Kai deu um olhar severo à irmã. Ele tinha ido embora por apenas um mês e, ao retornar para casa, encontrou toda essa bagunça. Seu castelo estava cheio de mulheres que ele não conhecia e não queria conhecer, mas cada uma delas, infelizmente, queria conhecê-lo. E ele descobriu que aparentemente era suposto se casar com uma delas em um futuro próximo. Isso não lhe agradava e ele sabia muito bem quem culpar.
“Irmão!”, a Princesa do Norte disse em um tom animado e correu em sua direção para abraçá-lo calorosamente, mas parou no meio do caminho e fez uma careta ao analisar sua roupa. “O que aconteceu com você? Você parece…”
“Fomos atacados no caminho de volta das montanhas”, ele indicou que ela parasse de falar e passou por ela em direção à sua cadeira atrás da mesa. A cadeira que ela claramente estava usando o tempo todo enquanto ele estava ausente, julgando pelo fato de que tudo estava fora do lugar agora. “Eu tive sorte que esse conjunto de roupas sobreviveu à luta, pois não precisei mudar desta vez.”
“Realmente teve sorte”, eua irmãzinha não parecia impressionada.
Kai amava Elene. Ela era a única família que ele tinha. Mas às vezes ela era imprudente e não pensava nas consequências de suas ações. Especialmente quando seu amor de infância, o Rei do Oeste, estava envolvido. Ele sabia que esse era o caso agora. E que ele seria o responsável por lidar com tudo no final. Maldito Gideon Stormhold. Se ele tivesse concordado em lhe dar um pequeno pedaço de terra, eles estariam em uma aliança, m*l se encontrando. A melhor maneira de viver para ambos. Mas, é claro, ser razoável era pedir demais ao ocidental. Ele se atreveu a pedir uma aliança e não dar a Kai o que ele queria em primeiro lugar.
“Você precisa descansar um pouco”, Elene tentou encontrar uma saída fácil vendo o humor do irmão, e já estava quase na porta quando ele rosnou alto, fazendo-a parar.
“Não tão rápido!”, seu lobo também estava furioso. “Repito minha pergunta, Elle, o que você fez?”
“Você já sabe”, ela desistiu rapidamente porque não tinha mais sentido em fingir. Ela sabia que teria que enfrentar as consequências mais cedo ou mais tarde, e não se arrependeu de sua decisão.
“Os Testes de Luna”, Kai fechou os olhos e massageou a testa. Era inacreditável que ela ousasse fazer algo assim. “Por que você fez isso?”
“E o que você queria fazer?”, sua irmã riu, cruzando os braços e sentando-se na cadeira em frente a ele. “Eu vi como você ficou zangado quando a carta deles chegou anunciando que Savannah Stormhold graciosamente concordou em se casar com você, já que você implorou tantas vezes!”
De fato, ele não estava feliz com isso. De nenhuma forma casar com aquela garota estava nos seus planos. Há alguns meses, ele se encontrou com seu antigo rival, o Rei Gideon do Reino Licano do Oeste, porque este estava de repente desesperado por uma aliança entre eles. A única razão pela qual Kai foi para aquela reunião foi porque ele precisava de um determinado pedaço de terra que estava nas mãos de Gideon. Um pedaço de terra que era essencial para seu Reino Licano do Norte. E já que ele já havia pedido a mão da princesa em casamento antes, apenas para ser recusado todas as vezes, estava certo de que a resposta seria a mesma desta vez. Ele e Gideon se odiavam desde a escola e depois na universidade. Mas eles não eram apenas rivais, se desprezavam ativamente.
No entanto, desta vez Kai calculou m*l, e seu plano deu errado. Ele pediu a mão de Savannah em casamento ou o pedaço de terra na esperança de conseguir a terra. Mas ao invés disso, alguns meses depois ele recebeu uma carta aceitando sua proposta e a data em que sua futura noiva chegaria ao seu território. E sim, as palavras poderiam ter sido melhores.
