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Katarina Kollia
É maravilhoso sentir que o nosso amor está presente em todos os momentos, depois de muitos anos sendo sentido apenas por mim. Em cada coisa que fazemos, a qualquer hora. Os poucos dias que passamos juntas em minha mansão me fez sentir tudo o que eu mais precisava.
Era esse sentimento que me estimula a enfrentar qualquer barreira, qualquer obstáculo imposto pela vida.
Nosso amor vai além das fronteiras do pensamento e acontece em cada ato que fazemos, em cada gesto. Seja ele um simples toque das mãos ou um beijo que me tira de orbita. A felicidade é isso, pequenos momentos, pequenos gestos, a certeza da parceria, do companheirismo, do carinho e do afeto.
Saber que existimos uma para o outra a todo momento é a coisa mais linda que eu levo comigo, além dela. A vontade de estarmos juntas, de planejar a vida, de fazer todas as coisas bem simples, porém repletas de amor, me enche de esperanças, que foram perdidas há muito tempo.
Eu gostaria que cada dia tivesse 25 horas, só para curtir mais um pouquinho tudo aquilo que venho curtindo ao seu lado.
Como é gostoso estar com Khloe, de ouvir a sua voz rouca e calma, de me perder em seus olhos verdes brilhantes que sempre me trouxeram paz, observar seus lábios rosados se abrindo em um largo sorriso, de analisar até mesmo cada movimento de suas mãos delicadas. Amava olhar cada detalhe seu por horas seguidas, depois de anos sendo privada disso.
Somos duas metades que se completam, que se abraçam e se amam. Me sentia viva ao lado dela, como se o vazio em meu peito sumisse ou a luz que ela emanava me tirasse da escuridão me que assombrava, como somente ela poderia fazer.
Me joguei contra o pequeno e confortável sofá branco do quarto do hotel em que me hospedei aqui em Atenas, e suspirei alto, erguendo minha mão, passando meus dedos suavemente sobre meus lábios. Lembranças dos dias que passamos em Santorini invadindo minha mente como flash’s. Decidi ficar por Atenas em um hotel chamado Titania, após deixar Khloe em sua casa, apenas para garantir que nada aconteceria com ela. Hoje era segunda-feira de manhã e não poderíamos mais adiar sua volta para a Capital, por mais que quiséssemos.
Passamos dias incríveis em Santorini, regados de beijos calorosos, abraços carinhosos, sentimentos sendo expostos e matando um pouco da enorme saudade que eu sentia.
Suspirei mais uma vez, sentindo um pequeno sorriso crescendo em meus lábios involuntariamente, no momento em que lembrei-me do último beijo que trocamos quando a deixei em sua casa. Passava delicadamente meu dedo indicador sobre meus lábios, lembrando-me de cada vez em que eles tocavam na maciez dos lábios de Khloe, tentando recriar esses momentos.
Me sentia extremamente feliz por Khloe não ter relutado tanto, mas como sua alma já conhece a minha o suficiente, não teria motivos para tentar ir contra esse amor que sempre sentíamos uma pela outra. Era inevitável, tanto para mim, quanto para ela.
Torcia muito para que ela se lembrasse de nossas vidas passadas como fez quando nos encontramos mais uma vez em Nassau e Rússia, quando a encontrei como uma aviadora.
Me pegava pensando no que faria nessa tarde entediante, sozinha nesse enorme quarto. Khloe estava trabalhando e Deimos ficou em Santorini, a pedido meu. O deixei descansado por esses dias, pois ele precisava mais do que qualquer um.
Me ajeitei no sofá, deitando-me completamente sobre ele, deixando minhas pernas suspensas pelo braço do mesmo, olhando para o teto.
- O que eu posso fazer para mimar um pouco minha mulher? – Divaguei após pensar mais um pouco e decidir que iria visitar Khloe em seu trabalho, sendo que no hotel que eu me hospedei fica a menos de 600m de distância. – Ah! Já sei...
