Bônus Roco Esposito
Bianca Marino
Bianca — Aqui está, senhor. A sua bebida, o copo com gelo e os pedaços de limão separados, como pediu.
Falei enquanto servia o homem de meia-idade que, pela aliança em seu dedo, me dava a certeza de que era casado. Sua esposa provavelmente estava em casa cuidando dos filhos deles sozinha, enquanto ele estava ali pagando de garanhão e dando em cima de toda mulher que passava por ele.
Detesto esse tipo de homem. Sério.
Talvez seja por isso que nunca tive interesse em qualquer tipo de aproximação com o sexo oposto.
É claro que existem exceções. Minha amiga Crystal, por exemplo, teve sorte. Romeo Esposito é completamente apaixonado por ela. Na verdade, apaixonado é pouco. O cara é obcecado. Ele não tem olhos para nenhuma outra mulher além dela.
Mas, como ninguém é perfeito, com ele não seria diferente.
Romeo é um mafioso. E não qualquer mafioso. Ser o executor e futuro Dom da Cosa Nostra coloca ele em um patamar muito acima dos demais.
Acho que o único que chega ao seu nível é o irmão dele, Roco Esposito.
O maluco que invadia o meu quarto e ficava me observando dormir.
O cara que roubou meu primeiro beijo... isso enquanto eu fingia estar dormindo.
Não sei por que, toda vez que penso nele, meu coração dispara.
Sinceramente, não entendo essa reação ridícula do meu corpo.
Tudo bem, eu admito.
Ele é bonito.
Muito bonito.
Sempre via as outras empregadas suspirando por ele pela mansão.
Homem — E o seu número de telefone? Se eu pedir, vai me dar também?
A voz em tom de flerte do homem, que tinha idade para ser meu pai, me tirou dos meus devaneios.
Bianca — O senhor precisa de mais alguma coisa?
Perguntei, fingindo não ter escutado o que ele havia dito.
Homem — Do seu telefone.
Insistiu, e eu lutei para controlar o revirar dos meus olhos.
Bianca — Se não precisa de mais nada, vou atender as outras mesas. Com licença.
Disse e me virei para sair dali antes que perdesse a paciência.
Homem — Essa daí é difícil.
Ouvi o amigo dele, que estava sentado na mesma mesa, abraçado a duas mulheres, comentar.
Homem — Todas elas são assim... até saberem o tamanho da minha conta bancária.
O i****a respondeu.
Fingi não ouvir e continuei meu trabalho até que ele me chamou novamente.
Bianca — Pois não, senhor. Quer outra bebida?
Perguntei de forma educada.
Homem — Quero outro whisky e o seu número.
Bianca — Vou buscar o seu whisky.
Falei, ignorando mais uma vez a parte do flerte ridículo.
Com a rapidez de quem ainda tinha muitas mesas para atender, fui até o balcão e pedi a bebida ao barman.
Logo estava de volta, colocando o copo sobre a mesa.
Bianca — É só isso, senhor?
Homem — Não vai me passar mesmo o seu número?
Bianca — Se não precisa de mais nada, vou atender os outros clientes que estão esperando.
Virei-me para sair dali, já cansada daquela insistência.
Foi quando senti o tapa estridente em minha b***a.
Homem — Qual é, gata? Não precisa ficar se fazendo de difícil. Eu sei que você quer.
Ele falou depois de bater em mim, agindo com total desrespeito.
Alguma coisa dentro de mim simplesmente se rompeu. Antes que eu percebesse, já estava segurando o copo.
Quebrei-o na cabeça do i*****l.
O homem caiu da cadeira onde estava sentado, enquanto o sangue começava a escorrer por sua testa.
E foi naquele momento que percebi o que tinha feito.
Bianca — Droga... estou ferrada.
Um grupo de curiosos começou a se aproximar, enquanto o amigo dele se abaixava para tentar socorrê-lo.
Mirna — Pegue suas coisas e suma daqui antes que esse i****a se recupere. Ele vai querer denunciar você por agressão.
