Capítulo seis - A primeira faísca de revolta!

2321 Words
Amélia termina seu turno e como de costume busca os filhos na escola. O caminho é repleto de risadas por causa do tombo que Owen levou enquanto corria para abraçar a mãe. Mesmo preocupada e o ajudando a se levantar, Amélia deu boas risadas com ele num abraço. – Chega de rir do seu irmão, Clara – Diz pegando a menina no colo com um sorriso no rosto. Ao passarem por um foodtruck de sorvete, Owen olha para a mãe pidão e Clarinha faz o mesmo. Amélia já entendo o recado muda o rumo e vira à direita indo em direção. – Ok. Vocês merecem um sorvete hoje. – Diz também morrendo de vontade e desesperada para sanar o valor imenso que sente por conta de sua blusa. Ela queria chegar em casa logo e se livrar da roupa, mas faz esse pequeno sacrifício. Owen pede sua cestinha com três bolas. Uma de flocos, outra de morango e a última de chocolate. Tudo isso com cobertura de chocolate e paçoca. Ele sempre pede o mesmo sabor. Sempre. Clarinha só gosta do de morango com cobertura de morango e com granulados rosas. Só por conta da cor. Ela nunca provou nenhum outro sabor, pois acha as cores feias. Mesmo gostando muito de amarelo e podendo provar o de abacaxi, mas ela se recusa. Só gosta do rosa. Amélia senta na mesinha do parque com os dois e saboreia seu sorvete de chocolate meio amargo. Depois o de chocomenta e o pedacinho de céu. Por ser azul e rosa, ela tenta fazer a filha provar, mas Clarinha apenas diz não com a cabeça e diz ser um sorvete feio. – Poxa. Eu nunca consigo fazer você comer outro sabor. – É feio – Amélia cai na risada com Owen e beija a filha. Aproveitando o vento fresco e a sombra, ela fica aliviada por se sentir fresca. Ah, estava quase passando m*l. Ela olha ao redor e quase se engasga quando nota o Xerife Joshua observando sua família de longe. Joe acaba de sair do carro, fechar a porta e ajeitar a calça. Joshua fica em pé, postura reta, peito inflado, mãos no cinto, pernas separadas e olhar fixo em Amélia. Joe parece falar algo com ele o que o faz olha-lo. Owen olha em direção aonde os olhos da mãe ficaram fixos e logo ele acena de volta para o Joe. – Quem é aquele homem com o Xerife Joe, mãe? – É o novo Xerife. Ele vai cobrir o Joe por um tempo até ele se recuperar da cirurgia do joelho dele. – Ahhhh. Que legal. Ele é fortão. Parece um daqueles caras do FBI. Parece um super herói. – Amélia dá risada. – É meu amor. Ele parece mesmo. – Fala olhando para o homem. Ela trata de terminar o sorvete junto com os filhos e decide ir para casa, mas seus filhos insistem em brincar um pouco mais ali. Ela como uma boa mãe e bem babona por eles cede um pouco e se senta num banco ficando de costas para os Js. Mesmo confusa e sem saber o porquê de estar tão atraída por um homem que nem conhece. Ela olha para trás sutilmente. Xerife Joshua não está mais encarando-a, mas agora conversa com uma mulher também vestida com a farda. Ela tem um cinturão e usa coturnos. Seus cabelos pretos estão presos num coque impecável. Ela tem um corpo bem massudo e de dar inveja em qualquer um. Amélia pensa em como ela é bonita e logo imagina que Joshua deva pensar isso também. Sem graça, ela olha para os filhos brincando no lago e se certifica de que estão bem. Depois de 10 minutos. Ela os chama para ir rumo a casa. Ela tem muitos afazeres e precisa preparar o jantar. Jason a mataria se mais uma vez não encontrasse comida pronta. Ao chegar em casa ela tem uma surpresa. O carro dele está estacionado em frente à casa. Amélia sente um medo imenso e um frio na espinha. Merda. Ao entrar em casa se depara com ele assistindo TV e tomando uma cerveja. Ela pede pra os filhos irem tomar banho e se prepara para levar uma possível bronca. Ela não fez comida fresca para o almoço e ele sempre implica com isso. Fora que ele sempre briga quando ela não está em casa e não avisa. Ela não avisou. Só foi ao parque tomar um sorvete e não sabia que ele voltaria cedo do trabalho. Ela fica de cabeça baixa e observa Jason levantar do sofá. Amélia sente o medo correr por toda sua espinha e abraça o próprio corpo ficando