O homem estava amarrado na cadeira quando entrei na sala.
Sangue escorria pelo canto da boca dele.
Covarde.
Dois dos meus homens permaneciam atrás da cadeira enquanto o desgraçado tremia tentando respirar direito.
Fechei a porta lentamente.
— Então… — puxei outra cadeira e sentei na frente dele. — Vamos tentar de novo.
O homem começou a chorar.
Patético.
— Senhor De Luca, eu juro que não falei nada—
Dei um soco na boca dele antes que terminasse.
O estalo ecoou pela sala escura.
Silêncio.
Passei a mão lentamente no anel prateado sujo de sangue.
— Odeio mentirosos.
Ele cuspiu sangue no chão.
— Eu não traí você!
Inclinei a cabeça de lado observando o estado deplorável dele.
— Estranho. Porque alguém contou aos russos sobre meu carregamento.
O homem começou a respirar rápido.
Medo verdadeiro.
Bom.
— Foi o Matteo! Eu juro!
Mentira.
Levantei calmamente.
O sujeito começou a se desesperar quando percebeu o que aquilo significava.
— Não… não… senhor De Luca, por favor—
Peguei a arma da cintura devagar.
Sem pressa.
Os olhos dele arregalaram.
— Eu tenho filhos!
— Devia ter pensado neles antes.
O tiro ecoou pela sala.
Silêncio.
Apenas sangue.
Baixei a arma sem emoção enquanto um dos homens puxava o corpo para fora.
Mais um problema resolvido.
Peguei um cigarro e acendi calmamente.
Mas minha cabeça não estava ali.
Estava nela.
Dulce.
A garota tinha entrado na minha mente de um jeito irritante.
Os olhos dela.
A boca.
A maldita atitude.
Soltei fumaça lentamente.
Aquilo era problema.
Mulheres nunca foram problema pra mim.
Sexo. Luxo. Diversão.
Nada mais.
Mas Dulce…
Ela me provocava.
E o pior…
Me fazia querer controlar cada respiração dela.
Meu celular vibrou.
Massimo.
— Fala.
— Sua noivinha acabou de tentar fugir.
Fiquei em silêncio.
O cigarro queimando lentamente entre meus dedos.
— Como?
— Tentou sair pelos fundos da mansão. Pegamos ela no jardim.
Sorri sem humor.
Pequena i****a.
— Não machuca ela.
— Ela arranhou um dos seguranças.
— Eu disse não machuca ela.
Desliguei imediatamente.
A raiva subiu pelo meu peito.
Não porque ela tentou fugir.
Eu já esperava isso.
Mas porque a ideia dela correndo sozinha pela cidade…
Me irritava mais do que deveria.
Saí da sala calmamente.
Mas todos os homens abriram caminho no instante em que viram meu rosto.
Sabiam.
Eu estava perto de explodir.
— Dulce Maria López —
— Me solta!
O segurança segurava meu braço enquanto eu tentava me soltar.
— Senhorita, pare de dificultar.
— Vai se ferrar!
Outro homem apareceu nervoso.
— O senhor De Luca está vindo.
Meu coração disparou.
Droga.
Droga.
Droga.
Tentei puxar o braço outra vez.
Inútil.
Então ouvi passos.
Lentos.
Pesados.
Martin apareceu no corredor vestindo camisa preta com manchas pequenas de sangue perto da manga.
Meu corpo gelou.
Sangue.
Meu Deus.
Ele realmente tinha matado alguém.
Os olhos escuros encontraram os meus imediatamente.
Frio absoluto.
— Solta ela.
O segurança me soltou na mesma hora.
Martin continuou parado me observando.
Silêncio.
A tensão ficou sufocante.
— Tentando fugir? — perguntou calmamente.
Ergui o queixo tentando esconder o medo.
— Você esperava o quê?
Ele caminhou devagar até mim.
Cada passo fazia meu coração bater mais forte.
— Esperava inteligência.
— Eu não vou viver presa aqui!
Martin parou na minha frente.
Muito perto.
O cheiro de cigarro, perfume caro e sangue misturados nele era perturbador.
— Você não entende o perigo lá fora.
— O único perigo aqui é você!
Os olhos dele escureceram imediatamente.
Merda.
Antes que eu percebesse, Martin segurou meu pescoço e me empurrou contra a parede.
Forte.
Assustador.
Minha respiração travou.
— Nunca mais foge de mim. — a voz dele saiu baixa e mortal.
Segurei o pulso dele tentando respirar.
— Me… solta…
Os olhos dele desceram lentamente até minha boca.
Raiva.
Desejo.
Algo doente misturado.