Mirna, a gerente do bar, parou ao meu lado.
Ela sempre foi boa comigo e, naquele momento, percebi que, apesar de eu ter acabado de perder meu emprego, ela estava tentando me ajudar.
Eu poderia encontrar outro trabalho, mas não teria dinheiro para pagar um advogado. E aquele homem tinha dinheiro suficiente para acabar comigo.
Bianca — Obrigada.
Falei baixo e saí dali apressada.
Passei pela área dos funcionários, peguei minhas coisas e deixei o bar o mais rápido que pude.
Mas, aparentemente, não fui rápida o bastante.
Dez minutos depois, percebi que estava sendo seguida por um carro cinza que logo parou ao meu lado.
E adivinha só quem saiu de dentro dele?
O homem em cuja cabeça eu havia quebrado um copo.
O sangue ainda escorria por seu rosto e sua expressão era de uma raiva crua que me fez entrar em pânico.
Do lado do passageiro saiu o amigo dele, com um sorriso sádico nos lábios ressecados.
Os dois pareciam embriagados, e aquela combinação de álcool e raiva não era nada boa.
Tentei correr, mas eles foram mais rápidos.
Cada um segurou um dos meus braços.
Homem — Onde pensa que vai, gatinha arisca? Não achou que quebraria um copo na minha cabeça e as coisas ficariam por isso mesmo, não é?
Bianca — Me solta! Você me assediou! Eu só me defendi!
Gritei, apavorada.
Homem — E agora vai pagar pelas consequências.
Falou enquanto começava a me arrastar para dentro do carro com a ajuda do amigo.
Eu sabia que não tinha forças para lutar contra um homem, imagine contra dois.
Tudo o que eu podia fazer era implorar a alguma força divina que me salvasse do destino c***l que me esperava.
Foi quando ouvi o som de um tiro.
Logo em seguida, o amigo do meu assediador caiu ao meu lado.
Naquele instante, soube que minhas orações, fosse para quem fosse, tinham sido atendidas.
Assustado, o outro i****a soltou meu braço imediatamente, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo e de onde havia vindo aquele tiro.
E eu...
Bem, eu corri.
Corri o mais rápido que pude.
Não fiquei para ver o que estava acontecendo, mas ainda ouvi um segundo tiro quando dobrei a esquina.
Só parei de correr quando cheguei em casa.
Entrei e tranquei a porta antes de me jogar no sofá velho, tentando recuperar o fôlego.
Meu coração parecia que ia sair pela boca.
Nem sei por quantos minutos fiquei ali até conseguir me acalmar.
Foi então que a realidade caiu sobre mim.
Eu havia perdido o emprego que colocava comida na minha mesa e pagava pelo meu curso técnico em enfermagem durante o dia.
E, como se isso não bastasse, ainda tinha me tornado testemunha de dois possíveis assassinatos.
O que eu faria agora?
E se o assassino tivesse me visto?
E se ele tivesse me seguido até aqui?
Bianca — Calma... não surta. Estava escuro. m*l dava para enxergar alguma coisa naquela rua. O assassino não deve ter me visto.
Falei sozinha depois de respirar fundo.
Então me levantei e fui tomar um banho.
Eu estava cansada, suada e meus braços doíam nos lugares onde eles haviam me segurado.
No meio da adrenalina, nem percebi quanta força tinham usado. Só agora, com o sangue esfriando, as dores começavam a aparecer.
Fui até o banheiro e tomei um banho gelado.
Não por opção, mas porque precisava economizar energia. A conta de luz já vinha alta e, se antes eu contava os centavos, agora, desempregada, teria que economizar ainda mais.
Saí do banheiro enrolada em uma toalha fina e já desgastada. Meu queixo tremia de frio.
Eu atravessava a sala quando algo...
Ou melhor...
Alguém me fez parar.
Ali, de pé, ao lado do meu velho sofá, estava Roco Esposito.