Port Angeles – Washington
2012
Khloe Angely
Eu olhava para os lados, buscando freneticamente com os olhos por minha mãe, naquele enorme supermercado vazio e silencioso. Havia perdido ela de vista quando fui procurar o preço de um doce que estava em minhas mãos e me distraído o suficiente para perdê-la de vista.
Começava a me desesperar, não a achando em lugar nenhum, eu odiava supermercados por esse motivo, pois sempre me perdia. Mas dessa vez era diferente, eu nunca tinha vindo aqui, então não poderia simplesmente andar por aí, correndo o risco de me perder ainda mais ou encontrar com uma pessoa desagradável. E estava com medo de ser deixada aqui por ela.
Dei alguns passos para o final do corredor em que estava, chegando em outro corredor maior e mais longo. Virei minha cabeça, olhando para meu lado esquerdo, observando o vazio do local por ser uma hora já avançada da noite. Estava um silêncio assustador e eu sentia medo por estar sozinha. Algumas luzes falhavam em alguns pontos no teto, deixando um clima ainda mais sombrio.
Ouvi alguns passos se aproximarem de onde eu estava e me virei, procurando com o olhar. A esperança de ser a minha mãe gritando em meu peito. No final do corredor havia uma mulher, parada, me avaliando com seu olhar indecifrável. Não consegui enxergá-la direito, pois na hora em que a vi a luz falhou, deixando o lugar parcialmente escuro.
Ela se aproximou ainda mais e eu pude vê-la de perto.
Uau!
A mulher era incrivelmente linda e elegante, usando um vestido preto até nas coxas, colado ao corpo ressaltando suas curvas. Seus cabelos eram castanhos e longos, modelando seu rosto e b***o. Seus passos eram calmos, fazendo um som suave soar pelo corredor vazio ao que seus saltos chocavam-se contra o chão.
A mulher parou na minha frente, avaliando-me com seus olhos castanhos, me deixando sem graça. Senti minhas bochechas esquentarem e tive a certeza que estava corada. Ela deu um pequeno sorriso, chamando minha atenção para seus lábios rosados e carnudos, bem desenhados.
- Está perdida, meu anjo? – Sua voz baixa e calma ao me perguntar tirou minha atenção de sua boca. Olhei em seus olhos, me perdendo ali.
- Sim. – Acenei com a cabeça, tentando ser mais coerente. – Me perdi da minha mãe e não a acho nesse lugar enorme, e estou com medo daqui, está tudo vazio e silencioso. – A essa altura, a barra de chocolate estava completamente derretida em minha mão, já que a apertava fortemente.
- Venha, te ajudarei a achá-la! - Ela se virou, me puxando pela mão. Senti um arrepio forte quando nossas peles se tocaram.
Andamos por alguns minutos, entre corredores e mais corredores, vi todos os tipos de produtos e alimentos, até virar em um corredor, avistando minha mãe entre um corredor e outro olhando para os lados, parecendo estar procurando alguma coisa com a expressão preocupada.
- Mãe! – A chamei, vendo-a se virar para mim rapidamente. Ela andou apressadamente em minha direção, me olhando como se eu estivesse machucada. Ela me abraçou apertado, seu corpo estava tenso contra o meu e me senti culpada por deixa-la assim.
- Oh céus, minha filha! Quase me mata do coração.
- Me desculpe, mas eu queria olhar o preço daquele chocolate que eu amo. – A soltei, fitando-a completamente culpada. Olhei em minhas mãos e vi a barra mole dentro da embalagem. Suspirei triste, sabendo que não acharia mais daquele chocolate.
- Aqui, meu anjo. – Ouvi a voz doce da mulher misteriosa atrás de mim e me virei para ela.
- Oh... obrigada! – A agradeci eufórica assim que vi a mesma barra de chocolate em sua mão direita, sendo estendida em minha direção. O peguei e deixei o outro derretido em uma prateleira ao meu lado. – Mas como? – Lhe olhei confusa pois não vi nada em suas mãos quando nos encontramos no corredor.
- É um segredo. – Um sorriso discreto cresceu em seus lábios.
- Obrigada por ajudar minha filha a me achar. – Ouvi a voz da minha mãe ao meu lado, mas não a olhei, mantendo meu olhar sobre a mulher a minha frente. Vi quando ela me lançou um olhar calmo.
- Não precisa agradecer, ajudaria mais vezes se fosse preciso.
- Qual seu nome? – Perguntei em um momento de coragem, a olhando ansiosa.
- Katarina. – Ela deu um sorrisinho, aparentemente percebendo minha ansiedade. – Foi um prazer conhecer vocês, mas preciso ir. Nos vemos por aí, Khloe.
Ela não esperou por uma resposta minha, apenas se virou sobre seus saltos e saiu caminhando elegantemente até eu perdê-la de vista.
Oh, espere! Como ela sabia meu nome se eu não disse em momento algum? Pensei confusa, olhando para onde tinha visto pela última vez, sabendo que não a veria mais.
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