Sua figura alta e elegante movia-se pela proa do lindo veleiro que finalmente zarpou do porto de Pireu, na bela Ática, Grécia. Uma cidade que o acolheu com a sua história e a sua posição estratégica para poder partir em direção à ilha de Mykonos, onde naquele momento estava realizando os trâmites necessários para deixar o seu veleiro e permanecer pelo menos uma semana na renomada ilha.
Uma semana se passou desde a sua chegada, e ele realmente confirmou que não havia chegado no melhor momento para embarcar nessa jornada de um mês de descoberta, cura ou mesmo esquecimento. As chuvas castigavam a cidade, às vezes tão intensas que ele foi obrigado a permanecer trancado no pequeno albergue onde estava hospedado naquele período.
Seguindo as recomendações do estalajadeiro e também das pessoas com quem ele havia conversado ocasionalmente, ele conseguiu reunir uma pequena tripulação de duas pessoas, três incluindo ele, para manusear o seu veleiro de quarenta pés. Embora o belo navio fosse de última geração e novo, com sistemas automatizados e navegação quase inteligente, ele sabia que arriscar a sua vida por algumas semanas de descoberta não era algo que ele estava disposto a fazer.
Alexios e Dimitrios Petrakis, ambos irmãos e parentes, de certa forma, do dono da pousada, agora viajavam com ele, cuidando das tarefas do veleiro, permitindo-lhe explorar as áreas, aprender mais sobre a sua própria embarcação e até mesmo refletir sobre a sua vida. Ele olhou para cima quando o raio de sol que iluminava o seu rosto desapareceu de repente; Ele só conseguiu franzir a testa enquanto olhava para a nuvem escura que o cobria.
— Eu disse que estes não eram bons meses para velejar. Disse Alexios, um homem dez anos mais velho, mas com uma constituição forte e pele bronzeada. — Por que você não escolheu o verão? As praias parecem azuis e claras, parecem abençoadas pelos deuses.
Willian apenas suspirou enquanto segurava a xícara de café que carregava consigo.
— De onde eu venho, o verão já chegou. Ele disse em voz profunda, antes de soltar outro suspiro. Ele fixou os olhos no funcionário que ousou acompanhá-lo naquela jornada. — A verdade é que escolhi essas datas porque iria passar a minha lua de mel aqui.
Ele percebeu como Alexios olhou para ele confuso, depois olhou para a parte de trás do navio e finalmente de volta para o americano, como ele costumava chamar o seu novo chefe naquele mês.
— E onde você deixou a esposa?
Willian deu um sorriso fraco, tomou um gole de café e suspirou antes de responder.
— Na casa dos pais dela, ou talvez na casa de uma das amantes dela. Ele respondeu enquanto observava os grandes olhos de Alexios, de um azul vibrante que parecia refletir a água quebrando contra o veleiro, arregalados de surpresa. — Descobri isso durante a nossa festa de casamento… com dois padrinhos. Ambos a atenderam ao mesmo tempo.
Alexios permaneceu imperturbável. Ele não tinha ideia do que dizer diante de tal confissão.
— Então aqui estou eu, vendo quantas garotas gregas consigo conquistar em trinta dias.
Eles se olharam por alguns segundos, mas Willian apenas levantou a sua xícara uma última vez num brinde antes de ir para a cabine principal para se trocar e se preparar para desembarcar no porto. A sua mente estava cheia de uma necessidade de caçar, embora na realidade ele tivesse conseguido pouco naquela primeira semana, onde pensamentos sobre se ele estava ou não fazendo a coisa certa o transformaram mais num turista perdido do que num quarentão com um coração tentando desabafar os seus sentimentos nos corpos femininos que cruzam o seu caminho.
Ele falava com Adam quase todos os dias, comunicava-se com a mãe pelo menos uma vez por dia e enviava fotos para o grupo familiar que dividia com a tia e dois primos. Embora ele tivesse pensado que Jade não ficaria feliz com a sua decisão de ir embora e deixar o que, segundo ela, poderia se tornar algo melhor, ele não tinha notícias dela, o que lhe deu certo alívio.
Ciente de que ainda era um agente especial do FBI, ele vestiu calças, uma camisa de botão e optou por um par de mocassins confortáveis que havia comprado em Attica. Ele carregou a sua arma, carteira e celular e, embora o dia estivesse nublado, colocou os óculos escuros antes de sair, no momento em que o seu lugar no movimentado e luxuoso porto da ilha de festa foi anunciado com facilidade e certeza.
— Vou tomar café da manhã. Disse ele aos dois companheiros enquanto tirava cem euros e entregava a Alexios, o mais velho dos dois. — Encontre um lugar para se refrescar e beber alguma coisa. Não os quero no veleiro o dia todo.
— A que horas você planeja retornar? Perguntou Alexios.
— Não sei. Veremos o que há de interessante em Mykonos e se ela realmente é uma ilha de festa, como muitos dizem.
Os funcionários entreolharam-se, mas Willian procurou a saída. Ele desceu a escada na lateral do veleiro e, quando firmou os dois pés no cais, só conseguiu suspirar. O mar estava um pouco agitado. O vento o movia com certa violência, e ao longe eu conseguia avistar um bando de gaivotas tentando se alimentar. No entanto, o número de veleiros, iates e outras embarcações menores naquele belo e espaçoso porto lhe deu uma inesperada sensação de satisfação.
