Capítulo cinco - O primeiro contato

2640 Words
– Ele é um gostosão. Minha nossa. Uma pena você não ter ficado aqui para conhecê-lo. Nossa, Amélia. Eu estou apaixonada. E a voz? O cabelo? A barba? Não... Mais que isso. Vou o tamanho daquele homem? Alto. Gostoso. Forte. Peito de gladiador e... Aiiiii. – Geme de dor ao ter a orelha puxada por Tom. Lucia para de tagarelar sobre o novo bonitão da cidade e olha para Tom com raiva. – Pode parar de falar nele. Você não vai sair com o cara. Nem que ele te peça. Ele está aqui para cobrir o Xerife Joe. Não para azarar o mulheril – Tom põe as mãos na cintura e cruza os braços em seguida. – Poxa, tio. Não posso nem gostar de ninguém – Lúcia diz arrumando as bandejas para os seus colegas garçons. Amélia observa os dois como se fossem parte de seu programa favorito na TV. Ao ver o movimento, Amélia se apressa com as bebidas quentes colocando-as nas bandejas junto com Lúcia. – Pode, mas não ficar babando pelo Xerife Joshua. Joshua... É a primeira vez que Amélia ouve o nome dele. Ela estremece ao prestar atenção neste nome, mas logo volta a concentração ao trabalho. É só um nome apesar de ela ter ficado curiosa para saber. E ela só percebe o quanto isso lhe interessa agora, mas não entende o porquê de isso lhe interessar. Não deveria, ela é casada e não pode ficar interessada por um cara bonitão. Depois de servir as mesas e ver Tom dispersar pelo bar, ela resolve limpar o balcão. Arruma tudo em seu devido lugar e passa um pano com álcool em cima da bancada suja feita de pedra. O sino toca avisando de que tem freguês novo e ela se prepara para atendê-lo. Quando olha no relógio, vê que já são 11h57. Já está na hora do almoço e ela tem que se apressar. Ela está suando com a blusa de frio de manga comprida, mas não pode fazer nada. Seus pulsos estão amarelos, roxos e rosa por conta dos dedos de Jason. Ela não pode mostrar a ninguém. Amélia nunca põe roupas mais curtas. Principalmente blusas. Sempre de manguinhas. Ela sempre tem um hematoma a esconder e apesar de já ter se acostumado com isso, ela sente muito calor e incômodo as vezes. Já teve dias em que precisou ir ao banheiro e se desfazer da blusa por 5 minutos até recuperar o fôlego. Estava quase desmaiando. De costas para o balcão, pegando seu bloquinho e caneta ela ouve a voz do Xerife Joe, ele conversa com alguém no salão. Com um sorriso enorme no rosto, vira-se na hora para cumprimentá-lo, mas a muralha lhe causa um impacto tão grande que ela sente um enorme frio na espinha e trava no mesmo lugar. Amélia se sente incrivelmente desajeitada perto de Joshua. Ela não sabe o que é, mas desconfia que a beleza dele cause esse impacto. Os dois sorriem acenando para Josef, o dono da peixaria da cidade, e logo se aproximam do bar. Joe estende as mãos para a Amélia que as pega com seus dedos finos. – Ô, minha querida. Como está? – Ele passa os olhos por ela e nota sua blusa de manga longa. Joe, na verdade, desconfia não desconfiando de que as roupas sempre recatadas são para esconder algo. Ele acha que ela apenas não gosta de se mostrar, mas que as vezes, em dias de calor como este, é muito estranho ela vestir roupas de manga cumprida – Não está com calor, Amélia? Está um sol tão forte. Aqui está fresco, mas você deve estar morrendo de calor. – Não, Joe. Não estou. Estou bem. Muito obrigada por perguntar. – Responde vermelha de nervosismo e timidez. Seus olhos desviam de Joe e logo se cruzam os olhos pequenos de Joshua. Olhos que não pararam de contemplar seus traços femininos