—De onde você escapou? E por que eles mantiveram você lá? Essas perguntas ecoaram na sua mente.
Ele foi embora imediatamente quando seu celular começou a vibrar. Olhando para a tela, ele viu uma ligação de Alexios. Ele suspirou antes de se aproximar da porta.
— Senhor? Você está bem? Alexios perguntou do outro lado da linha.
— Uhm… olá, Alexios. Ele tentou fingir que estava dormindo. — Sim, sim, tudo bem. O que está acontecendo? Parece que a tempestade continua com intensidade.
—Você estava dormindo?
—Sim, receio que sim. Há algo errado?
Ele ouviu o murmúrio de vozes e conseguiu distinguir a de Dimitrios, dizendo que era melhor não dizer nada. Willian simplesmente se virou para onde ela estava.
—Não há nada errado, senhor. Desculpe por ter acordado você. A tempestade está muito forte para sair, então recomendo que você espere até amanhã. Espero que por volta das cinco ou seis ele já tenha parado para que possamos ir ajudá-lo.
—Ok, entendido. Até mais tarde então. Ele respondeu com uma voz neutra, encerrando a ligação assim que Alexios terminou de falar.
Ele olhou para o celular, sabendo muito bem que a reação dos irmãos tinha a ver com os tiros que ele tinha ouvido e toda a ação que aparentemente havia ocorrido na área, embora agora parecesse ter diminuído. Ele soltou um suspiro pesado e passou a mão pelos cabelos. Olhando para a jovem deitada na cama da cabine, ele balançou a cabeça.
Era arriscado, completamente louco. Ele sabia melhor do que ninguém que não tinha motivos para se envolver em algo que não lhe dizia respeito. Ele tinha ido até lá em busca de algum tipo de alívio, cura ou até mesmo esquecimento. Ele havia encontrado aventura e todas as mulheres que queria, mas naquele momento não era seu coração de homem ferido que estava falando, mas seu instinto de oficial do FBI. Esse instinto lhe disse que ele tinha que ajudar a estranha que havia chegado em seu veleiro, e que ele tinha que fazer isso sozinho. Se mais pessoas estivessem envolvidas, muitas outras vidas, além da dele, estariam em grave perigo.
Ele saiu da sala, deixando a porta aberta, e examinou a área. Ele percebeu que a caravana de veículos e as luzes que antes eram vistas à distância não estavam mais lá. Era evidente que aquela parte da ilha estava completamente escura. Nenhuma casa ou empresa parecia ativa, e ele sabia que não era por causa da chuva, que continuava caindo forte.
Ele permaneceu na mesma escuridão que envolvia seu veleiro e seguiu em direção à cozinha. Lá, ele pegou água e preparou um prato com parte da comida que os irmãos Petrakis haviam comprado naquele dia. Ele também pegou o pequeno kit de emergência e voltou até a estranha, fechando a porta atrás de si. Aquela cabine tinha janelas voltadas para o mar, o que a deixava com uma aparência rústica, com o navio se movendo de um lado para o outro. No entanto, ele se manteve firme.
Ele tirou o casaco, deixou a arma em um pequeno móvel perto da cama e foi até onde a jovem estava deitada. Ele embebeu um algodão em álcool e o colocou perto do nariz da mulher. Seu corpo estremeceu antes que ela respirasse. Quase inconsciente, a jovem recuou rapidamente, agarrando-se à parede do veleiro com grandes olhos cheios de medo.
— Calma, calma. Ele disse, mostrando as mãos, incluindo a que segurava a garrafa de álcool. — Você falar espanhol? Você me entende?
Ele suspirou de alívio quando ela assentiu.
— Meu nome é Willian. Você está no meu veleiro. Você sabe qual é seu nome?
Ela olhou para ele atentamente. Seus olhos grandes e claros pareciam perfurá-lo de uma forma que ele não se lembrava de ter experimentado antes.
—Você sabe o que aconteceu? Eles estão procurando por você?
