o prosecco num piscar de olhos. Sim, apenas um copo e meio com o estômago vazio fez uma piada c***l comigo...
Voltei ao salão, notando Arte na companhia de outra mulher muito bem vestida. A julgar pelas trocas, o casal logo planejava zarpar para as praias do amor.
Fui dominada por uma onda de ressentimento tão forte...
Ele sabia que era meu aniversário. E ele foi o único de toda a equipe que não me deu os parabéns.
Infelizmente, a esperança ilusória do meu orgulho não se justificou e, depois de saturar os pulmões com oxigênio, caminhei com confiança em direção à mesa deles. Bem, e então... eu fiz uma das coisas mais imprudentes da minha vida...
— Arte, posso falar com você um minuto? Temos uma emergência!
— Emergência? A sua voz baixa e envolvente brilhava com um chiado silencioso, enquanto os seus olhos castanhos deslizavam descaradamente pelo meu corpo.
— Bem, sim... Passei os dedos nervosamente nas bordas do avental.
— Alguém foi morto? Ele perguntou secamente.
— Quase... Quase morto de excitação, resisti destemidamente ao seu olhar profundo e pensativo. — Mas você tem que ver por si mesmo...
Houve uma breve pausa, durante a qual de repente percebi claramente que o meu orgulho não poderia mais ser lavado nem com água sanitária.
Mas era tarde demais para desistir.
— Madin, eu volto em um minuto...
E assim ficamos cara a cara atrás da porta fechada da despensa, muito além dos limites da minha vida chata e pré-planejada.
— Arte...Murmurei, sem saber onde colocar as minhas palmas suadas e trêmulas.
— Sarah? Ainda com a mesma confiança masculina incondicional a cada respiração, ele arqueou uma sobrancelha grossa e escura interrogativamente.
— Hoje é meu aniversário! Deixei escapar, de uma só vez.
— E o que você quer de mim? Ele disse, zombeteiro.
O álcool diminuiu gradualmente e, em vez da sede de aventura, de repente tive vontade de chorar desesperadamente. Porque nunca na minha vida caí tão baixo...
Porém, é difícil resistir a alguém que já está por baixo.
— Um presente! Eu disse decididamente.
— Vou pedir ao contador que lhe dê um bônus... Sem tirar de mim o olhar indiferente, ele escondeu as mãos nos bolsos das calças.
Ressentimento e decepção colidiram na minha alma, despedaçando o meu peito.
— E você nem vai me parabenizar?
Sério, eu não mereço isso? Mesmo que ele não se sentisse atraído por mim quando menina, ele poderia ter se comportado comigo como um ser humano? Afinal, ele sem dúvida se lembrou de mim.
Ficamos em silêncio.
E naquele momento ocorreu um ponto de viragem.
Percebi isso ao nível dos instintos quando Arte inconscientemente se aproximou de mim, reduzindo a já ridícula distância. O seu olhar direto e sério me tirou o fôlego.
— Feliz aniversário, Sarah! Não vou me esquecer do bônus. Ele piscou.
— Eu não preciso do seu bônus! Cuspi, engasgando com a sua proximidade repentina.
O álcool, agora fervia no meu sangue, agravando todas as minhas emoções ao limite. A razão, como era de se esperar, despediu-se de mim antes mesmo do início de toda essa aventura. Senti uma excitação doentia. E lá vamos nós...
A minha intuição me disse que talvez não houvesse outro momento: estendendo a palma da mão trêmula, coloquei-a no peito de Arte, contando com falta de coragem os botões da sua camisa com os dedos.
Um. Dois. Três.
Faíscas voaram entre nós em direções diferentes, como se fossem de uma soldagem.
A indiferença não é tão grande quanto parece, certo?
— Você se esqueceu? Respirando pesadamente, olhei para o homem por baixo das sobrancelhas, enlouquecendo com a sinfonia do seu coração sob a minha palma trêmula.
— Esqueci o quê? Arte disse numa voz assustadoramente baixa.
— Fiz uma previsão astrológica para nossos signos... Temos compatibilidade perfeita, Arte... Eu assegurei, enfiando a ponta do polegar no espaço entre a camisa dele e o seu corpo explodindo de calor. — Quem disse foi as estrelas.Você entende?
— E de que forma somos compatíveis? Arte sussurrou com uma fome pulsante tão insatisfeita no olhar dos seus penetrantes olhos castanhos que os meus joelhos começaram a tremer.
Ele estava tão perto... e cheirava ainda melhor do que nos meus sonhos mais perversamente doces.
E mesmo que a situação não parecesse muito atraente para uma garçonete virgem inexperiente, passei as pontas dos dedos pelos cabelos curtos e ásperos do meu chefe, puxando-os levemente na linha do cabelo.
— Você quer saber? Com a voz trêmula de uma superabundância de emoções.
Assentindo, Arte expeliu convulsivamente o ar pelas narinas, enterrando os dedos nos meus cabelos soltos. A mão dele roçou a minha orelha, traçando a curva suave. Agarrando-me pelo pescoço, ele puxou-o levemente na sua direção com dedos quentes.
Nós congelamos. Contato alcalino. Olhos nos olhos.
Fiquei na ponta dos pés, inclinando-me decididamente para a frente, na gananciosa antecipação do meu beijo de aniversário. Os meus lábios congelaram perto dos lábios dele. Eu estava bêbada mergulhado no mar até os joelhos...
E estendi a mão para sua boca sedutora.
Eu exalei com dificuldade, olhando para Arte.
Ele não me afastou.
Arte começou a respirar de forma intermitente e pesada. A sua respiração quente e rouca quebrou o silêncio na sala dos fundos.
— Somos completamente compatíveis... E esse é o meu melhor presente.
Deslizando a ponta da língua ao longo dos lábios masculinos elásticos entreabertos, corri lentamente de um canto ao outro. Queria experimentar... Que delícia. Engoli em seco, fascinada por olhar para duas fen*das escuras e brilhantes.
Ele parecia ter enlouquecido.
Mergulhando todo o seu corpo em mim, Arte me espalhou pela parede fria da despensa, apertando o meu rosto com força com as palmas das mãos. Você queria um presente? Li no olhar opaco do homem, enquanto eu obedientemente olhava nos seus olhos.
Receba e assine.
Estremecendo de prazer, senti o seu desejo poderoso pressionando a minha coxa.
Arte não perguntou nada...
Inclinando-se bruscamente para frente, ele esmagou os meus lábios num beijo desumano e feroz à beira da dor, apertando o joelho entre as minhas pernas doloridas que foi superada pela pressão dele. Levados para além do sistema solar, sugados pelo buraco neg*ro dos nossos lábios atraídos um pelo outro.
E ele me beijou com algum tipo de necessidade selvagem e primitiva.
Deixando escapar um longo soluço, me deleitei com os batimentos cardíacos interrompidos de Arte, vibrando no fundo da minha garganta, e os toques ásperos e possessivos do homem me marcaram até mesmo através das minhas roupas...
De repente, percebi que o meu abdômen estava queimando há muito tempo, cheio de uma luxúria insaciável. Muito quente. Molhado... Todo mundo está no limite das emoções. Apenas, Uau!
Arte me beijou apaixonadamente. Insaciavelmente. Habilmente. Pressionando a sua ereção em mim. Os dedos duros do meu chefe acariciaram imperiosamente a minha bu*nda e coxas, me fazendo perder completamente o controle.
Pressionando-me contra a parede, Arte aprofundou o beijo.
E então isso aconteceu...