desde o momento em que lhe acharam, mas de forma sutil e sem deixar que ninguém perceba. Ela desvia o olhar para baixo e ajeita o avental no corpo. – Oh, Amélia. Esse é o Xerife Joshua. Grande homem – Diz dando tapinhas em suas costas cheio de orgulho da muralha. – Ele vai me cobrir durante o tempo em que eu tiver que me ausentar. – Joe senta no banco alto e Joshua faz o mesmo. – Joshua. Amélia. De quem falamos ontem. A mulher mais bondosa e bonita da cidade toda. – Amélia sorri tímida para Joe e entende a pequena mão ao homem. – Não sou tudo isso, Xerife. – Diz, mas Joshua discorda em sua cabeça. Com certeza é a mulher mais bonita que vi nessa cidade até agora. E duvido que haja criatura mais atraente que essa. – É um prazer te conhecer, Amélia. – A voz dele penetra todo seu corpo e depois ele estende a mão gigantesca em direção a ela ansioso para toca-la. Nem Joe e nem ninguém percebe o que rola. Nem eles mesmos percebem o que rola. Ela fica embriagada com dois detalhes. A voz extremamente grossa e grave que Joshua tem. A voz gostosa e levemente trêmula. Na medida certa. Uma voz firme, presente e inconfundível. E também, se embriaga mais uma vez com o tamanho dele. Com a presença que ele marca no local. Ambos notam como suas dimensões são muito diferentes. E estranhamente isso atrai os dois, mas por hora, nenhum dos dois percebe isso um no outro. Amélia hesita, mas toca em sua pele. Suas mãos tem leves calos, um ou dois, mas são macias. Ela nunca vira um homem com mãos macias. Jason trabalha na madeireira da cidade, então suas mãos são bem ásperas e desidratadas, ela está acostumada com isso. Casca dura como uma pedra. A mão dele está fria, o que é bom, pois ela está morta de calor. E apenas esse simples aperto foi capaz refresca-la, mas a sensação de calor que ele lhe causa desfaz os segundos de refresco. Joshua nota seus dedos finos e bonitos. Unhas bem feitas pintadas em vinho chamam a atenção dele. Ele gosta dessa cor. A mão dela é macia como uma nuvem e bem delicada. Um aperto mais forte e ele pensa que pode até quebrar-lhe os ossos. Tem que ser cuidadoso. Ele adorou. – O prazer é meu, Xerife. – Responde soltando sua mão dolorosamente. Ela estranha a sensação e não entende o porquê. Mas mesmo assim, respira fundo e tenta se distrair. – Vieram almoçar? – Pergunta pegando o bloquinho. – Ah, sim. Por favor. Mas eu já disse que ele precisa mesmo é tomar café da manhã aqui – Joe dá uns tapinhas nas costas de Joshua sorrindo. – Você quem faz os bolos maravilhosos? Joe não para de falar deles. – Joshua pergunta e ela se treme todinha com ele encarando-a desse jeito. A beleza inefável nocauteou Amélia totalmente. E Amélia fez o mesmo com ele. – Bom, eu faço bolos. Se são maravilhosos eu não sei. Acho que não. Mas são gostosos. Eu acho. – Sua insegurança fala mais alto que ela como sempre. – Ela faz os melhores bolos da cidade, Joshua. – Xerife Joe comenta – Devia era abrir uma confeitaria. – Tom se aproxima por trás dos dois e põe a mão no ombro de ambos. – Você e a cidade toda acham isso. – Tom diz encarando Amélia e levantando a sobrancelha. – Parem. Vocês dois. – Diz sorrindo – O que vão querer? – Eu quero o Strogonoff de carne com fritas. E uma coca cola. – Joe pede sem olhar o cardápio. Amélia anota e pousa os olhões em Joshua que não consegue parar de encara-la. Afim de interagir com ela, ao invés de escolher ele deixa que ela faça isso por ele. – O que você sugere? – Amélia levanta as sobrancelhas surpresa e arregala os olhos – O que sugere que eu