Odiar Gideon era uma coisa, mas ir à guerra com ele era outra. No entanto, Kai nunca quis se casar com sua irmã. Ele nem mesmo queria isso no passado. Sempre havia um motivo diferente por trás de suas propostas; geralmente ele conseguia o que queria. Mas não desta vez.
“Admita, Kai”, os lábios de Elene se curvaram em um sorriso vitorioso. “Eu encontrei a melhor solução. Os Testes de Luna são uma antiga tradição do Norte. Vamos fazer Savannah falhar no começo e nos livrar dela. Realmente não precisamos dessa aliança, não é?”
“Eu não teria tanta certeza disso”, o rei se acomodou em sua cadeira e apertou os lábios, contemplando a ideia de sua irmã.
“O que isso quer dizer?”, Elene franziu as sobrancelhas loiras.
“Há muita atividade incomum no território dos ursos brancos”, seu irmão pegou a primeira pasta de uma pilha enorme acumulada em sua mesa durante sua ausência e começou a olhá-la.
“Que tipo de atividade?”, a princesa não queria deixar esse assunto de lado.
Não muitas espécies escolheram o Norte como seu lugar de residência, e havia boas razões para isso. Algumas partes do Norte eram inabitáveis, e por causa disso, houve muitas guerras entre as alcateias de cambistas do Norte no passado. Os confrontos entre os ursos brancos e licanos eram sempre os piores. Ninguém queria que essa parte da história se repetisse.
“Parece que eles estão planejando algo”, Kai murmurou, verificando o último orçamento. “Então, realmente não é a hora de irritar Gideon.”
Elene franziu os lábios. Por anos, ela estava morrendo de vontade de chamar pelo menos um pouco da atenção do Rei do Oeste, mas de repente agora o odiava porque ele ousou encontrar sua verdadeira companheira. O dia em que ela descobriu, chorou por horas.
“Você não está pensando seriamente em se casar com Savannah!”, a princesa se levantou e bateu com os punhos sobre a mesa dele, quase deixando uma marca, seus olhos brilhando azuis — a cor dos licanos reais do Norte.
“Deus, não!”, Kai riu. “Mas precisamos jogar de maneira adequada. Gideon queria muito essa aliança se ele estava disposto a me dar a mão de sua irmã como esposa. Você sabe quantas vezes ele rejeitou minhas propostas para ela.”
“Como se você a quisesse!”, Elene revirou os olhos e se sentou novamente em sua cadeira. “Eu a vi hoje, e acredite em mim, ela não é nada especial. Não sei por que tanto alvoroço”, a garota poliu as unhas bem cuidadas e seu irmão suspirou, colocando os papéis de orçamento de volta na pilha. Ele já encontrou dois erros, o que significava que teria que passar por eles novamente. Apesar de tudo, o que ele queria era um banho quente e algum sono.
“Mas ela é o menor dos meus problemas graças a você agora”, ele lembrou. “Elle, eu realmente não planejava me casar tão cedo. E você me colocou nessa situação. É como um encontro às cegas interminável com obrigações.”
“Não seja dramático!”, sua irmã sorriu inocentemente. “Você precisa de uma luna, e sabe disso. Mas você nem está se encontrando com alguém adequado. E agora esta é a sua chance. Dê uma olhada nessas garotas, e quem sabe, talvez você até encontre sua verdadeira companheira. Milagres acontecem!”
“É, claro…”, Kai resmungou. Uma companheira era a última coisa de sua agenda. Embora sua irritante irmã realmente tivesse um ponto — ele precisava de uma luna. E uma capaz. Alguém que pudesse liderar ao seu lado e cuidar de coisas como orçamento e muitas outras tarefas para as quais ele não tinha tempo. Mas algo lhe disse que essa não era a melhor maneira de encontrá-la. Sem mencionar que sua voz interior, também conhecida como seu lobo Asgard, insistia que simplesmente escolher uma companheira que não fosse sua destinada estava fora de questão. Era uma receita para o desastre.