aflita. Ela já sabe que seu marido vai brigar com ela. – Posso saber aonde você estava? – Jason emite sua voz áspera e nada boa de se ouvir. Mesmo sabendo que não fez nada de errado. A não ser estar se culpando por não ter chegado cedo em casa, ela sente medo e gagueja ao responder. – Eu... No parque com as crianças... Eu... Amélia fica péssima consigo mesma sem razão. Ela pensa que deveria ter imaginado que ele chegaria cedo e deveria ter vindo direto para a casa. MAS COMO PODERIA? ELA NÃO É ADIVINHA! – Estava lá mesmo? – Pergunta colocando a esposa contra parede para vê-la ficar amedrontada. Ele gosta de apavorar Amélia. Gosta de sentir o cheiro de seu medo e gosta quando ela fica com receio dele. Ele se sente no comando. Se sente poderoso demais por saber que ela o respeita dessa forma. Bobo. Amélia não o respeita. Apenas tem pavor dele e faz de tudo para não apanhar. Como, infelizmente, pensa que o relacionamento deles é normal e certo como qualquer outro, ela não revida e não percebe o quão r**m é o homem que dorme ao lado dela. – Jason. Por Deus. Eu estava. Ele pega em seus braços depois de colocar a cerveja na mesa de centro e a segura firme. Amélia geme de dor quando ele a aperta desnecessariamente, ainda mais quando ele sabe que ela estava lá e tem certeza, pois passara mais cedo no caminho vindo para a casa e vira os filhos tomando sorvete. Qualquer outro marido teria parado o carro, se aproximado da família, beijado carinhosamente a esposa, tomado um sorvete e levado a família em segurança para a casa. Teria feito a obrigação de levar todos em segurança e de carro para a casa. Mas ele não. Não move um músculo pela mulher que tem e nunca a leva para nenhum lugar. Mesmo quando a situação permite. Mesmo quando é conveniente. Ele afrouxa os dedos, acaricia onde apertou, beija a testa macia de Amélia e devagar senta na poltrona pegando o celular e começando a mexer. – Se apressa. Eu estou com fome. Em silêncio Amélia se retira da sala, mas antes que pudesse passar pelo corredor, ele a chama mais uma vez. – E Amélia. – Ele encara seus olhos grandes e belos pensando que realmente são encantadores. Pois são. – Se me trair, eu mato você. – Desvia o olhar para a TV e ela engole seco antes de se retirar com um nó na garganta. Apesar de já estar acostumada com as ameaças, ela se sente incomodada. Ela retira seu corpo magro da sala e vai até o banheiro conferir se os filhos já estavam no banho. Respira fundo e torce para que eles não tenham ouvido a ameaça. Ela encontra Owen usando o banheiro e Clarinha sentada no chão com a mãozinha no nariz rindo dos gases que Owen solta. Ela sorri com a cena e se aproxima pegando Clarinha no colo. – O que os dois estão aprontando? – Coloca sua bebê em cima da pia e tira sua roupa do uniforme. – O cocô do Owen é muito fedido, mãe. – Ahh... – Amélia solta uma gargalhada junto com o filho e a pega no colo levando-a para dentro do box – E você ainda fica aqui dentro cheirando? Que grude com seu irmão, menina. – Seu cocozinho também é fedido e eu tenho que te ajudar a limpar as vezes. – Ela ainda não sabe limpar o bumbum dela, Owen. Não totalmente. Limpa, mas não o suficiente. – Sei sim. – Protesta enquanto Amélia abre o registro do chuveiro e se certifica de que a água está bem quentinha. – Eu sei que sabe, meu amor – Beija sua atesta e tira o amarrador de seu cabelo. – Molha o cabelo, tá? Owen vai te ajudar a lavar. Ela entrega o sabão para a filha e logo fecha o box. Beija a testa do filho e sorri. – Ajuda essa menininha a tomar banho, Owen. Vou fazer o almoço antes que eu morra sufocada. Clarinha tem razão. Seu cocô está muito fedido. – Clara dá risada junto com a mãe e Owen solta um pum bem forçado. – Ah, Owen! Amélia sai do banheiro e vai até a cozinha preparar o almoço. Ela agradece por não ter roupa o suficiente para pôr na máquina e também já ter passado todas. Não precisa cuidar disso hoje. Mas mesmo assim, seu segundo expediente a deixa bem cansada como todos os dias. Ela já está acostumada, então não sente tantas dores como deveria sentir com tanto esforço e árduo trabalho. Enquanto