Levantei-me apressadamente e vesti uma roupa, já que estava somente com um conjunto de lingerie rendado da cor vermelho escuro, pois me sentia mais confortável assim. Coloquei uma calça jeans escura colada ao corpo e uma blusa de alças finas de seda, na cor branca. Peguei meus saltos altos brancos e os coloquei, seguindo para o banheiro. Ajeitei meus fios castanhos com meus dedos e sorri para a minha imagem refletida.
Eu particularmente me achava linda, com meus olhos castanhos escuros, minha boca bem desenhada e avermelhada, e meus cabelos castanhos, dando um contraste com minha pele morena. Amava meu corpo, todos os pequenos detalhes.
Sai do banheiro e andei até a pequena cômoda que ficava ao lado da cama, capturando meu celular, carteira e chaves do carro.
(...)
Ao chegar onde desejava, parei meu carro no estacionamento da loja, desligando o motor e saindo do mesmo. Andei calmamente até a entrada do estabelecimento, aproveitando bastante o dia nublado de hoje. Poderia andar nas ruas sem me preocupar com o sol queimando minha pele.
Abri a porta de vidro e logo o aroma de flores de todos os tipos invadiu meu olfato. Eu estava na floricultura Uniflora SA, localizada em Prompona, um bairro em Atenas, alguns quilômetros de distância do hotel onde estava hospedada.
Sorri encantada com as diversas flores do lugar, enfeitando estantes ou penduradas por um fio preso ao teto. Segui para o balcão, onde uma recepcionista estava de costas, mexendo em algo. Ela era loira e alta, e pelo que pude ver tinha um belo corpo, sendo coberto parcialmente pelo balcão.
- Olá. – Falei em um tom mais baixo, vendo-a se assustar, dando um pequeno pulinho. Ela se virou em minha direção e automaticamente a reconheci. – Oh, você é a garota do bar, certo?
- Hm, sim. – Ela me fitava confusa, com as sobrancelhas franzidas. – Espera! Você é a namorada daquela morena excessivamente bêbada, sim?
- Isso mesmo. – Afirmei com a cabeça, deixando um sorriso escapar.
- E ela ficou bem depois daquela noite? Ela estava muito r**m e imagino que a ressaca no dia seguinte a deixou acabada. – A mulher soltou uma risada provavelmente sabendo do que Khloe passou.
- Ah, com certeza ela ficou péssima. – Murmurei risonha. – Prazer em revê-la, srta. Meu nome é Katarina.
- Igualmente! Sou Sasha. – Ela ergueu sua mão sobre o balcão e eu fiz o mesmo, quando percebi sua intenção de um cumprimento formal. – O que deseja?
- Você teria tulipas vermelhas? – Perguntei olhando em volta, mas logo parando meu olhar sobre Sasha novamente.
- Sim, temos! Estão na estufa. – Ela falava enquanto saia detrás do balcão, indo em direção a uma pequena porta ao lado. – Precisamos tomar mais cuidado com elas, são bem frágeis. Deseja que eu monte um buquê ou quer por quantidade? - Escutei sua voz abafada pela distância que nos separava, mas ainda sim com nitidez.
- Um buquê, por favor! Mas nada extravagante.
- Okay. – Ela gritou de onde estava, me arrancando uma risada.
- Você não trabalha mais no bar? – Perguntei curiosa.
- Trabalho nos dois lugares para conseguir dinheiro para manter minha faculdade e minha casa. Trabalho no bar durante os finais de semana e aqui durante as tardes.
- E como estuda?
- Tenho aulas durante a manhã, srta.
- Ah sim.
Olhei em volta, observando a loja repleta de flores, aguardando Sasha terminar meu pedido. Virei minha cabeça para esquerda, já que o cheiro de uma certa flor me chamou mais atenção.
Era um vaso de Astromélias, flores que representam um vínculo forte entre duas pessoas, como amizade ou saudades. Elas eram de uma beleza única, com a ponta de suas pétalas rosadas e a parte interna amarelada. Seu cheiro era intenso demais, mas ao mento tempo suave. Lindas.
- Tudo pronto, senhorita.
Sasha passou novamente pela pequena portinha trazendo consigo um grande buquê de tulipas vermelhas. Eu fiquei completamente encantada pelo vermelho vibrante das pétalas, todas juntas, deixando tudo mais belo.