“Apenas dê uma chance às pobres garotas!”, Elene arqueou as sobrancelhas.
“Não é como se eu tivesse escolha agora, não é?”, o Rei do Norte fez o mesmo. “E tudo graças a você.”
“Não, tudo graças a Savannah Stormhold”, a princesa corrigiu. “De qualquer forma, se você não gostar de ninguém, nós faremos todas falharem. Confie em mim nisso. Preparei tarefas que ninguém será capaz de fazer. Mas quem sabe, talvez perto do fim, você não queira deixar uma certa garota ir.”
“Por que tenho a sensação de que você já tem alguém em mente?”, Kai fechou os olhos e massageou a ponte do nariz. Essa conversa estava exaustiva.
“Ninguém em particular”, Elene riu nervosamente, e foi assim que ele soube que ela estava mentindo.
“Quem?”, sua voz parecia muito mais grave do que o normal porque ele estava cansado de controlar suas emoções agora.
“Algumas candidatas”, ela tentou alisar os amassados em seu vestido.
“Quem?”, Kai estava prestes a deixar que Asgard cuidasse de tudo isso por ele.
“Diga o que quiser, mas Penelope seria uma ótima luna para você!”, sua irmã fez um bico com os lábios. “Ela nasceu para ser rainha e você tem muita sorte que ela concordou em participar de tudo isso!”
“Não novamente!”, ele murmurou, irritado.
“Apenas me ouça”, Elene tirou o telefone celular e entregou ao irmão. “Veja o que ela tem que fazer. Teste-a. Você verá que ela vai lidar perfeitamente com tudo isso. Mas sem pressão. Se você ainda não a quiser, é isso.”
Ele olhou para a irmã por um tempo e apenas assentiu porque estava cansado demais para discutir.
“Ótimo!”, ela bateu palmas. “Você não vai se arrepender!”
“Já me arrependo”, Kai retrucou. “E não pense que vai ter um caminho fácil. Quero parar depois de um ou dois testes. Entendeu?”
“Trato feito!”, Elene deu de ombros. “Vai ser maravilhoso!”
Ela disse mais coisas sobre Penelope, Savannah e os Testes, mas ele não escutou mais. O cansaço estava chegando a ele, que escolheu ignorá-la. Ele teria que descobrir como se livrar dessa bagunça por conta própria de qualquer maneira.
Sua irmã já estava na porta quando se virou e disse:
“E, Kai, raspe essa barba horrível! Eu m*l consigo te reconhecer com ela!”
Ela saiu correndo antes que ele conseguisse rosnar para ela. Mas olhando para a lista das concorrentes em suas mãos e vendo quem estava nela, ele sabia que ela estava certa. Ele precisava cuidar de sua aparência e parecer apresentável. Mas primeiro, as coisas mais importantes. Ele precisava conseguir todas as informações possíveis sobre os Testes de Luna. Ele precisava encontrar uma brecha para encerrar tudo isso. Então, ele deveria começar na biblioteca...
(...)
Demorou um tempo para que Savannah encontrasse a biblioteca, mas a boa notícia foi que pelo menos os nortistas não proibiam seus convidados de usá-la. O que, em sua opinião, foi um grande erro de cálculo, mas quem era ela para julgar? Especialmente se isso estava funcionando a seu favor.
Savvy estava lendo um dos muitos livros que encontrou na biblioteca do castelo, em busca das informações corretas, quando de repente sentiu uma dor aguda e quase deixou cair o antigo volume. A dor percorreu todo o seu corpo e dificultou especialmente a sua respiração. Sua loba Athena estava uivando de agonia dentro de sua mente, e isso só podia significar uma coisa — seu companheiro estava sendo íntimo com alguém naquele exato momento. Novamente.