Episódio 22

1292 Words
Os irmãos Petrakis se moveram com precisão para recolher suas mochilas, organizando as roupas que haviam usado, incluindo as sujas. Armados com jaquetas impermeáveis, eles abandonaram o veleiro, deixando Willian sozinho naquela noite tempestuosa no porto de Atenas. A chuva castigava o casco do navio, e o agente, tomado pela curiosidade, não pôde deixar de se sentir intrigado pelo halo de mistério que cercava a poderosa e quase mística família Krykos. ... Naquela cela, Melina sentia seu coração bater descontroladamente. Ela tentou acalmar a respiração para não ficar tonta, mas era difícil controlar a ansiedade que a dominava. Naquela noite, ele tomou uma decisão: buscaria sua liberdade. Ele não se importava para onde iria ou a quem teria que pedir ajuda. Ela sabia que não podia ficar naquele lugar nem mais um minuto, principalmente depois do que tinham feito com ela. As feridas em seu corpo eram profundas, mas aquelas que marcavam sua mente eram ainda mais devastadoras. Ela engoliu em seco quando ouviu batidas nas grades da cela. Ela olhou para cima e percebeu que o homem que trazia o jantar não era o mesmo das noites anteriores. — Coma. Ele ordenou com a voz seca, embora seu tom tivesse um toque de respeito. — Obrigada. Respondeu Melina, atraindo a atenção do homem, que a olhou por um momento. Ela viu algo diferente em seus olhos, não tão cr*uel quanto nos outros. Ela decidiu correr o risco. — Você acha que poderia me fazer um favor? Ela perguntou, com a voz calma e o desespero escondido. — Que tipo de favor? O homem estreitou os olhos, desconfiado. — Preciso de um marcador... algo que me permita marcar meus livros. Pode ser de qualquer cor. O homem a observou em silêncio, avaliando-a. Por fim, ele assentiu e se virou em direção à saída. Melina suspirou aliviada, mas o som da fechadura girando duas vezes a lembrou de onde ela estava. Quando ela pensou que ele tinha ido embora, ela ouviu passos voltando. Ele parou em frente à cela e jogou um marcador preto nela através das grades. — Obrigada. Disse Melina, pegando rapidamente o objeto. — Coma. Ele repetiu sério, antes de desaparecer pelo corredor. Melina ficou parada por um momento, ouvindo os passos dele se distanciarem. Então, sentada em sua pequena cama, ela pegou o marcador e escreveu em sua mão com traços trêmulos: eu sou Melina Krykos, tenho vinte e cinco anos e fui sequestrada. Sua caligrafia era quase ilegível, mas era o suficiente para lembrá-la de quem ela era, mesmo enquanto sua mente lutava contra os apagões que a assaltavam constantemente. Ela olhou para a bandeja e atacou o sanduíche de frango com macarrão com uma fome voraz. Ela sabia que a dieta dela estava péssima há semanas, talvez meses. Naquela noite, porém, ela precisava recuperar toda a força que seu corpo pudesse reunir. Ela bebeu o refrigerante e colocou a garrafa de água de lado, tomando pequenos goles. Debaixo do colchão, ela guardava a chave que ninguém havia reivindicado. Esta noite, tudo mudaria. A rotina da prisão, ou qualquer que fosse esse lugar, ela decorou depois de um tempo. Ele havia calculado que, depois do jantar, faltaria apenas uma hora para a última rodada de vigilância. Com essa certeza, ela limpou a bandeja de metal e a escondeu debaixo do travesseiro, para usá-la como arma, junto com os pratos e recipientes. Então, ela se deitou fingindo ler um dos livros que lhe foi permitido ter, embora as palavras se misturassem em sua mente. As batidas nas barras a trouxeram de volta à realidade. Ela olhou para o novo guarda, que a olhou com desconfiança. — E sua bandeja? Ele perguntou, franzindo a testa. — Eles já vieram buscá-la. Melina respondeu calmamente, sustentando o olhar dele. O homem inspecionou rapidamente a cela, mas não encontrou nada fora do lugar. Melina soltou