CRISTHOFER
— O que você vai fazer agora, Cris? Perguntou a irmã dele quando os três entraram no escritório do Cris.
— Carlos, venda-me as suas ações. A nossa irmã já me vendeu as dela há muito tempo, agora ela é só uma trabalhadora, está relaxada, trabalha quando quer e tem a sua empresa de maquiagem. Ele pronunciou.
— Passamos a vida trabalhando nesta empresa, Cristhofer, para que fiquemos sem nada por sua ambição de poder. Faça uma votação. Todos os fornecedores e investidores votarão por você. A razão é que Melissa não tem base para reforçar as suas palavras. É verdade, oferece o dobro, mas se a escolherem, podem ficar sem nada. Ela não sabe como o mercado financeiro funciona no momento. Explicou Carlos.
— Eu te pago o dobro do que valem as suas ações. Assim terei a mesma quantidade que Melissa.
— As minhas ações, que são poucas, não estão à venda, irmão. Te apoio em tudo, mas essas ações foram um presente do meu pai, este é um negócio de família. Pronunciou Carlos.
— Familiar... Isso é verdade. Mas, existe mais uma verdade. A que você não é filho do nosso pai. Gritou Cris. Carlos deu um passo para trás, absolutamente surpreso.
— O que você está dizendo, Cris? Perguntou Amanda sem poder acreditar, enquanto Carlos não conseguia falar de tanta pavor, o seu rosto estava pálido.
— Minha mãe me confessou antes de morrer, o casamento dela ia m*al, ela teve um caso com um coitado e engravidou do Carlos, depois fez meu pai acreditar que ele também era filho dele. Ele suspirou. — Mas isso agora não importa, ou você me vende as ações ou eu conto a verdade para o nosso pai para que ele te deserdar e você fique sem ações e sem dinheiro.
— Cris, o que você está fazendo? Você está fazendo tudo errado. Disse Amanda.
— Vamos, Carlos, decida rápido.
— Você não vale a m*erda que as minhas ações valem. Faça o que quiser, não vou te vender nada. Ele disse, caminhando para a saída.
— Então esta noite meu pai saberá toda a verdade. Ameaçou Cris, mas ele não deu ouvidos e foi até a sala de reuniões. Todos foram. Quando todos estivam reunidos, Cris se levantou.
— É verdade que Melissa oferece uma margem de lucro superior, mas sem fundamento. São apenas palavras, eu tenho dado a vocês mensalmente 20 por cento dos seus investimentos. É verdade que no passado os lucros eram maiores, mas se passaram cinco anos, o mercado financeiro mudou. Melissa não pode garantir a margem de lucro nem mesmo de vinte por cento, porque no momento ela nem sabe como esta empresa está funcionando e se sustentando. Por isso, deixaremos à decisão de vocês, nossos investidores. Espero que pelo menos a Melissa seja justa e nos permita escolher como queremos que a nossa empresa funcione antes de nos levar à ruína.
MELISSA
Fiquei em silêncio, pois em parte, se o escolhessem, eu não poderia fazer nada. A verdade é que tinham se passado cinco anos e eu precisava de tempo e ajuda para me afastar das coisas.
— Quem vota para Melissa seja a diretora executiva da empresa, levante a mão, contaremos os seus votos. Ele disse e engoli a seco ao ver que ninguém votava por mim, um sorriso de triunfo se desenhou nos seus lábios, no entanto, aconteceu algo que nem eu, nem ninguém ali esperava. Carlos, o irmão de Cris, levantou-se e ergueu a mão.
— Eu voto na Melissa. Ele pronunciou, olhando seriamente nos olhos de Cris e depois ajeitando o paletó. — Não só você tem o meu voto, mas também vou ajudá-la a entender como a empresa está funcionando atualmente, como o mercado mundial está funcionando e sim, estou completamente certo de que é possível que os lucros de nossos investidores num período de aproximadamente um ano aumentem em quarenta por cento. Ele disse e até eu fiquei atônita, pois Cristhofer e seus irmãos eram muito unidos. No entanto, o voto de Carlos mudou tudo a meu favor e os investidores começaram a votar em mim, a maioria o fez. Cristhofer olhou com ódio para o irmão.