coma? Me indique alguma coisa para eu conhecer o bar do Tom. – Amélia sorri tímida. – Indique com sabedoria, Amélia. Temos que impressionar o novo Xerife. – Ammm, eu... Eu acho que... A lasanha. – Diz em meio do nervosismo. Ela mesma fez a lasanha e sinceramente nem sabe se está tão boa assim. Tom dá risada de alegria com a escolha e Joshua sorri de canto encarando seu rosto lindo. – Boa, mulher. Boa. – Tom comemora. – Então é a lasanha. Com uma coca também. Por favor, Amélia. – Ele decide. Amélia não sabe. Mas lasanha é o prato favorito dele. Joshua ama lasanha mais que tudo e comeria uma travessa todinha brincando, como já fez. Ela prepara o balcão para os dois, já que é onde eles preferem almoçar e liga a TV no noticiário. Assim que serve o prato de ela ambos nota suas mãos tremerem. Principalmente quando serve a lasanha de Joshua. Se soubesse que está servindo o que ele mais gosta no mundo ela estaria mil vezes mais nervosa e jamais ousaria propor sua lasanha a ele. Joshua cheira a fumaça assim que o prato pousa em sua frente e sorri de satisfação. Ah, o cheiro está divino. A cara também está ótima. Ela caprichou no pedaço. Amélia disse para si mesma que capricha assim sempre, mas ela sabe que montou o prato dele com muito mais cuidado do que com qualquer outro. Amélia tenta se distrair montando outras bandejas e servindo no salão, mas fica de olho na reação dele ao provar o primeiro pedaço. Joshua fecha os olhos, geme de prazer e coloca outro pedaço na boca sem ao mesmo ter engolido o outro. Amélia sorri de longe ao se dar conta de ele gostou e fica toda orgulhosa de si. Toda boba. Ela fica animada durante seu fim de expediente e também hipnotizada olhando o homem comer. As costas largas, pescoço grosso, mandíbula marcada que a cada movimento que faz mastigando fica mais sexy ainda. Puta merda. Eu estou ficando doida mesmo. Estou achando sexy o jeito que ele come. O jeito que a mandíbula dele fica. É marcada e faz um movimento bonito. Ah, que isso? Eu devo estar doida mesmo. Mas ele gostou da minha lasanha. Ele come com tanto prazer que eu tenho vontade de fazer uma travessa todinha só pra ele. Eu podia vê-lo comer 10 travessas e não me cansaria nunca. Ah, ele é lindo. E cheiroso. Muito cheiroso. Toda vez que passo atrás dele, olho para suas largas costas e sinto seu perfume gostoso. Ah, eu tenho que parar com isso. Não posso ficar me assanhando para o xerife. Ainda bem que ele não percebeu que eu o achei bonito. Ele teria pena de mim. Tanta mulher mais jovem que deve acha-lo bonito. Passo as mãos no rosto ao colocar as bandejas cheias de loucas sujas na pia para Lúcia lavar e volto ao salão. Assim que passo pela porta vai e vem os olhos dele se encontram com o meu. Mesmo estando conversando com Joe, ele me olha de longe e depois desvia o olhar. Vejo que eles já terminaram e pego uma bandeja para recolher as louças. Sinto um frio na barriga mais uma vez ao inalar seu perfume. – Almoçaram bem? – Pergunto olhando para o Joe, mas quero mesmo saber é se o Xerife Joshua está satisfeito. – Esse Strogonoff estava ótimo, mas não foi você quem fez. Foi Lúcia. Eu já conheço a mão de vocês duas. – Como sabe que foi ela? – Pergunto dando risada já sabendo o motivo. – Um pouco apimentado. Mas muito gostoso. Muito mesmo. – Diz gargalhando com comigo. Olho para o Xerife Joshua com um certo medo, mas abaixo a cabeça e recolho suas loucas em silêncio. Abigail, dona da loja de flores envolve Xerife Joe numa conversa sobre sua cirurgia e presto atenção no meu trabalho, mesmo