- Nossa! Ficou lindo.
Eu as levaria pelo simples motivo de seu significado. Existe uma lenda turca que explica o significado da tulipa vermelha. A história conta que Farhad, um príncipe, estava perdidamente apaixonado pela jovem Shirin. Um dia, Farhad foi informado que a sua amada tinha sido morta. Não aguentando a tristeza e a dor, o jovem príncipe decidiu terminar a sua vida, cavalgando para um precipício.
Segundo a lenda, cada gota de sangue do príncipe fez nascer uma tulipa vermelha, simbolizando assim o amor verdadeiro.
Era o que meus sentimentos por Lauren significavam, amor puro e verdadeiro.
- Vou leva-las. – Falei enquanto pegava o grande buque que Sasha me entregava. – Quanto lhe devo?
- 34 euros.
Coloquei o buquê delicadamente sobre o balcão e tirei minha carteira do bolso traseiro da minha calça, pegando uma nota de cem euros, lhe entregando em seguida.
- Pode ficar com o troco, srta. Sasha.
- Oh... – Ela me olhou com os olhos arregalados. – Tem certeza?
- Claro. – Murmurei, me afastando após pegar minhas flores, indo em direção a porta. – Obrigada por tudo, e tenha uma boa tarde.
- Tenha uma boa tarde também, espero que sua namorada goste.
Sorri imaginando uma possível reação de Khloe e sai dali, seguindo até meu carro.
(...)
Estacionei meu carro na frente do hotel onde Khloe trabalhava, conseguindo vê-la através do vidro da portaria. Ela estava concentrada no computador a sua frente, parecendo verificar os documentos do hospede que estava apoiado no balcão, aguardando-a.
Aguardei pacientemente ela fazer todo o processo para deixa-la sozinha mais uma vez. Sorri quando vi minha oportunidade.
Sai do carro após pegar o buquê que repousava sobre o banco do passageiro, e fui em sua direção, percebendo-a completamente distraída. Khloe estava linda naquela tarde, usando seu uniforme, que consistia em um vestido preto até seus joelhos com a logotipo do hotel costurada acima do seio esquerdo. Seus cabelos negros estavam soltos e ondulados, e em seu rosto uma leve maquiagem, destacando somente os olhos verdes.
- Olá, meu amor! – Exclamei quando parei a sua frente, deixando as flores escondidas as minhas costas.
- Deuses, Katarina. – Khloe se sobressaltou, me olhando com os olhos arregalados de susto.
- Sygnómi*. – Sorri com a língua entre os dentes, vendo-a me acompanhar. *Desculpe*
- Tudo bem, com você falando em grego fica difícil ficar com raiva. – Soltei uma risadinha pois sabia o que meu idioma natal causava nela. – O que veio fazer aqui?
- Estava com saudades e vim lhe trazer algo. – Dei de ombros, como se não fosse nada demais. Vi seus olhos verdes ganharem um brilho intenso e um sorriso tímido crescer em seus lábios rosados.
- Achei que era só eu que estava com saudades, por mais que tenhamos nos visto hoje de manhã. – Khloe falou timidamente, saindo detrás do balcão que nos separava e vindo em minha direção. – Oh céus, Katarina!
Khloe me fitou com os olhos brilhantes em lágrimas e um sorriso largo, expondo os dois dentinhos maiores e incrivelmente fofos, quando viu o buquê de tulipas vermelhas que estendi em sua direção.
- Gostou? – Perguntei, assistindo pegar as flores de minhas mãos e leva-las próximas ao seu nariz, inspirando fundo o cheiro adocicado das tulipas.
- Amei, Kat. – Sua voz estava baixa e emotiva, parecendo conter o choro que queria lhe rasgar a garganta.
- Fico feliz, meu amor. – Me aproximei dela, deixando um beijo sobre sua testa. – Tem um tempo livre agora?
- Só se Théos me cobrir por alguns minutinhos. Por que? – Ela perguntou curiosa, olhando-me intensamente com aqueles verdes que tanto me tiram a razão.
