Bianca Marino
Após uma viagem de pouco mais de uma hora, chegamos à Mansão Esposito.
Roco estacionou, saiu do carro, deu a volta até o meu lado e abriu a porta.
Tentei descer correndo, mas ele foi mais rápido: segurou-me pela cintura e me jogou sobre o ombro novamente.
Bianca — Vai me tratar como um saco de batatas agora?
Resmunguei.
Roco — Enquanto você insistir nessa ideia ridícula de fugir de mim, sim.
Bianca — Ideia ridícula? Você me sequestrou! Acha que eu devo apenas sorrir e ficar calada enquanto me priva da minha liberdade?
Roco — Na verdade, acho que sim.
Revirei os olhos, sem acreditar no quanto esse homem era insensato.
Bianca — Essa toalha é muito curta! Se não me colocar no chão, todos os soldados que passarem vão ver a minha b***a!
Falei quando percebi que nos aproximávamos de um grupo de homens armados.
Roco soltou um rosnado baixo e parou, mas não me pôs no chão.
Com a mão livre, tirou o próprio casaco e, com um movimento rápido, cobriu-me perfeitamente.
Bufei, frustrada.
Pensei que ele me deixaria no chão — ao menos assim eu teria um pouco de dignidade.
Ninguém disse nada quando passamos por ali. Ninguém seria louco de contrariar o poderoso Roco Esposito.
Era a primeira vez que entrava pela porta da frente daquela mansão.
Nunca imaginei que isso aconteceria, mesmo depois de me tornar amiga de Crystal, uma das poucas pessoas daquela família que realmente havia se aproximado de mim.
Ela já não morava mais ali desde que se casara com Romeo, o irmão de Roco.
Dei alguns socos nas costas dele, numa tentativa inútil de fazê-lo sentir alguma dor e me colocar no chão, mas desisti quando percebi que nem mesmo o fazia cócegas.
Roco atravessou a sala e começou a subir as escadas comigo, mas parou ao encontrar o pai descendo.
Uma ponta de esperança surgiu em mim.
O Dom da Cosa Nostra certamente colocaria algum juízo na cabeça do filho caçula.
Giovanni — O que está fazendo com essa bambina?
Perguntou, observando-me com atenção.
Roco — Eu a reivindiquei como minha. Vou me casar com ela.
Esperei por uma repreensão, qualquer reação...
Mas não foi o que aconteceu.
O Dom apenas me encarou por alguns segundos, como se estivesse analisando cada detalhe meu.
Giovanni — Não é a mesma garota que trabalhou aqui para pagar a dívida do pai e que vocês isentaram depois que ajudou a esposa do Romeo?
Roco — É ela mesma.
Giovanni — Mandarei preparar tudo. Casam-se em um mês.
Arregalei os olhos, atônita.
Mesmo sentindo medo daquele homem, não me contive.
Bianca — O senhor, por acaso, foi contaminado pela loucura do seu filho? Não vou me casar com ninguém!
O homem de cabelos grisalhos apenas riu.
Giovanni — Gosto dela, filho.
Disse, parecendo divertir-se às minhas custas.
Bianca — Eu não tenho nada. Sou apenas uma empregada! O senhor realmente vai permitir que seu filho se case comigo?
Tentei apelar ao bom senso.
Giovanni — Se ele a quer, não vejo problema. Já aprendi a lição com Romeo. Sei muito bem como os homens Esposito ficam obcecados pelas mulheres que escolhem.
Bianca — Mas eu não sou a mulher dele!
Gritei, revoltada com toda aquela loucura.
Roco — Ah, mas é sim.
Bianca — Não sou, não!
Giovanni — Vejo que arranjou uma ragazza de personalidade, filho. Essa aí vai te dar trabalho.
Roco — Pois é... e eu adorarei domá-la.
Bianca — O quê? Não sou um animal para ser domada!
O velho Dom soltou uma risada divertida, enquanto Roco ignorou minha indignação e voltou a subir.
Mas parou alguns degraus acima e virou-se para o pai.
Roco — O senhor vai aonde a essa hora?
Giovanni — Vou com o Romeo ao aeroporto receber o líder da máfia chinesa. O voo chega às quatro da manhã.
Roco — Deve ser muito importante para vocês irem recebê-lo pessoalmente.