que seja difícil fazer isso quando tem alguém te encarando. – A lasanha estava excepcional. Uma das melhores que eu já comi. A da minha vozinha é a melhor. Mas essa aqui está em segundo lugar no meu ranking – Tremo junto com seu timbre e olho para ele – Você quem cozinhou? – Pergunta, põe os cotovelos no balcão e isso realça mais seu tamanho e seus braços. Assinto que sim com minha cabeça e sorrio fraco. – Lasanha é meu prato favorito, Amélia. Acertou em cheio. Obrigado. – Diz se levantando junto com Joe. Amélia fica parada no bar olhando os dois se despedirem e irem embora. Ela não tira os olhos das costas e da nuca atraente do Xerife Joshua um segundo se quer. Apenas quando ele some de sua vista e ela volta a respirar. Ela está suando por conta da blusa e das sensações que sente. Ela acha estranho tudo isso e não sabe identificar o que é. Faz anos que não sente atração por homem algum, então ela não sabe muito bem lidar com isso. Só sabe que treme todinha quando ele está perto e se sente sem jeito. Tem que prestar bem atenção no que faz, pois ela sente que pode ser desastrada com qualquer coisa. Ela fica sem graça quando ele a encara, então abaixa a cabeça como fez minutos atrás. E essa é apenas a segunda vez que ela o vê. – Amélia? Pode trazer a conta, filha? – Abigail pede carinhosamente para ela que acorda de seu transe e vai até sua mesa. – O novo Xerife é um pedação de carne, hein? Se eu fosse mais nova... Humm, não ia prestar – A senhora baixinha e bem rechonchuda diz. Sua pele preta brilha, seus lábios são cheios e pintados de vermelho, suas sobrancelhas bem feitas e suas unhas são sempre pintadas de vermelho vivo. Ela nunca tira essa cor. Suas roupas são sempre floridas. De todas as cores. Mas sempre floridas. E o cabelo curto e Black. Sempre com faixa, laços, tiaras, fitas e presilhas. E sempre tem algum penteado. Apesar de ser bem fofoqueira, ela é uma ótima mulher. Tem bom coração. Ela é viúva e ora ou outra aparece em um encontro com algum senhor. É engraçada até demais e todos gostam dela. Só não consegue segurar a língua. – Ah. Eu bem vi o jeito que ele te olhou. Devia era largar o Jason e fisgar esse homem. É sério. Eu faria isso se fosse você. – Amélia apenas da risada e mostra a maquininha para ela. Não é a primeira vez que Abigail sugere isso a ela. Já falou para largar o Jason e ficar com o novo carteiro, que já deixara a cidade há 5 anos, depois foi o novo "cuidador de cavalos" da fazenda do senhor Antônio. O rapaz era neto dele, não durou muito, foi pra cidade grande na primeira oportunidade que teve. Depois foi um turista que enguiçara o carro nas regiões e parou no bar para jantar antes de passar a noite na pousada de Josi e Marque. Sempre haverá um homem novo e Abigail sempre falará para Amélia largar Jason e ficar com o outro. Até Abigail reconhece que qualquer um é melhor que Jason. – Não fale besteira, Abigail. – Amélia mostra a língua para ela voltando para o bar. Bom, imagina só. Eu largando Jason para ficar o novo Xerife. Nunca. Que mundo doido. Não posso nem pensar. Sou casada. Jason me mata se souber que eu o achei bonito. Ah. E também o Xerife Joshua é da guarda. Ele parece ser bem rígido e bravo. Bem sério. Se ele se irritasse comigo e ficasse furioso, poderia me bater e usar a força. O braço dele é enorme eu não quero nem pensar no que ele seria capaz de fazer. Se Jason já me bate o Xerife me espancaria se eu o irritasse. Ah. Tenho que parar de pensar nisso.
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