— Você me deixa fora de controle, Sereia.
Meu coração disparou.
O aperto no meu pescoço afrouxou lentamente.
Mas ele continuou ali.
Perto demais.
Perigoso demais.
— Tem sangue em você… — sussurrei assustada.
Martin ficou em silêncio.
Então segurou meu rosto devagar.
— E ainda assim você continua olhando pra mim.
A mão de Martin continuava no meu rosto.
Quente.
Pesada.
Controladora.
Meu corpo inteiro estava rígido contra a parede enquanto eu tentava ignorar a proximidade dele.
O sangue na manga preta parecia ainda mais visível agora.
Meu estômago embrulhou.
— Você matou alguém… — minha voz saiu falha.
Os olhos dele permaneceram presos nos meus.
Sem culpa.
Sem arrependimento.
Aquilo era pior.
— Sim.
Minha respiração travou.
Meu Deus.
Ele respondeu tão facilmente.
Como se fosse normal.
Como se tirar uma vida não significasse nada.
Tentei empurrá-lo.
— Você é um monstro.
Martin segurou meu pulso imediatamente.
— Talvez.
— Eu tenho nojo de você!
A mandíbula dele travou.
Por um segundo achei que ele fosse perder o controle.
Mas Martin apenas aproximou o rosto lentamente do meu.
Perto demais.
— Continua mentindo pra si mesma, Sereia.
Meu coração disparou.
— Vai pro inferno.
— Já vivo nele.
O jeito que ele falou aquilo…
Frio. Cansado. Vazio.
Aquilo me arrepiou.
Martin soltou meu pulso devagar.
Mas antes que eu pudesse sair, ele segurou minha cintura e me puxou de volta.
Forte.
Meu corpo bateu contra o dele outra vez.
— Para de tentar fugir. — a voz dele saiu baixa perto do meu ouvido. — Você não faz ideia do que existe fora desses portões.
— Prefiro arriscar!
— Não. Você prefere sobreviver.
Levantei os olhos furiosa.
— Você não sabe nada sobre mim!
Martin me encarou em silêncio.
Depois o polegar dele deslizou lentamente pela minha cintura.
Possessivo.
Meu corpo arrepiou inteiro.
Ódio.
Precisava ser ódio.
— Sei que você é mimada demais pra esse mundo.
Aquilo acertou meu orgulho imediatamente.
— E você é só um criminoso arrogante!
Ele sorriu de lado.
Perigoso.
— Agora sim parece minha esposa.
Empurrei o peito dele irritada.
— Eu nunca vou ser sua esposa de verdade!
Martin segurou minha mão antes que eu me afastasse.
Os olhos escuros desceram lentamente para meus dedos.
Então ele beijou minha aliança provisória.
Meu coração falhou.
O gesto foi lento.
Íntimo.
Errado.
— Já é tarde pra fugir disso, principessa.
Puxei a mão rapidamente como se tivesse queimado.
— Não faz isso.
— Isso o quê?
— Fingir que se importa!
Silêncio.
Pesado.
O olhar dele mudou por um segundo.
Algo mais sombrio.
Mais profundo.
Mas desapareceu rápido.
— Você fala demais quando tá nervosa.
Virei o rosto tentando esconder o quanto ele me afetava.
E odiei perceber uma coisa.
Mesmo assustada…
Mesmo sabendo que ele era perigoso…
Meu corpo reagia perto dele.
Aquilo me dava raiva.
Muita raiva.
Martin percebeu meu silêncio.
Claro que percebeu.
Ele sempre percebia.
— Olha pra mim.
— Não.
A mão dele segurou meu queixo outra vez.
Dominante.
— Eu mandei olhar pra mim.
Encarei os olhos escuros cheia de ódio.
E então…
Martin aproximou o rosto lentamente.
Meu coração disparou tão forte que chegou a doer.
Ele ia me beijar.
Meu Deus.
Ele realmente ia—
— Senhor De Luca.
A voz do segurança interrompeu tudo.
Martin fechou os olhos irritado.
— O quê?
— A senhorita Bianca chegou.
O corpo dele ficou imóvel por um segundo.
Mas eu percebi.
Percebi tudo.
A mudança no olhar.
A tensão.
A irritação.
Bianca.
Quem diabos era Bianca?
Martin se afastou lentamente de mim.
Frio outra vez.
Como se o momento de segundos atrás nunca tivesse acontecido.
— Fica no quarto, Dulce.
Cruzei os braços imediatamente.
— Ou o quê?
Os olhos dele encontraram os meus mais uma vez.
Escuros.
Perigosos.
— Não me testa hoje.