Giovanni — Ming Wei é um velho amigo. Fazemos negócios há anos.
Roco — Entendi.
Giovanni — Ele é nosso principal fornecedor de armas. Vamos marcar um almoço, e quero que você esteja presente. A última vez que se viram, você tinha apenas dois anos.
Roco — Por isso não me lembro.
Os dois conversavam como se eu não estivesse ali, de cabeça para baixo, jogada sobre o ombro dele como um saco qualquer.
Bianca — Ei! Ainda estou aqui! Se não me colocar no chão agora, vou vomitar tudo o que tenho no estômago!
Falei, furiosa.
A verdade é que não havia quase nada lá dentro — só um ovo cozido, o último que tinha em casa.
Ainda não tinha recebido o salário do bar e já não tinha mais nenhum dinheiro.
Roco — Vou levar minha noiva dramática para o nosso quarto. Depois conversamos.
Bianca — Já disse que não sou sua noiva! E não sou dramática!
Mais uma vez, fui ignorada, e os dois continuaram a conversa.
Giovanni — Certo. Não se esqueça de supervisionar aquele carregamento. Chega ao porto por volta das nove.
Roco — Estarei lá.
O Dom seguiu seu caminho, e Roco voltou a subir, carregando-me como se eu não pesasse nada.
Só me pôs no chão quando chegamos ao seu quarto.
E, claro, assim que me soltou, corri para a porta.
Mas ele já a havia trancado.
Mesmo que não estivesse, eu não chegaria muito longe. Aquele exército de soldados lá fora jamais me deixaria fugir.
Era impossível escapar dali.
Roco — Sabe que não há saída, não sabe?
Falou enquanto tirava a camisa, revelando músculos cobertos por tatuagens.
O i****a é lindo, isso não posso negar.
As empregadas tinham razão em suspirar por ele...
Mas eu nunca fui de seguir o caminho mais fácil.
Desviei o olhar, tentando ignorar aquela visão tentadora.
Bianca — Vai me manter em cárcere privado, é isso?
Perguntei, olhando pela janela aberta para a noite lá fora.
Roco — Enquanto você insistir em fugir, sim.
Revoltada, voltei a olhar para ele, pronta para reclamar — e me arrependi no mesmo instante.
Roco agora só estava de cueca, andando calmamente pelo quarto.
Senti o rosto queimar e me virei de costas depressa.
O problema é que ele percebeu o meu movimento e riu.
Roco — O que foi? Nunca viu um homem de cueca?
Bianca — Não é da sua conta!
Respondi sem me virar.
Ouvi seus passos se aproximando devagar e fiquei toda tensa.
Roco — Pela sua reação, já sei a resposta, bela mia.
Sussurrou bem perto, roçando os lábios na pele do meu pescoço.
Juro que não queria sentir nada...
Mas minha pele se arrepiou, e um suspiro escapou dos meus lábios, alto o suficiente para ele ouvir.
Agora sim meu rosto queimou de verdade.
Ele deu uma risadinha, satisfeito com a minha reação.
Roco — Pode olhar o quanto quiser. Se preferir, posso tirar a cueca também — afinal, você é a minha mulher.
Bianca — Nem pense nisso!
Respondi mais rápido do que queria.
Bianca — E eu não sou a sua mulher.
Terminei de dizer e ouvi sua risada enquanto ele se afastava em direção ao banheiro.
Roco — Vou tomar um banho. Pegue uma camisa minha no closet e se vista. Amanhã providenciarei roupas para você.
Não respondi nada.
Esperei até ouvir a porta do banheiro fechar. Então, sem outra opção, fiz o que ele disse: fui até o closet e vesti uma camisa dele, que felizmente me chegava até os joelhos.
Voltei ao quarto e olhei para a cama — a mesma que tantas vezes arrumei quando vinha trabalhar ali.
Estava exausta, mas jamais dormiria na mesma cama que Roco Esposito.
Vi o sofá no canto e me deitei ali.
Não era grande, mas era bem mais macio do que a cama quebrada onde dormia em casa.
Adormeci rapidamente.
No meio do sono profundo, senti como se alguém me pegasse no colo.
Depois, o toque suave de um colchão macio e um corpo quente, com um perfume delicioso, me envolvendo.
Se aquilo era um sonho, eu não queria acordar nunca mais...