O olhar que os irmãos trocaram fez com que ele se sentisse grosseiro com as suas opiniões. Entretanto, na sua mente analítica e pouco impressionável, ele não acreditava na história da venda de uma alma ao dia*bo, especialmente considerando que ele também não acreditava em dem*ônios.
— Eles procuraram a herdeira por uma semana, Dimitrios interveio. E de repente, tudo voltou ao normal, exceto que todos os hotéis Leander Krykos na Grécia foram abandonados.
Willian franziu a testa imediatamente.
— Que? Você está falando sério?
Os irmãos assentiram.
— Vinte e sete estruturas de luxo foram abandonadas no período de um mês. Disse Alexios. Funcionários demitidos, sites fechados, cancelamentos no mundo todo. Milhões e milhões de euros perdidos. Willian assentiu lentamente. E sem dizer nada, sem sequer ser notado, identificado ou reconhecido, Leander deixou a Grécia. Desde então, ele nunca mais voltou.
— Talvez ela tenha descoberto a realidade da situação com a filha e, em resposta, pagou para manter isso em segredo, mas decidiu não ficar mais num lugar onde a perdeu. Arriscou Willian.
— Ou ouvir os seus gritos, suas súplicas, senti-la queimando no infe*rno para o qual ele a vendeu. Alexios parecia imerso nas suas próprias palavras, deixando Willian desconfortável. — O sobrenome Krykos se tornou um símbolo de má sorte, um nome manchado pelo tempo e associado ao pior que pode acontecer a uma pessoa. Existem muitas teorias. Alguns até dizem que as sereias, vendo a dor que estavam causando a Melina, a levaram para o fundo do mar. não conseguiu deixar de sorrir, claramente cético.
— Você pode acreditar no que quiser, mas a realidade, Sr. Voss, é que Leander Krykos não é mencionado, não é pensado e, acima de tudo, não é nomeado neste lugar.
— Por que eles acham que ele é um dem*ônio...?
— Porque ele é uma alma condenada. E para não ir para o inf*erno, ele venderá para aqueles que chegarem muito perto do seu mundo, tão chamativo, exótico e luxuoso.
Willian finalmente riu de verdade. Ele jogou a cabeça para trás para rir, mas no final só conseguiu suspirar e se levantar novamente.
— Se o dia*bo já levou a alma da jovem e inocente herdeira, por que ele iria querer a de Leander?
— Porque o dia*bo nunca está satisfeito. Respondeu Dimitrios seriamente, fazendo Willian balançar a cabeça.
Por fim, ele suspirou e olhou para seus funcionários.
— Agradeço as informações sobre esse homem e a sua família, mesmo com os seus tons místicos e deuses envolvidos. Ele observou. — Mas a realidade é que a minha estadia aqui é curta demais para me interessar por crimes não resolvidos. Embora eu aceite o que você disse. Acrescentou ele, dirigindo-se a Alexios. — E não mencionarei novamente o nome do magnata ou da sua filha. Agora, você vai ficar ou vem comigo?
Os irmãos entreolharam-se por alguns segundos antes de se levantarem ao mesmo tempo.
— Vamos ficar. Disse Alexios. Xander assentiu. — Sr. Voss, não contamos mentiras, e é uma boa decisão não mencionar o nome Krykos novamente. Acrescentou ele com firmeza. — E você está certo, um estrangeiro não deve se envolver em assuntos que não lhe dizem respeito. Mas, como um homem que já tem alguma estima por você, peço que nunca mais diga o nome Leander ou Melina Krykos.
— Eu lhe asseguro que não. Vejo você mais tarde.
Willian procurou novamente a escada perto da proa, caminhou até o cais e seguiu em direção a um lugar onde poderia tomar uma cerveja antes de encontrar um táxi. A história que ele ouvira sobre Leander Krykos, com a sua mistura de fantasia e realismo, não parecia intensa o suficiente para justificar que o sobrenome fosse praticamente banido. No entanto, enquanto caminhava, ele lembrou-se da reação das garçonetes do lugar onde estava naquela manhã. Tive certeza de que uma delas se virou quando ouviu o sobrenome na conversa que teve com Adam.
Quanto mais ele pensava no que os seus funcionários lhe disseram, mais o desconforto no seu peito aumentava. Não houve uma única missão para Willian Voss que ele não tivesse resolvido, que não tivesse terminado em sucesso. E embora crimes de ódio ou terrorismo não tivessem nada a ver com o desaparecimento de uma herdeira, ele não podia negar que a ausência suspeita de Melina Krykos havia chamado a sua atenção.
Ele pegou o celular enquanto procurava um lugar confortável para sentar e tomar uma bebida ou uma cerveja gelada. Ele digitou o nome da herdeira no Google. A surpresa foi imediata: a tela mostrou uma mensagem indicando que não havia resultados relacionados. Ele parou e tentou novamente, dessa vez com o nome do pai, mas obteve o mesmo resultado, deixando-o ainda mais confuso.