faz o molho branco de seu macarrão engrossar, ela passa a lembrar do pequeno bom momento que teve com os filhos no parque. Logo depois, a figura que começa a atrair sua atenção toma conta de seus pensamentos. Fazia tempo que não via homem tão bonito na cidade. Já não acha Jason tão bonito como quando o conhecera e Joshua está dando o que falar. Amélia move a colher de madeira em momentos circulares lentos e com muito dom. É apenas um molho, mas a forma como suas mãos o ajuda a incorporar os temperos é de outro mundo. Concentrada no movimento hipnotizante da colher, ela deixa sua mente vagar em toda a estatura do homem mais bonito da cidade. Ela se lembra de seus olhos castanhos penetrantes observando-a hoje mais cedo. Também lembra da primeira vez que o viu e sorri boba mesmo saem saber o porquê. Depois de ter ficado sem ar e paralizada diante de quase 2 metros de pura testosterona e intensidade ela saiu correndo. Ah, ele deve ter me achado uma m*l educada. Isso sim! Não faço ideia do porquê eu fiquei tão... Tão... Chocada ao vê-lo. É um homem bonito. Muito bonito na realidade. Podia ser um modelo e não Xerife. Ah, com certeza deve gostar da mulher que estava com ele hoje mais cedo. Linda. Ela tem um corpo de dar inveja. Magra. b***a enorme, s***s grandes também e muito... Muito poderosa. Só de olhar já posso sentir que ela deve colocar medo em qualquer um. Deixando seus pensamentos de lado e pensando no quanto Joshua deve gostar de sua parceira ela desliga o forno e despeja o molho na travessa de macarrão. Coloca alguns pedaços de queijo e logo deixa no forno gratinando. Mesmo não olhando, ouvindo ou sentindo seu cheiro, ela sabe que Jason a espia no batente. Ela sente assim que fecha a porta do forno. Jason coloca bruscamente a cerveja em cima da mesa fazendo muito barulho o que a faz levar um susto a ponto de contrair todo seu corpo rapidamente. Ela sente um frio na espinha e se vira no mesmo momento. – O que foi Jason? – Pergunta encostada na pia e o mais longe o possível dele. – Estou com fome. Estou ficando com raiva. Já está pronto? – De forma ríspida ele responde e se senta à mesa. Mesmo sabendo que não está pronto. Ela diz que sim. Não quer faze-lo esperar mais e também não quer deixá-lo mais irritado. Ela ia pedir para que ele fosse chamar as crianças, mas sabe que ele se zangaria ainda mais por ter que fazer algo que é obrigação dela. Assim, ela pensa. Também, pedir qualquer favor para ele é o mesmo que pedir a MORTE. Jason é extremamente preguiçoso e encostado. Com os dedos trêmulos, ela pega o prato e põe a mesa. Ao sentir o olhar ríspido de seu marido, ela fica sem jeito e se sente desastrada. Na maioria das vezes, Amélia se sente sem jeito, sonsa, inútil e estabanada quando Jason está por perto. Ela sente que não faz nada direito e toma o máximo de cuidado para não fazer merda, pois sabe que se fizer, vai levar uma bronca e se ele se zangar muito ganha novos hematomas. Que vida que essa mulher vive.. Amélia decide pegar o prato dele e colocar sua comida. Ela tira o macarrão do forno e agradece pelo queijo ter derretido rápido. Põe uma boa quantidade em seu prato e o entrega. – Aqui, está. Vou chamar as crianças. – Diz de cabeça baixa e sem olhar em seus olhos por puro medo. – Antes me dá o garfo, né, Amélia. Quer que eu coma como? Com a mão, p***a? – Amélia entrega o garfo com vontade de finca-lo em sua garganta. Ela odeia palavrões. Não gosta. Ainda mais quando são dirigidos a ela. Com o choro batendo e esmurrando a porta, ela tranca a fechadura, respira fundo e se retira da cozinha indo chamar os filhos. Ela se recusa a comer sozinha com ele. Amélia não gosta de ficar sozinha com Jason e está começando a assumir para si mesma depois de anos de casada. “Casada” para ela. Pois o que ela vive não é casamento. É mais uma prisão. É desumano viver assim. O que a dá forças, são suas crianças. As únicas pessoas que ela ama nesse mundo todo. Ah, e sua mãe. Isso quando ela não é cegada e convencida pelas lorotas de Jason sobre como ela não tem sido uma boa esposa.
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