Embora esses não fossem os melhores meses para visitar as ilhas gregas, eram aparentemente os mais baratos, pois os lugares estavam cheios de turistas. Mykonos, apesar de já passar das dez da manhã, parecia estar apenas acordando. As moças, de cabelos desgrenhados, óculos escuros e pulseiras coloridas nos pulsos, sinais inconfundíveis da folia do dia anterior, o faziam sorrir.
Por onde passava ele chamava atenção. A sua altura imponente, o seu corpo atlético e tonificado, juntamente com sua barba grisalha, atraíam a atenção e arrancavam sorrisos femininos ao longo do caminho. A cerca de quinhentos metros do píer, ele encontrou um café aconchegante e entrou. Ele não conseguiu deixar de sorrir ao notar a cotovelada que uma garçonete deu na sua colega, e depois ambas correram para atendê-lo.
— Hérete. Cumprimentou uma das jovens. Willian tirou os óculos e o seu sorriso se alargou.
— Olá! Ele respondeu, tentando não soar tão m*al. — Espanhol?
— Saudações. Disse uma das garotas, conseguindo arrancar um sorriso dele. — Americano?
— Sim, é isso mesmo. É tão óbvio assim?
As duas jovens fizeram de tudo para prestar atenção em Willian. Elas limparam a mesa, serviram-lhe água e logo trouxeram-lhe um café por conta da casa.
— Pouquíssimos americanos são gentis. Respondeu a falante de espanhol, embora com um sotaque profundo e um tanto quebrado. — Eles quase sempre esperam que todos os tratem como realeza, mesmo na terra dos deuses.
— Não me considero um deus ou um rei. Respondeu Willian. Apenas um homem faminto em busca de um bom café da manhã e de conhecer um pouco sobre a famosa ilha.
As jovens, que não pareciam ter mais de vinte e cinco anos, trocaram olhares.
— Que horas começa a festa aqui? Ele perguntou.
— Mykonos está sempre em festa. Respondeu a menina. Ela se aproximou dele, olhou em volta e, depois de colocar o cardápio na mesa, inclinou-se levemente em direção ao ouvido dele. — É só uma questão de saber para onde ir. Ela sussurrou num tom sedutor que fez o sorriso de Willian se alargar.
Ele sabia muito bem que não teria nada a ver com nenhum delas. A suas regras eram claras, e ele não tinha intenção de estragar a sua viagem por causa de uma paixão passageira por uma jovem que não entendia que ele estava apenas procurando alívio. Mas isso não o impediu de flertar, e as garotas pareciam mais do que dispostas a aliviar os seus problemas.
Quando a outra, uma jovem de cabelos pretos e olhos cinzentos, piscou para ele, Willian apenas balançou a cabeça enquanto colocava o celular na mesa e pegava o cardápio. Ele foi guiado pelas imagens, pois a língua era complexa até mesmo para tentar pronunciar, e ele não queria causar nenhum inconveniente. Ele fez o pedido assim que uma das garotas se aproximou novamente, mas sua atenção foi desviada quando ele recebeu uma mensagem.
Já se passaram os trinta dias? Estou entediado.
A mensagem de Adam o fez balançar a cabeça antes de responder.
Duvido muito que o tenente da polícia de Los Angeles esteja sentado sem nada para fazer só porque seu melhor amigo tirou umas férias peculiares de esquecimento que não o estão ajudando em nada a esquecer.
Depois de enviar a mensagem, ele se arrependeu das suas palavras. O chamado veio imediatamente. Ele suspirou, pegou um pouco de café e atendeu.
— Bom dia ou boa tarde? Ele perguntou.
— Boa tarde para mim. Bom dia para você, eu acho. Respondeu Adam. — Como vão as coisas? Por onde você vai começar essa segunda semana de férias não solicitadas?
A risada de Willian era contagiante.
— Ainda estou na minha entusiasmada lua de mel em Mykonos. Ele respondeu. — Acabei de atracar aqui. O porto é lindo, embora pareça que o tempo não vai me agradar novamente. Espero que até o final da noite eu consiga realmente sentir que estou gostando deste lugar.
— Você pensou muito?
— O que mais você pode fazer quando o clima, a distância e a solidão parecem concordar em criar o melhor cenário para isso? Ele perguntou, antes de soltar um suspiro. — Eu não chamaria isso de pensar demais. É mais como entrar nas minhas ideias, no que vivi, no que tive com Grace durante anos e como, em poucos segundos. Os mesmos que agora me parecem irreais - tudo o que parecia um sonho foi para o abismo, incluindo eu.
Adam suspirou profundamente. Ele estava no seu escritório, então se levantou e foi até a janela para olhar para fora.
— Não acho que a sua vida tenha virado uma mer*da, Willian. Apenas essa parte de você, esse relacionamento.
— É uma parte muito importante, Adam. Ele respondeu. — De repente, sinto que sou apenas três coisas: filho, agente do FBI e, até recentemente, marido de Grace Langley. Como se essas três partes de mim tivessem sido suficientes para esses pouco mais de quarenta anos. Mas agora um deles está perdido, está despedaçado. Não tenho ideia de como substituí-lo. Ele suspirou profundamente, observando a interação das garçonetes atrás do bar. — Eu sei muito bem que não posso preencher os meus dias com todas as mulheres que querem ir para a cama comigo. Não é algo que eu tenha feito no passado e não farei agora...