Episódio 11

1384 Words
O corpo da jovem recuou instintivamente quando ela ouviu o som metálico da bengala batendo com força, primeiro na parede e depois nas barras estreitas da pequena cela onde estava confinada. Ela encolheu-se, buscando refúgio no canto mais distante, e espiou com medo por cima do braço. Ela observou um pequeno espaço se abrir na grade para acomodar uma bandeja de comida. A sua respiração permaneceu contida e suave, tentando não chamar atenção. Ela engoliu em seco numa tentativa inútil de aliviar o aperto no peito, mas sua inquietação aumentou quando notou a figura masculina alta parada, imóvel, em frente à cela. Reunindo coragem, ela levantou lentamente a cabeça para olhar para ele. A única coisa que ele conseguia distinguir eram os reflexos nas grandes lentes escuras que cobriam os seus olhos. O homem usava um terno preto especial que incluía botas militares, uma balaclava que escondia quase completamente o seu rosto e um arsenal de armas estrategicamente colocadas no seu corpo. Não havia dúvidas: era um homem, reconheci pelo tom grave da sua voz. — Você precisa comer, princesa. Ele disse autoritariamente, quebrando o silêncio. A sua voz era firme, sem um pingo de compaixão. Ela suspirou profundamente antes de tentar se levantar. Ela sabia o que aquelas palavras significavam, as regras eram claras: se ela obedecesse, o tratamento seria tolerável. Se ela desobedecesse, haveria punição. — Você sabe como as coisas funcionam. Se você fizer algo errado, haverá consequências. Se você se comportar bem, nós o trataremos bem. — Quem é você? Ela perguntou com uma voz quase inaudível, quase como se temesse a resposta. — Você descobrirá em breve. Ele respondeu calmamente, embora a seriedade no seu tom ainda estivesse presente. — Mas por enquanto, levante-se e coma. — Não estou com fome. Eu só quero ir para casa. Ela respondeu, com a voz trêmula de desespero reprimido. O homem deu um passo na sua direção, mas a jovem não se moveu. Ela estava sentada, encolhida no canto mais escuro da cela. Ele a observava com uma atenção que a fazia se sentir nua e vulnerável. Ela engoliu em seco novamente, tentando reunir um pouco de coragem. — Levante-se. Ele ordenou, dessa vez com mais firmeza. — Não… Estou menstruada e com sangramento de escape. Respondeu ela rapidamente, tentando ganhar tempo. — Fique de pé! Ele rugiu, sua paciência esgotada. A ameaça veio com um movimento preciso: ele carregou a arma que carregava, enquanto a sua mão livre acionava uma arma. — Você tem três segundos para se levantar antes que eu atire na sua cabeça. Um… Ela olhou para ele, os seus olhos grandes e claros cheios de medo, mas também com uma determinação inexplicável. — Dois… O tempo pareceu parar enquanto ambos ficaram parados, como se o próprio ar da cela tivesse desaparecido. — Ah, droga! Ele finalmente rosnou. Frustrado, ele abriu a cela e jogou a bandeja de comida lá dentro. A jovem estava esperando por ele. O corpo dela reagiu rapidamente quando ele tentou agarrar o seu braço. A resistência foi imediata. Durante dias ela trabalhou num plano desesperado, removendo algumas pedras de pavimentação do chão para cavar um pequeno buraco. Embora ele não fosse grande o suficiente para escapar, ela não estava disposta a desistir. A luta foi brutal. A força do homem era imensa, quase avassaladora, mas o instinto de sobrevivência da jovem levou-a a resistir com todas as forças que lhe restavam. Um golpe certeiro no queixo do homem afrouxou momentaneamente o seu aperto, e ela aproveitou o momento para se libertar. Sem parar para pensar, ela saiu correndo, pisando acidentalmente no purê de batatas derramado na bandeja. Nada disso importava. Os seus pés descalços batiam no chão frio e duro do corredor enquanto ela corria desesperadamente, seguindo o caminho que o homem fazia todos os dias. Ela virou bruscamente para a direita numa esquina e olhou para trás no momento em que uma luz amarelada começou a acender nos corredores. Uma câmera de segurança capturou a sua imagem, mas ela não parou. A