- Queria ficar um pouco sozinha com você.
- Espere só um pouco. – Murmurei um “okay” baixo, vendo-a indo em direção ao pequeno telefone que ficava ao lado do seu computador de trabalho. – Alô... Théos? Está ocupado? É que eu preciso de um pequeno favor seu. – Khloe me olhou fixamente, mordendo o lábio inferior lentamente. Arfei com seu ato, me perdendo momentaneamente na cena a minha frente. – Preciso que fique no meu lugar por um tempo. Pode fazer isso por mim? – Ela soltou um sorrisinho estranho, um que eu vi poucas vezes desde que nos encontramos novamente. – Okay, muito obrigada.
- E então? – Perguntei apenas por perguntar, pois tinha ouvido toda a conversa, involuntariamente.
- Ele estará aqui em alguns minutos, mas nós já podemos ir.
- Onde fica o banheiro mais próximo daqui? – Perguntei ansiosa, louca para fazer o que queria logo.
- Logo ali. – Ela apontou para um corredor discreto, distante do balcão e dos elevadores, onde provavelmente havia um banheiro.
Observei Khloe guardando o buquê delicadamente em uma estante abaixo do computador, logo vendo seus olhos sobre mim novamente.
- Preciso fazer algo antes de tudo, ou irei enlouquecer. – Murmurei indo em sua direção, puxando pela mão para o pequeno corredor.
(Play na música Go f**k Yourself)
Caminhamos apressadamente até uma porta discreta do lado esquerdo do corredor, onde eu a abri e empurrei Khloe para dentro, trancando a porta. Ela me olhava ofegante e com um sorriso malicioso, já sabendo quais eram as minhas intenções. O banheiro era grande o suficiente para ter três cabines, mas não aguentei leva-la para uma delas, apenas a empurrei contra a parede de azulejos brancos, presando seu corpo com o meu.
Selei nossos lábios apressadamente, gemendo baixo pelo contato. Levei minhas mãos para entre seus fios negros, apertando-os entre meus dedos, enquanto sentia suas mãos quentes e delicadas apertarem minha cintura, puxando-me ainda mais contra si.
Khloe entreabriu os lábios, me dando passagem para explorar sua boca com minha língua ansiosa, dominando aquele beijo sem hesitar. Gememos juntas, quando nossas línguas quentes tocaram-se, começando um roçar sensual e apressado. O beijo molhado deixou-me pulsando entre as pernas.
O toque de suas mãos sobre minha pele deixou meu corpo febril. Arrepiava cada vez que suas unhas curtas arranhavam minhas costas, desde a nuca até a lombar, por dentro da blusa soltinha que eu usava. Meu corpo queimava violentamente sobre os toques de suas mãos, seus dedos pareciam tocar através de minha pele sensível, deixando-me agoniada por mais contato.
Chupei sua língua, para logo depois puxar seu lábio inferior entre os dentes, mirando seus olhos, agora em uma tonalidade verde escura. Colamos nossos lábios mais uma vez, embolando nossas línguas lentamente.
Em um movimento rápido, Khloe trocou nossas posições, me prensando contra a parede. Ela desceu suas mãos até para-las sobre minha b***a, apertando-a rudemente entre seus dedos. Khloe deixou um leve tapa em minha nádega esquerda, provocando-me ao extremo, me deixando com ainda mais t***o. Estava tudo muito intenso... O roçar de nossos corpos, seus toques, o beijo, sua respiração ofegante contra meu rosto... exatamente tudo.
Puxei seus cabelos com uma mão, afastando seu rosto do meu, olhando-a completamente ofegante, não diferente de mim.
- Você me deixa louca, Khloe. – Sussurrei fraca ao senti-la abaixar sua cabeça em direção ao meu pescoço, após tirar algumas mechas do meu cabelo que o cobria, lambendo-o e chupando a pele sensível do mesmo. Pendi minha cabeça para trás, querendo sentir ainda mais o contato de seus lábios contra minha pele. Mordi meu lábio inferior fortemente ao sentir uma mordida forte em meu ponto de pulso, para evitar que um gemido alto escapasse por meus lábios inchados.
