Roco Esposito
Eu já estava seguindo Bianca há alguns dias.
Nesse tempo, já tinha arrebentado a cara de uma porção de desgraçados que tentaram, sem sucesso, se aproximar dela.
Aparentemente, a ragazza não fazia ideia do quanto era linda e do quanto atraía os olhares masculinos para si.
Ela quase acabou com o meu autocontrole quando decidiu trabalhar naquele bar i****a.
Eu não entendia qual era a dificuldade em aceitar o convite que Crystal, sua amiga e esposa do meu irmão, havia feito para que ela morasse na mansão Esposito.
Ela também poderia ter ido para a nova casa de Romeo, já que meu irmão havia se mudado para lá com Crystal.
Mas Bianca preferia viver no limite da exaustão, se matando de trabalhar todas as noites naquele lugar imundo, e nem sequer descansava durante o dia, porque passava a maior parte do tempo no tal curso técnico de enfermagem.
Ela é esforçada, isso eu tenho que admitir.
Mas minha mulher não precisava de nada disso.
Não quando tinha a mim.
Não que ela soubesse disso.
Bem... a partir desta noite, ela saberia.
Ter aqueles dois merdas atacando-a foi a gota d'água para mim.
Eu vi o i****a assediando-a no bar.
Ele já estava condenado à morte antes mesmo de tomar a péssima decisão de seguir Bianca com aquele i*****l do amigo.
A atitude dele apenas fez minha raiva aumentar, até o ponto em que o matei junto com o outro no meio da rua, sem me importar com possíveis testemunhas.
Depois que atirei neles, liguei para Vito, meu amigo de infância e chefe da segurança da minha equipe, e pedi que fizesse a limpeza do local, desaparecendo com os corpos.
Só então fui atrás da minha futura esposa.
Bianca havia fugido assim que aquele desgraçado a soltou, assustado com o tiro.
Garota esperta.
Quando cheguei ao muquifo que ela chamava de casa, a porta estava trancada.
Não que isso fosse um problema para mim.
Eu poderia arrombar uma fechadura de olhos fechados, principalmente uma fechadura vagabunda e barata como aquela.
Observei a pequena sala, que quase não tinha móveis.
Tudo era muito simples, mas extremamente limpo.
Não vi nenhum sinal de Bianca ali, mas ouvi o barulho do chuveiro ligado em algum lugar da pequena casa.
Então fiquei esperando.
Não demorou muito, e minha bela apareceu enrolada em uma toalha que, com certeza, já havia tido dias melhores.
O que, para mim, era ótimo, pois me dava uma visão privilegiada do seu corpo.
Assim que me viu, Bianca não conseguiu conter um gritinho de susto.
O que era perfeitamente compreensível, já que ela definitivamente não esperava me encontrar ali.
Bianca — S... Senhor Esposito, como entrou aqui? A Crystal está bem? E... o bebê?
Fez uma pergunta atrás da outra, provavelmente tentando encontrar uma explicação plausível para a minha presença.
Roco — Respondendo à sua primeira pergunta, entrei pela porta. A sua fechadura não é nada segura.
Dei uma pausa antes de continuar.
Roco — E, respondendo às perguntas sobre Crystal e meu sobrinho, os dois estão muito bem. Crystal está grávida, mas não é por causa deles que estou aqui.
Bianca — Ah... não?
Indagou nervosa.
Dei um passo em sua direção, e ela imediatamente deu outro para trás.
Roco — Não.
Confirmei, me divertindo com a reação que eu causava nela.
Bianca — E por que veio então?
Roco — Tem certeza de que não sabe a resposta?
Questionei.
Bianca — Não.
Roco — Vai fingir que não sabe que vim por você? Assim como fingia que estava dormindo quando eu ia até o seu quarto?
As bochechas dela ficaram vermelhas no mesmo instante, e percebi como segurou a toalha com mais força.
Roco — Eu cansei de esperar. Vim te buscar.
Bianca — Me... me buscar?
Roco — Sim. Você vai se casar comigo. Será a minha moglie.
Uma risada estridente escapou dos lábios em formato de coração que eu tanto desejava beijar.
Eu a encarei sério, esperando que entendesse que não estava brincando.
Bianca — Espera... isso não é uma brincadeira?
Neguei com a cabeça e vi o pânico se instalar em seu rosto bonito.
Bianca — Não vou me casar com você. Ficou maluco?
Roco — Ah, vai sim. Acabei de matar dois homens por sua causa. Você me deve isso.
Bianca — Foi você?
Perguntou, incrédula.
Roco — É claro que fui. Quem mais poderia ser?
Bianca — Co... como sabia que eu estava ali?
Roco — Eu estava te seguindo. Na verdade, estou fazendo isso desde que sua teimosia não deixou você aceitar o convite da minha cunhada para morar com ela e Romeo.
Confessei sem nenhum pudor.
Bianca — Você é louco!
Roco — É, eu sei.
Um sorriso surgiu no meu rosto.
Roco — Agora vá se trocar para irmos embora daqui. Alguém pode ter testemunhado o assassinato daqueles dois vermes que matei por sua causa.
Fiz questão de enfatizar que matei aqueles idiotas por causa dela, apenas para fazê-la ceder mais rápido.
Bianca — Não vou a lugar nenhum com você!
A teimosa respondeu.
Roco — Sabe que, a essa altura, a polícia já deve estar a caminho daqui, não sabe?
Bianca — Pois que venham. Eu não fiz nada.
Roco — Não? Bela mia, você não é apenas a testemunha. Você é a minha cúmplice.
Bianca — Eu não vou a...
Não consegui terminar de ouvir.
Minha paciência chegou ao fim.
Peguei-a e coloquei-a sobre o meu ombro.
Bianca — Ahhh! O que está fazendo? Me coloca no chão!
Gritou enquanto eu a carregava.
Fingi não ouvir e caminhei para fora, ignorando os socos que ela dava em minhas costas.
Atravessei a areia da praia até chegar ao asfalto e alcançar meu carro, que havia deixado estacionado ali.
Abri a porta, coloquei Bianca dentro e prendi o cinto de segurança antes de trancar a porta do passageiro.
Dei a volta, entrei no lado do motorista e, depois de colocar meu próprio cinto, comecei a dirigir, fingindo não notar a garota furiosa ao meu lado.
Bianca — O nome disso é sequestro, sabia? Você não pode me obrigar a ficar na sua casa.
Roco — Chame do que quiser.
Continuei dirigindo.
Roco — E você não vai apenas ficar na minha casa. Vai ficar no meu quarto também.
Bianca — É... definitivamente você está louco!