única opção dela era seguir em frente. Por fim, ela passou por um grande conjunto de portas duplas e chegou ao andar que parecia ser um escritório elegantemente decorado. A suas mãos sangravam dos cortes que ela fez enquanto cavava, mas ela não tinha tempo para se preocupar com a dor. Ela se levantou com dificuldade e fechou as portas atrás de si. Ela olhou em volta, procurando desesperadamente por uma saída. A sala estava cheia de móveis luxuosos, mas tudo parecia estranho e desconcertante para ela. Ela foi até uma parede de vidro, mas não encontrou maneira de abri-la. Então ela viu uma sacada e foi em direção a ela. Ao sair, ela parou de repente. À sua frente erguia-se um penhasco e, abaixo, o mar rugia furiosamente, com ondas quebrando contra as rochas. O vento salgado atingiu o seu rosto e, por um momento, ela fechou os olhos, deixando a sensação tomar conta dela. Foi a primeira vez, no que pareceu uma eternidade, que ela sentiu algo do mundo exterior. — Duvido muito que isso seja bom para você. A voz masculina interrompeu o seu breve momento de calma. Ela abriu os olhos de repente e deu um passo para trás, pressionando-se contra o corrimão. À sua frente, um homem de cabelos grisalhos e terno elegante a observava com um olhar penetrante. — Quantas tentativas você teve? Dez, quinze, vinte? Ele perguntou com uma calma assustadora. — Acho que você já sabe o que vem a seguir. — Onde estou? Ela sussurrou, observando-o avançar na sua direção com passos lentos, mas seguros. Ambos viraram a cabeça em direção à porta que se abriu com um rangido metálico. A entrada revelou uma equipe de homens armados alinhando-se com precisão marcial. Liderando o grupo, uma figura feminina baixa imediatamente chamou a atenção da jovem, que franziu a testa num gesto de perplexidade. A mulher avançou com passo firme, dirigindo-se ao cavalheiro de terno elegante. Sem dizer uma palavra, ele balançou a cabeça quase imperceptivelmente, enquanto ela depositava um beijo na sua bochecha, como se aquele gesto selasse algum acordo silencioso. Nenhum deles se aproximou da jovem, mas também não saíram da sala. Ela, porém, permaneceu imóvel, agarrada ao seu canto de incerteza. — Vamos, não vamos tornar isso mais difícil do que o necessário. Disse o homem calmamente, estendendo a mão na sua direção com paciência calculada. — Se você cooperar, serviremos comida melhor, colocaremos você num ambiente mais confortável e podemos até mesmo lhe dar livros novos. A oferta parecia tentador, mas ela não estava disposta a ceder. — Não vou sair daqui até saber onde estou. Ela respondeu com uma firmeza que tentou manter apesar do tremor na sua voz. O homem deu um passo na sua direção, e a jovem, em resposta, acomodou-se mais confortavelmente contra o corrimão frio da sacada. O olhar dela o desafiava, mas por dentro ele sentia medo lutando para dominá-la. Ela já sabia o que aconteceria se fosse capturada novamente, e a ideia de pular no vazio daquela altura terrível parecia mais suportável do que permanecer presa naquele lugar opressivo, cercada por estranhos cujas intenções ela não entendia. — Onde estou?! Ela gritou, a sua voz quebrando num eco histérico que se perdeu no rugido do vento. — Você está em casa. O homem respondeu calmamente, mas as suas palavras só aumentaram a confusão no rosto da jovem. — Não... não... não... Ela ne*gou repetidamente, murmurando como se quisesse se convencer. — Você me machucou. Eles me trancaram numa cela! Eles me alimentam como se eu fosse uma prisioneira e apontam as suas m*alditas armas para mim. Dessa vez, o seu grito soou mais alto. O homem olhou rapidamente para a equipe de soldados que ainda apontava os seus rifles para ela. Com um simples movimento de mão, ele ordenou que baixassem as armas. A obediência foi imediata, mas ele mais uma vez fixou os seus olhos verdes na jovem. — Onde estou? Ela exigiu novamente, o seu desespero era evidente. ‍‌‌​​‌‌‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​​‌‌​​‌​‌​‌​‌​‌​‌‌‍
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