- Isso não teria graça se não te deixasse nesse estado, baby.
Rosnei sem me controlar ao ouvir suas palavras, descendo minhas mãos para sua b***a, apertando a carne durinha e macia, sentindo seus lábios tocarem os meus novamente, iniciando outro beijo, mais quente que os primeiros.
(...)
Khloe Angely
Eu sorria para as paredes, tamanha a minha felicidade, mesmo tendo brigado a tarde toda com meu chefe. Tinha algumas horas desde que Katarina foi embora — sendo agora noite — alegando que ela precisava sair logo daqui ou não me largaria, consequentemente não me deixando trabalhar. Katarina também me avisou que caçaria, e ao final do meu expediente me buscaria para levar-me para casa. Amava seu jeito atencioso comigo, o carinho que ela me tratava. Me sentia querida e amada.
Meus sentimentos estavam uma completa bagunça, e para dificultar tudo, minha mente sussurrava que era perigoso me manter ao seu lado, mas meu coração gritava por ela.
Cada dia em que passamos juntas em Santorini, uma lembrança diferente me atingia, mas todas elas sendo comigo e com Katarina. Eu não conseguia mais, precisava arriscar e me entregar por completo à ela. Isso era mais forte do que qualquer outra coisa, essa paixão avassaladora que sentia por ela. Sim, eu me encontrava perdidamente apaixonada por Katarina Kollia e não conseguia negar isso para mim mais. Não sabia como tinha acontecido tão rápido uma coisa que nunca havia acontecido antes, mas suspeitava que era por causa de nossa história e por sermos almas gêmeas.
Eu sentia medo, é claro, ainda mais depois que descobri ter pessoa nos seguindo, ansiando nossas mortes. Mas eu nunca senti medo dela, sabia que ela nunca me faria m*l. Tinha medo que algo pudesse nos separar e ela ter que passar por aquilo de novo, sentir aquela dor agoniante mais uma vez por minha culpa.
Mas não podia evitar, cada segundo longe era uma tortura, e só de imaginar me afastando dela por medo me quebrava inteira. Eu não iria deixar o medo me consumir, e me entregaria de vez a ela, para fazer com que esse amor que sentíamos durante séculos voltasse a queimar com toda sua intensidade.
Estava sentada na cadeira giratória que ficava atrás do balcão onde passava parte do meu dia e noite, com cotovelo apoiado na madeira escura e minha cabeça descansando sobre minha mão, aguardando uma hospede que faria o check-in hoje.
- Khloe. – Escutei a voz de Théos ao meu lado e virei minimamente meu rosto o olhando. – Richard está vindo aí e está nervoso. – Ele sussurrou apreensivo, olhando para os lados. – Por favor, mikró*, tenha calma e não o irrite mais. Não quero que você saia prejudicada. – Théos falava enquanto segurava minhas mãos com as suas, que suavam levemente. *pequena*
- Obrigada por me avisar, Théos. – O fitei agradecida, levantando-me da cadeira arrumando minha postura ao ajeitar meu vestido. – Mas por que ele está nervoso? O que aconteceu dessa vez?
- Não sei, mas parece que é algo com a hóspede que vai chegar.
Paramos de falar ao mesmo tempo quando avistamos Richard cruzar o saguão do hotel após sair do elevador, já que seu escritório ficava no segundo andar do hotel, parecendo furioso.
Sua expressão estava completamente fechada e seus passos podiam ser ouvidos por todo o lugar. Ele inspirava com força e soltava o ar pesadamente.
- Khloe. – Sua voz exalava raiva junto a seus olhos castanhos, que queimavam em minha direção.
- Sim, Sr. – Lhe respondi, tentando manter a paciência que me foi pedida. Olhei para o lado em busca de meu amigo e o vi no canto, olhando amedrontado para nosso chefe.
Quando Richard ficava com raiva, descontava em qualquer um que estava em sua frente, e eu e Théos éramos os alvos principais quando isso acontecia.
- Quero saber o motivo da hospede ainda não ter chegado! – Ele falava baixo, mas sabia que queria gritar.