— Agora, quem vota no Cristhofer. Pronunciou Carlos, e apenas alguns poucos levantaram a mão. — Por maioria de votos, a nossa nova diretora executiva é Melissa, um aplauso para ela. Ele acrescentou, e todos aplaudiram, ou bem, quase todos os olhos de Cris pareciam vulcões de fogo prestes a entrar em erupção. Amanda só ficou olhando para o que aconteceu, surpresa, sem fazer absolutamente nada.
— Cris, você está fazendo tudo errado. Murmurou Amanda no ouvido do irmão antes de sair da sala de reuniões.
— Você vai me pagar, irmãozinho. Ele exclamou, saindo do local.
Então todos saíram, menos Carlos, ele ficou até o final na sala de reuniões e caminhou para onde eu estava.
— Então você acha que vai ganhar a guerra do meu irmão? Agindo impulsivamente? Olhei para ele surpresa com a sua reclamação. Em todo o tempo que passei casada com Cristhofer, as únicas palavras que troquei com Carlos foram o típico "olá, tudo bem?", "como está a família" e só. Carlos estava quase sempre estudando e Cris e eu visitávamos pouco a casa onde ele morava com o pai. Carlos sempre fora o mais calado dos três, o menos sociável e, digamos também, o mais amargurado, como Cristhofer costumava zombar. Eles dois eram completamente diferentes. Cristhofer era idêntico ao pai e Carlos, digamos que se parecia mais com a mãe, embora também fosse muito bonito, alto, olhos castanhos e um físico atraente, pois quando não estava estudando, estava fazendo exercícios. Olhei para ele sem responder.
— Se ninguém tivesse falado, todos teriam votado nele. Antes de prometer algo, você precisa estudar o mercado financeiro e ter bases sólidas. Ele disse, ne*gando com a cabeça e deu um passo para ir embora.
— Obrigado. Pronunciei. — Nunca pensei que você enfrentaria o Cris para me ajudar. Ele se virou, me olhou como olha para todo mundo, como se não gostasse de mim e não me suportasse, e então falou.
— Não precisa me agradecer. Não fiz isso para te ajudar. Arqueei as duas sobrancelhas. — Você precisa parar de acreditar que todo mundo é bom. No mundo dos negócios não há ninguém bom, ninguém vai te ajudar, você tem que fazer por si mesma. Você não pode continuar confiando cegamente nas pessoas aqui, todos são lobos famintos por dinheiro e poder.
Eu engoli em seco.
O telefone que eu tinha na mão começou a tocar.
— O que está acontecendo, mãe? Eu atendi sem olhar quem era, porque sabia que era ela, aquele telefone tinha sido um presente da minha mãe quando acordei.
— Ligaram da escola para o telefone de casa.
— Aconteceu alguma coisa com as crianças? Perguntei exaltada.
— Não dão ouvidos a ninguém e também não quiseram comer nada na escola.
— Não pode ser, vou até lá.
— Eles querem a Aurora de volta. Vou ligar para o Cris para que ele os busque e te poupar de um desgosto. A minha mãe desligou e me senti sem entusiasmo, colocando ambas as mãos no rosto.
— O que aconteceu com as crianças? Elas estão doentes? Perguntou Carlos, que ainda estava lá, afinal, eram seus sobrinhos também.
— Não querem comer nem prestam atenção nas aulas até Aurora voltar para casa, para minha casa. Tenho que permitir que aquela mulher também volte para casa?
Carlos fechou os olhos e os abriu novamente com raiva, ne*gando com a cabeça.
— Você está fazendo tudo errado...
— São meus filhos, não quero perdê-los.
— São duas crianças mimadas e desobedientes e, neste momento, são a arma que Aurora vem preparando há cinco anos contra você. Dois pequenos de cinco anos estão jogando psicologia com você. Se você os afastar da Aurora, eles vão te ver como a vilã. Se você perceber, ela criou aquelas crianças, provavelmente já as tinha preparado antes para o caso de você voltar. Enquanto Cris ia a reuniões, viagens de negócios e andava por aí com as suas amantes, Aurora cuidava dos seus filhos. E não, ela não os ama. Só os usa. Faça-a voltar para sua casa, seduza Cris na frente dela e você verá como a atitude dela com as crianças muda. E quando ela mudar e deixar de ser a mãe amorosa que eles conhecem, aí você entrará. Ele acrescentou, olhando para o relógio enquanto eu processava tudo o que ele dizia.
— Agora tenho um jantar, com meu pai e irmãos. Ele pronunciou. — Amanhã te vejo às sete no seu escritório para te preparar. Ele acrescentou, indo embora sem dizer mais nada...