um suspiro pesado e olhou para sua mão novamente. — Sou Melina Krykos, tenho vinte e cinco anos e fui sequestrada. Ela murmurou, gravando as palavras em sua memória. Ela tentou encontrar uma memória fora daquele lugar. Algo que não fosse tingido de dor, injeções no pescoço, pequenas células e banhos frios. Mas sua mente era uma tela rasgada. Não havia nada que a conectasse a uma vida anterior, apenas um instinto que lhe dizia que ela era importante, que seu nome tinha peso e poder. Talvez fosse por isso que ele estava lá. Ela ficou parada enquanto as luzes começaram a diminuir. Ela não sabia a hora exata, mas reconheci os sinais: era hora. Era agora ou nunca. Ela fingiu continuar lendo enquanto esperava pela última rodada de vigilância. Enquanto os dois homens passavam, batendo seus cassetetes contra as barras, o seu coração disparava. Mas ela não demonstrou nenhuma reação. Ela esperou que os passos dela desaparecessem antes de se mover. Era hora de agir. Ela respirou fundo enquanto estava deitada na cama. Ela fechou os olhos, tentando imaginar a brisa tocando seu rosto novamente. Ele pensou no sol, embora m*al se lembrasse de como era seu calor. O pensamento a confortou por um momento, mas o tremor em seu queixo a denunciou. Os nervos estavam tomando conta dela. Ele sabia o que estava arriscando. Eles poderiam matá-la, e ela tinha certeza de que nenhuma dessas pessoas hesitaria em executá-la. No entanto, o desejo de ser livre superou seu medo da morte. — Você tem que fazer isso. Ela sussurrou para si mesma em um tom firme, quase como se quisesse se convencer. — Você deve fazer isso porque os lobos estão aqui, e é aqui que eles realmente vão devorar você. Com uma determinação crescente, ele se levantou. Ela pegou a pequena bandeja de metal que havia sido deixada para ela, um objeto que não representava ameaça para ninguém, mas para ela era um recurso improvisado. O pouco de água que restava na garrafa seria suficiente para jogá-la nos olhos de quem tentasse impedi-la. Enquanto ela alisava os lençóis, seus dedos encontraram a chave escondida debaixo do colchão. Ele apertou-o com força em seu punho. Ela exalou profundamente antes de dar o próximo passo. Ela parou por um momento em frente à porta de sua cela. Olhou para sua mão e leu mais uma vez o que havia escrito: Eu sou Melina Krykos, tenho vinte e cinco anos e fui sequestrada. ElA repetiu isso silenciosamente, quase como um mantra. Antes que o medo tomasse conta dela, ela deu o primeiro passo em direção à porta. Ela colocou a bandeja entre as pernas para liberar uma das mãos e, com dedos trêmulos, tateou em busca da fechadura. Ao encontrar o mecanismo, ela rapidamente inseriu a chave, conseguindo inseri-la na primeira tentativa. Ela fechou os olhos e respirou fundo antes de virá-la. O clique ecoou como um tiro na sala silenciosa. Ela soltou o ar que não sabia que estava prendendo e repetiu o processo. E então, girou a chave uma segunda vez, mais determinado do que antes. Ela tentou não pensar no que poderia acontecer se alguém a descobrisse naquele momento. Então, ela engoliu em seco e apertou os lábios enquanto deslizava a cela para abri-la com movimentos lentos, mas seguros. Melina sorriu. Ela havia alcançado seu primeiro feito. Ela m*al deixou um pequeno espaço para sair, escorregou para o lado e, sem olhar para trás, correu. O frio da escuridão e o eco de seus passos a envolveram enquanto ela avançava. Sua vida dependia disso. Sua liberdade era dela, e somente dela. Ela sabia que se ficasse, se permitisse que o medo a paralisasse, seu destino seria morrer naquele lugar. Mas agora ela estava correndo. Ela correu em direção à possibilidade de um novo começo, em direção à esperança, em direção à liberdade que tanto desejava.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD