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Sob a Luz de Milão.

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Blurb

Sofia Ricci, uma talentosa bailarina de um renomado teatro em Milão, vive para sua arte e sonha com uma carreira longe das sombras do passado de sua família. Mas sua vida muda drasticamente quando, após uma apresentação, ela conhece Luca Carbone, um misterioso empresário que na verdade é o chefe de uma perigosa família mafiosa. O que começa como uma atração proibida rapidamente se transforma em um turbilhão de romance, aventura e segredos, enquanto Sofia descobre que está envolvida em um jogo mortal que pode custar sua liberdade – e sua vida.

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Capítulo 1 — Sob as Sombras.
O salão do teatro La Scala estava em completo silêncio, exceto pelo som suave das minhas sapatilhas deslizando pelo chão de madeira polida. As luzes do palco brilhavam intensamente, destacando cada movimento da coreografia que eu ensaiava pela milésima vez. Mesmo com o teatro vazio, eu sentia olhares invisíveis, como se cada passo meu fosse julgado. — Mais leve, Ricci! — A voz cortante de Madame Bellucci ecoou pelo salão. — Você é uma folha ao vento, não um bloco de mármore! Respirei fundo, controlando o impulso de revirar os olhos. Ajustei o salto, tornando-o mais suave, mais fluido. Meu corpo estava exausto, mas minha mente, ainda mais. — Sim, Madame — respondi, mantendo o tom de respeito, mesmo que minha mandíbula estivesse trincada. No canto do salão, Giulia Ferri me observava com aquele sorriso cínico que ela adorava exibir. — Talvez a Ricci precise de um pouco mais de motivação — disse ela, com uma voz doce e venenosa. — Quem sabe uma nova manchete nos jornais para dar mais leveza ao seu passo? Meu coração apertou. O sangue ferveu. As insinuações dela eram uma lâmina bem afiada, sempre tocando o mesmo ponto fraco. — Concentre-se, Ricci! — Madame Bellucci chamou minha atenção novamente, ignorando a provocação de Giulia. Fechei os olhos por um instante, tentando bloquear tudo. Respirei fundo e, ao abrir os olhos, fiz o que sabia fazer de melhor: dancei. Cada movimento era uma resposta, cada passo, uma negação às palavras de Giulia e aos sussurros que insistiam em me acompanhar fora dali. Depois do ensaio, sentei-me no canto da sala para trocar as sapatilhas. Meus pés estavam doloridos, mas minha mente não me deixava descansar. Foi quando Enrico apareceu, encostado na porta. — Impressionante como você consegue sobreviver à Bellucci e à Ferri no mesmo dia — disse ele, com aquele sorriso torto de sempre. — É como dançar em um campo minado — respondi, sem olhar para ele. — Talvez você precise de uma distração. Um café no Galleria? Ou, quem sabe, um vinho? — Tenho aula de modelagem 3D daqui a uma hora. Minha resposta foi curta, quase fria, mas não queria conversa naquele momento. — Ah, claro — ele murmurou, ajeitando-se. — Sofia Ricci, a mulher que nunca para. Você vai acabar explodindo, sabia? Levantei a cabeça e encarei-o. Ele estava certo, mas não podia admitir. — Não tenho escolha, Enrico. Se eu parar, tudo o que construí desmorona. Ele hesitou, os olhos buscando algo nos meus. — Certo. Mas, se precisar de alguém para dividir o peso, sabe onde me encontrar. Não respondi. Ele deu de ombros e saiu, deixando-me sozinha com meus pensamentos. O caminho até a faculdade era um turbilhão. As ruas movimentadas de Milão, com suas vitrines brilhantes e o barulho constante, refletiam exatamente o que eu sentia por dentro: caos. Na sala de aula, mergulhei no mundo da computação gráfica, ajustando pixels e texturas com a mesma precisão com que ajustava meus movimentos no palco. Era um alívio momentâneo, até que meu celular vibrou sobre a mesa. “Precisamos conversar. Estou em Milão. – Papà.” O mundo ao meu redor parou. Olhei para a mensagem por minutos que pareceram horas. Ele estava em Milão. Depois de tantos anos, Lorenzo Ricci tinha feito contato direto. Fechei o celular e tentei focar na aula, mas a mensagem queimava na minha mente como fogo. Horas depois, estava caminhando pelas ruas de Brera, o bairro artístico de Milão. Lorenzo havia marcado em um restaurante pequeno, discreto, longe de qualquer olhar curioso. Quando entrei, ele já estava lá, esperando em uma mesa no canto. Ao me ver, ele se levantou. O mesmo homem imponente que eu lembrava, mas agora com cabelos grisalhos e olhos mais cansados. — Sofia — disse ele, a voz carregada de emoção. — Papà — respondi, mantendo-me distante. Sentei-me, e o silêncio entre nós era quase palpável. Ele foi o primeiro a falar. — Eu não esperava que você viesse. — Nem eu — admiti, cruzando os braços. — O que você quer? Ele inclinou-se sobre a mesa, os olhos fixos nos meus. — Quero te pedir perdão. Por tudo. Pelos erros que cometi, pelas coisas que você teve que suportar por minha causa. Ri, mas sem humor. — Perdão não apaga os anos de vergonha, papà. Não apaga as manchetes, os olhares, os sussurros. Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Eu sei. Mas estou tentando consertar as coisas. E quero que você saiba que, se precisar de mim, estarei aqui. — Eu não preciso — cortei rapidamente. Antes que Lorenzo pudesse responder, percebi um homem em uma mesa próxima nos observando. Ele desviou o olhar rápido demais. — Quem é ele? — perguntei, abaixando o tom de voz. Lorenzo olhou por sobre o ombro e franziu a testa. — Alguém que prefere que eu não esteja aqui. Um frio subiu pela minha espinha. — Você está sendo seguido? Ele hesitou antes de responder. — Eu ainda tenho inimigos, Sofia. Mas isso não significa que você está em perigo. Levantei-me, meu sangue fervendo de raiva. — É exatamente por isso que não deveria ter vindo. Você nunca muda, papà. — Sofia, por favor... — Ele tentou segurar minha mão, mas eu já estava saindo. De volta ao meu apartamento, joguei-me no sofá. A cabeça girava, as emoções transbordando. Por que tinha aceitado aquele encontro? Eu sabia como Lorenzo era. Sempre soube. O telefone tocou, quebrando o silêncio. Era minha mãe. — Você encontrou com ele, não foi? — disse ela, sem rodeios. — Sim. — Eu te avisei, Sofia. Ele só vai trazer mais problemas. Você sabe disso. Fechei os olhos, a voz dela ecoando como um martelo na minha mente. — Talvez — respondi, em voz baixa. — Mas ele é meu pai. — Isso não significa que você tem que carregar os erros dele. Não respondi. Porque, no fundo, ela tinha razão. Mas parte de mim ainda queria acreditar que Lorenzo podia mudar. Nos dias seguintes, voltei à minha rotina. Me joguei no teatro, nos ensaios, nas aulas de computação gráfica. Mas não importava o quanto me esforçasse, as sombras do passado continuavam a me perseguir. E eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que enfrentá-las. As sombras que me seguiam pareciam crescer a cada dia. Não importava se eu estava dançando no palco, imersa na perfeição de cada movimento, ou concentrada nas complexidades dos modelos 3D. Em algum momento, elas sempre voltavam, silenciosas, mas implacáveis. A mensagem de Lorenzo e o encontro no restaurante haviam reaberto feridas que eu me esforçava para manter fechadas. Naquela noite, deitada na cama, olhei para o teto do pequeno apartamento. O som dos carros na rua abaixo chegava abafado, como um sussurro distante. A pergunta que me atormentava desde o encontro ecoava em minha mente: Por que ele decidiu aparecer agora? Eu não podia negar que a presença de Lorenzo mexia comigo. Apesar de toda a dor que ele causou, havia uma parte de mim que ainda ansiava por sua aprovação. Talvez fosse o desejo de uma filha que nunca conseguiu se libertar completamente do peso do sobrenome Ricci. Meus pensamentos foram interrompidos por um som no corredor. Levantei-me rapidamente e olhei pelo olho mágico da porta. Era Enrico. Ele estava parado ali, com uma expressão séria, quase preocupada. Abri a porta com hesitação. — O que você está fazendo aqui? — perguntei, cruzando os braços. — Precisava falar com você. — Ele olhou ao redor, como se temesse que alguém estivesse ouvindo. — Posso entrar? Dei um passo para o lado, permitindo que ele passasse. Assim que a porta se fechou, ele começou: — Vi você com Lorenzo. Meu coração apertou. — Você me seguiu? — Não exatamente. — Ele passou a mão pelo cabelo, um gesto que fazia quando estava nervoso. — Eu estava no Galleria com alguns amigos e te vi entrando no restaurante. Depois vi ele. Cruzei os braços novamente, tentando manter a compostura. — E o que isso tem a ver com você, Enrico? — Você sabe que Lorenzo Ricci não é apenas seu pai, Sofia. Ele é um homem perigoso. Suspirei, exasperada. — Isso não é novidade para mim. Mas ele é minha família, goste ou não. Enrico balançou a cabeça, os olhos fixos nos meus. — Eu só quero que você tome cuidado. Ele pode parecer arrependido, mas não seria a primeira vez que ele manipula alguém para se safar de alguma coisa. As palavras dele tocaram uma ferida que eu tentava ignorar. Lorenzo era um mestre em manipulação, e, no fundo, eu sabia que ele não havia mudado tanto quanto queria acreditar. — Eu sei o que estou fazendo — respondi, tentando soar firme. Enrico deu um passo à frente, sua expressão suavizando. — Sofia, você é incrível no que faz, tanto no palco quanto fora dele. Não deixe que ele te arraste para o passado. Senti meus olhos marejarem, mas pisquei rapidamente para afastar as lágrimas. — Obrigada, Enrico — murmurei. Ele assentiu, mas não disse mais nada. Apenas saiu, deixando-me sozinha novamente com meus pensamentos. O resto da noite foi um turbilhão. Tentei dormir, mas os rostos de Lorenzo, de minha mãe e até de Enrico continuavam surgindo em minha mente. Quando o sono finalmente veio, ele trouxe sonhos inquietantes: eu estava no palco, dançando, mas as luzes estavam apagadas. Não havia música, apenas o som de passos ao meu redor, aproximando-se cada vez mais. Acordei com o coração disparado. Olhei para o relógio. Eram apenas 4 da manhã, mas sabia que não conseguiria voltar a dormir. Levantei-me, vesti meu moletom e saí para caminhar. As ruas de Milão estavam quase desertas, com apenas alguns táxis e trabalhadores noturnos aqui e ali. A cidade, normalmente vibrante, parecia mais calma, quase introspectiva, refletindo meu próprio estado de espírito. Caminhei sem rumo até encontrar-me em frente ao teatro La Scala. Parei e olhei para o prédio majestoso, iluminado pelas luzes suaves da rua. Ali, no silêncio da madrugada, senti um peso enorme cair sobre mim. Ser Sofia Ricci significava carregar um legado que eu não pedi, mas também significava resistir. Eu tinha sonhos, ambições, e não permitiria que as escolhas de Lorenzo, ou os julgamentos de pessoas como Giulia, me definissem. Decidi, ali mesmo, que enfrentaria meu pai. Não para agradá-lo, mas para colocar um ponto final no que quer que fosse aquele jogo que ele estava tentando jogar. Eu precisava de respostas, mas, acima de tudo, precisava de paz. Voltei para casa com um objetivo claro na mente. A luta contra as sombras do passado não seria fácil, mas eu sabia que não estava sozinha. Entre amigos como Enrico e minha própria determinação, talvez, apenas talvez, eu conseguisse transformar aquelas sombras em luz.

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