Ele percebeu o medo nela, que tentou sair da cama para procurar a saída, mas ele a impediu, fazendo com que a jovem se chocasse contra seu corpo forte e largo. Logo, ela deu alguns passos para trás, observando-o atentamente.
—Espere, espere… Willian disse, suspirando. —Se você falar comigo, se você me contar o que aconteceu, eu posso te ajudar.
Ela não pareceu entender completamente suas palavras, olhando para ele confusa. Ela deu mais um passo para trás, mas logo o som do mar quebrando perto do veleiro chamou sua atenção. Ela caminhou até a janela redonda, observando a tempestade iluminar o horizonte.
— Pode me ajudar? O fio delicado da voz da jovem surpreendeu Willian, que sentiu a pele arrepiar.
Ela olhou para ele, procurando seu olhar.
— Eu posso ajudar você. Ele assegurou, olhando diretamente para ela. — Meu nome é Willian. Sou um agente do FBI.
Ele notou que seus grandes olhos estavam bem abertos. Sem aviso, ele a tomou em seus braços. Assustada e emocionalmente carregada, a herdeira de Krykos apertou seu peito. Willian, sem saber o que fazer com as mãos, segurou-a enquanto ela, envolta em medo e lágrimas, abraçava aquela esperança que nunca pensou que poderia ter ou que poderia existir.
Willian piscou, confuso com o que estava acontecendo, mas m*al colocou um dos braços em volta da cintura delicada dela, engolindo em seco quando ela se afastou do seu espaço para olhar em seus olhos. Ele parecia um agente: forte, alto, confiante. No entanto, ele também parecia preocupado e até confuso, algo que ela poderia supor ser devido à presença dela. Além disso, naquele momento ela o percebeu como uma pessoa mais gentil do que qualquer outra que já conhecera, pois sabia muito bem que não era qualquer um que ajudaria um estranho nas condições em que ela havia chegado.
— Sente-se. Ordenou Willian, dando um passo para trás diante da estranha energia que parecia emanar da garota.
Sem tirar os olhos dele, mesmo se sentindo tonta e cansada, ela deu um passo para trás e sentou-se na beirada da cama. Willian soltou um suspiro pesado, verificando as horas em seu relógio de pulso. Ele percebeu que já passava da uma da manhã, quase duas, e sabia que precisava de um plano claro e conciso sobre o que precisava fazer antes do sol nascer.
Ele pegou a tigela de comida e água, trazendo-as para mais perto dela. A jovem os recebeu com desespero. Ela bebeu grandes goles de água, tão rapidamente que logo começou a tossir violentamente, algo pesado e difícil para seu corpo enfraquecido. Willian deu um tapinha nas costas dela.
— Devagar, é preciso ir devagar.
Ela assentiu, olhando nos olhos dele. Ela colocou a água no chão e o prato no colo, começando a comer um pouco de pão e presunto. Ela deu cada mordida lentamente, mastigando bem antes de engolir, mas logo seu estômago dolorido começou a pedir mais e mais. Ela não deixou nada no prato, finalmente aliviando a fome que a atormentava.
— Você estava com fome. Ele comentou, e ela assentiu. — Gostaria de limpar algumas de suas feridas. Tenho algumas horas para decidir o que fazer com você…
— Você disse que me ajudaria. Ela respondeu num sussurro aveludado que fez Willian cerrar o maxilar. — Preciso de ajuda.
—Você sabe onde estava?
Ela balançou a cabeça.
—Com o que você precisa de ajuda?
—Preciso fugir. Tenho que sair daqui.
—De Atenas?
Ela piscou rapidamente, como se não entendesse onde estava.
—Você sabe onde está?
—Estou na Grécia?
Diante da resposta dela, Willian balançou a cabeça. Ele sabia muito bem que, àquela altura, eu já estava envolvido de uma forma que não era nem conveniente nem segura. No entanto, algo em sua mente e o instinto de seu agente lhe disseram que ele estava enfrentando o caso mais importante de sua carreira. Se ele conseguisse resolver o problema e sair vivo, ele poderia não apenas conseguir uma das posições mais altas no FBI, mas também um novo motivo para viver.