- Eu não sei, Sr. Nada foi me avisado.
- Eu não quero saber, garota. Você deveria ter ligado à procura de informações.
- Mas, senhor, o horário de sua chegada era para ser há dez minutos atrás. Talvez ela tenha parado na cidade antes de vir para o hotel.
- Não importa, sua incompetente, deveria ter feito algo sobre isso. Tivesse avisado-a que nós somos rígidos com o check-in, ou qualquer coisa que você é paga para fazer!
- Richard, isso não é minha culpa! Nossa tolerância é de trinta minutos e ainda não passou disso. – Eu me sentia por um fio, me segurando para não me exaltar e começar a falar demais.
Ele avançou alguns passos em minha direção, já que se manteve parado um pouco longe de mim, e espalmou fortemente suas mãos sobre o balcão, causando um barulho alto. O olhei assustada, dando alguns passos para trás, batendo minhas costas na estante, mirando seus olhos repletos de raiva sendo dirigida à mim. Seu rosto vermelho mostrava o quão furioso ele estava.
- Não me falte mais com respeito, garota, ou não responderei por mim. – Ele murmurou entre dentes, tentando se controlar. Seus olhos pesavam sobre mim, deixando-me desconfortável.
- Desculpe, senhor. – Desviei nossos olhares após abaixar minha cabeça, temendo que ele pudesse fazer algo contra mim.
- Muito bem! – Sua voz exalava satisfação pelo meu ato amedrontado, e com um pouco da coragem que ainda me restava, levantei meus olhos, vendo um sorriso m*****o em sua boca.
Ele ergueu sua mão esquerda, e tocou em meu rosto, passando seus dedos ásperos por minha bochecha. A raiva consumiu meu corpo, mas continuei do jeito que estava, vendo-o seguir novamente para o elevador, e quando entrou na cabine metálica, me lançou um sorriso vitorioso. Não sabia do que ele era capaz de fazer, então me mantive parada, com as lágrimas querendo sair por meus olhos devido ao assédio que sofri.
(Play Seven Nation Army)
- Não quero nem ver o que a sua grega gostosa fará com ele. – A voz risonha de Théos me assustou, e rapidamente virei em sua direção, vendo-o com os olhos brilhando em animação, fitando alguma coisa atrás de mim. – Mentira, quero ver sim!
Olhei na mesma direção em que ele fitava e me surpreendi ao ver Katarina na entrada do hotel, com os olhos negros e soltando o ar pesadamente por entre seus lábios avermelhados. Ela usava um vestido longo de alças finas e decotado nos s***s, na cor vermelho sangue, com seus cabelos caindo como uma cascata por suas costas e ombros.
- Katarina?
Ela caminhou em minha direção, pisando com força sobre seus saltos altos escuros, causando um barulho assustador.
- Quem era aquele? – Ela perguntou baixo quando parou em minha frente. Vi as pequenas veias abaixo de seus olhos querendo aparecer e a cor n***a quer toma-los por completo.
- É Richard, nosso chefe. – Théos respondeu apressadamente por mim, que estava ainda paralisada pela surpresa. Sabia que ela tinha visto e ouvido toda a conversa com meu chefe, e também sabia o que ela queria fazer com ele no momento. – Faça o que tiver que fazer com ele, Srta. Esse cara merece sofrer por cada coisa que fez Khloe passar.
Katarina rosnou baixo, virando seu rosto em direção ao elevador.
- Kat, por favor, fique calma. – Murmurei sentindo como se tivesse uma bola em minha garganta. Meus olhos ardiam pelas lágrimas contidas.
Katarina virou seu rosto lentamente para mim no momento em que uma lágrima escorreu por meu olho. A tonalidade n***a cobriu a íris castanha junto ao vermelho que tomou a parte branca, e um rosnado ainda mais alto rasgou sua garganta, ao que ela começou a andar apressadamente em direção ao elevador.
Olhei para Théos, que tinha um largo sorriso em seus lábios, e corri até Katarina, entrando junto com ela no elevador, percebendo que meu amigo me seguia.
- Qual andar? – Kat perguntou, olhando fixamente para os botões do elevador.