— Que dia*bos? Ele murmurou para si mesmo.
Para confirmar se a sua conexão estava funcionando, ele procurou algo relacionado a Mykonos. Desta vez, as respostas vieram imediatamente. Entretanto, ao tentar novamente com os dois nomes, o resultado foi o mesmo: nada. Ainda mais desconcertante é que nenhuma das buscas foi registrada. Willian virou-se, sem saber se deveria retornar ao veleiro e perguntar mais sobre a herdeira, o pai, a mãe ou o caso. No entanto, no final ele recusou.
— Você não está aqui para trabalhar. Você está aqui para limpar a sua mente, para colocar em ordem aquela parte da sua vida que a mulher que você ama, porque você ainda ama, destruiu, ele disse a si mesmo seriamente, continuando o seu caminho em direção ao seu destino.
Ele estava se convencendo de que não precisava saber mais sobre os Krykos, lembrando-se, além disso, de que deveria evitar mencionar o sobrenome. Embora não acreditasse totalmente na parte mística da história que lhe contaram, ele podia imaginar, pelas reações das garçonetes e dos moradores locais, que eles estavam convencidos de que Leander Krykos havia vendido a alma da sua filha desaparecida a algum deus para escapar da pobreza.
.....
O corpo feminino tremia enquanto a chuva caía sobre a sua pele. Ele cruzou os braços sobre o peito nu, mas então levantou o rosto, deixando a água morna escorrer por cada canto. Ele observou enquanto a água lavava as impurezas do seu corpo. Alguns dos seus ferimentos ardiam, mas ela apenas permaneceu naqueles segundos de paz, sentindo a água no seu corpo.
— Você só tem dez minutos. A voz feminina a trouxe de volta à realidade. Aquela realidade em que o seu corpo era exposto sob a vigilância de duas mulheres em uniformes de enfermeiras, cujos rostos m*al eram visíveis por trás das máscaras médicas que usavam. E ela segurava uma arma confiantemente na mão. — Dez minutos. Ela repetiu com firmeza.
Assim como os homens, que pelo menos não estavam ali aos seus olhos, a mulher vestia um terno escuro, botas militares e um cinto com outra arma visível. Melina percebeu, porque uma mecha de cabelo escapava da balaclava que cobria o seu rosto, que ela tinha cabelos loiros. Os seus olhos, azuis e brilhantes, eram lindos, embora frios.
O olhar da mulher estava fixo nela enquanto as duas enfermeiras a ensaboavam. Melina sentiu-se um pouco envergonhada ao notar as quatro mãos passando a esponja ensaboada sobre o seu corpo, mas logo o espaço foi tomado por um aroma agradável. A nota de jasmim a fez franzir a testa, e ela piscou rapidamente diante de um lampejo de memória, uma espécie de recordação que a transportou para um banheiro luxuoso. Lá, o seu corpo estava coberto de água leitosa, cercado por velas perfumadas com o mesmo aroma de jasmim.
Ela olhou ao redor, quase se sentindo ela mesmo naquele momento. Ela lembrou-se do tom alegre da sua própria voz cantando uma canção em grego, uma língua que ela reconhecia, sabia falar, mas que naquele momento parecia ter desaparecido da sua mente. Não entendi o porquê. Quase inconscientemente, ela se virou quando ouviu algumas batidas, mas só encontrou a parede de azulejos.
— Melina, partiremos para Ethereal em uma hora. Indicou uma voz feminina.
Ela a reconheceu instantaneamente e rapidamente se virou para a mulher. Ela piscou repetidamente, encontrando os olhos azuis que se estreitaram para ela. Ela não sentia mais mãos na sua pele. A água tornou-se desconfortável, e a realidade começou a se misturar ao cheiro de jasmim que a transportou para um tempo em que ela era livre. Em que ela era livre. Ela engoliu em seco enquanto cobria o corpo, afastando-se do toque das enfermeiras. Empurrando-os, ela observou a arma subir rapidamente na sua direção.
Ainda nua, com a respiração ofegante e gotas de água escorrendo pelo corpo ferido, Melina deu um passo à frente, enfrentando a recusa da mulher.
— Eu sou Melina. Ela disse, a sua voz não soando como uma pergunta. — O meu nome é Melina Krykos, e você me sequestrou.
Ela tinha certeza de ter visto um sorriso malicioso por trás da balaclava, mas a dor a tomou quando a mulher loira a atingiu no pescoço com o cabo da arma, desequilibrando-a até ela ficar quase de joelhos. Um segundo depois, ele sentiu uma dor aguda no pescoço. Enquanto a sensação de letargia começava a tomar conta do seu corpo, Melina manteve a sua determinação. Com forças renovadas, ela se lembrou de quem era para não esquecer.
Ela era Melina Krykos e havia sido sequestrada por alguém em quem confiava.