- Segundo. – Meu amigo respondeu.
- Eu sei que você sabe sobre mim, Théos.
- O que?! – Indaguei alarmada, olhando para meu amigo que deu de ombros, fitando Katarina. – Como soube?
- Pelo sobrenome, mikró. Não sei como nunca percebeu.
- Deixaremos essa conversa para depois. – Katarina falou enfurecida, quase quebrando o botão do segundo andar quando foi aperta-lo, com mais força que deveria.
O elevador começou a subir, até parar no segundo andar, e quando as portas se abriram, Katarina não esperou por mais nada, marchando em direção a única porta do andar.
A grega apenas abriu a porta, empurrando-a fortemente, que com a força tremenda, bateu contra a parede, rachando-a.
- Quem é você? – Richard levantou-se assustado de sua cadeira giratória que estava atrás de sua mesa, no centro da sala, espalmando as mãos sobre o vidro fosco de sua mesa, a pergunta sendo dirigida a Katarina. – Como ousam a entrar aqui desse jeito? – Ele perguntou com raiva, olhando para cada um de nós. – Não aprendeu que me deve respeito, Khloe? – Seus olhos pararam sobre mim, deixando-me com raiva.
Katarina não falou absolutamente nada, apenas correu em sua direção, parando em sua frente em questão de milésimos de segundos. Richard gritou assustado, dando alguns passos desajeitados para trás. Sabia que a expressão de Katarina nesse momento estava transformada, deixando o homem temeroso.
Richard tentou avançar na mulher a sua frente por instinto e raiva, tentando atingi-la com um soco. Katarina desviou habilmente, e pegou seu punho no ar, torcendo-o.
- Sua louca! – Ele exclamou gritando, tentando a todo custo puxar sua mão de volta. – Solte-me agora.
- Ele vai morrer. – Théos sussurrou em meu ouvido, soltando uma risadinha. Estávamos parados ainda perto da porta, assistindo a cena. – Ah, com certeza ele vai.
Katarina estava séria, e eu podia sentir o ódio e a força que ela exalava, e mesmo sendo errado, aquilo me deixou excitada. Seus olhos negros e as veias pulsantes abaixo dos mesmos denunciavam o que ela ansiava fazer. Katarina o puxou pelo pulso, e tamanha a sua força, fez com que o homem voasse por cima de si, atingindo a mesa.
O vidro quebrou em vários pedaços pelo impacto brusco do corpo de Richard. Ele gemeu de dor fechando os olhos fortemente, e ficou imóvel, sendo impossível de se levantar no meio de tantos cacos.
Katarina olhou para mim e meu amigo, antes de pegar meu chefe pela gola de seu blazer cinza e eleva-lo até um pouco acima de sua cabeça, fitando os olhos assustados do homem. Richard ainda gemia de dor, e eu pude ver um enorme pedaço de vidro preso em sua perna.
- Você cometeu um erro ao maltratar e desejar minha mulher desse jeito doentio. Não terá minha piedade, seu verme.
Ao piscar meus olhos, Katarina já tinha suas presas afiadas cravadas no pescoço de Richard, esse que soltou um grito pavoroso de dor, se debatendo nos braços de Katarina, tentando se soltar das mãos dela de qualquer jeito. Théos pulava de excitação ao meu lado, com seus olhos vidrados na cena a nossa frente e a boca levemente aberta. Parecia mais com uma criança assistindo seu desenho favorito.
Em questão de segundos o corpo sem vida de Richard caiu no chão, causando um baque surdo pela sala bem decorada. Katarina virou-se lentamente para mim, deixando-me aprecia-la. Sua boca e pescoço repletos de sangue, com algumas gotas pingando sobre o tecido caro do vestido vermelho e escorrendo para o vale entre os s***s, com seus olhos ainda mais negros e brilhantes. Mas o que me chamou atenção foi o sorriso diabólico em seus lábios manchados de um vermelho escuro e vibrante.
- Eu estava com fome. – Ela murmurou com o sorriso em seus lábios, arrancando uma gargalhada de Théos e um suspiro e******o meu.
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