Episódio 7

1327 Words
Acordei cedo pela manhã e preparei o café da manhã, antes de levar as crianças para a escola. Pedi conselhos a quem sempre fora minha governanta e ela me contou os pratos preferidos das crianças, os seus jogos, os seus passatempos. Eu tinha perdido tanto tempo com os meus pequenos. Sorri quando os vi descendo para tomar café da manhã acompanhados pelo pai. — Bom dia, meus filhos. Sorri me aproximando, eles me olharam com raiva e deram um passo para trás para evitar contato físico comigo. Embora isso me desanimasse um pouco, não me aproximei mais para não pressioná-los demais. — Isso cheira delicioso. Exclamou Cristhofer. — Venham, crianças, tomem o café da manhã. — Não queremos tomar café da manhã. Disse o menino enquanto a pequena olhava todos os pratos com um pouco de fome. — Sentem-se. Ordenou Cris, lançando-lhes um olhar repreensivo, e eles obedeceram, aparentemente o respeitavam bastante. — Um passarinho me disse que este era o seu café da manhã favorito. Eu disse, preparando para ele num prato uma empanada com presunto duplo, queijo e manteiga. Estendi o prato até o pequeno primeiro. — Experimente. Ele pegou o prato e jogou ele com raiva no chão, estilhaçando o prato de cristal. Eu fiquei gelada sem dizer absolutamente nada. — Queremos a nossa mãe. Não queremos essas empanadas nojentas. Ele exclamou. — Miguel, peça desculpas imediatamente! Ordenou Cristhofer, dirigindo-se à ele. — Não vou fazer isso. Ele cruzou os braços. — Queremos a nossa mãe. — Melissa é a sua mãe. — Mas não a queremos ela. Acrescentou a menina. — Vá embora daqui! Queremos a nossa outra mãe. Você devia ter ficado dormindo onde estava e nunca mais voltar. Fiquei sem dizer absolutamente nada. Suspirei com tristeza e subi para o meu quarto. Alguém empurrou a porta e era o Cristhofer. — Dê a eles tempo. Aurora é a mãe que eles conheceram desde sempre. — Tudo isso é culpa sua. Apontei com o dedo. — Não adianta vir agora se fazer de bom comigo. Você fez aquelas crianças acreditarem que a sua amante era a mãe delas. — Melissa, vamos resolver isso juntos, como sempre fazíamos. — Por favor, é melhor você ir levar as crianças para a escola. Exclamei e a campainha da casa tocou. — Eu vou fazer isso. Você está esperando por alguém? Ele perguntou e eu não respondi. A funcionária estava abrindo a porta e lá estava minha mãe. Cris tinha descido atrás de mim e os pequenos também tinham corrido para a porta, acreditando que se tratava da Aurora. — Olá, que bom que veio nos visitar. Disse Cris hipocritamente, porque tinha sido bastante ru*im com a minha mãe quando eu entrei em coma. Ela não disse nada, eu a abracei. — Ela não veio de visita. A partir de agora, minha mãe viverá conosco. — Você não me disse nada. As crianças não conhecem ela. Interveio Cristhofer colocando objeções. — Não tenho por que falar com você, esta casa é minha. Não se preocupe, Cris, os seus dias nesta casa estão contados. Basta apenas que tenhamos a audiência de divórcio perante o juiz. — Divórcio? Melhor falarmos desse assunto quando as crianças não estiverem presentes. Ele acrescentou. — Já vamos para a escola. Ele disse, saindo dali com as crianças que nos olharam para a minha mãe e para mim com cara de espanto, como se fôssemos bruxas de novela. Ambos entraram no carro do pai e ele deu a partida. Cristhofer — Pai, quando a nossa mãe vai voltar? Perguntou Mía. — Crianças, a verdadeira mãe de vocês é a Melissa. Perdoe-me, eu deveria ter contado a verdade a vocês. Mas eu pensei que ela nunca ia acordar. Eu afirmei. — Quando ela vai embora? Quando nossa mãe Aurora voltará? — Aurora não é a mãe de vocês. Vocês devem aprender a amar a Melissa. Agora que ela voltou, seremos uma família de novo, como éramos antes, quando vocês eram pequenos. Eu disse, parando o carro e mostrando no telefone uma foto de nós dois juntos com os gêmeos no colo, quando eles eram bebês, e depois mostrei para as crianças. — Aqui estavam vocês recém-nascidos, e eu e a mãe de vocês segurando vocês no colo. Melissa sempre os adorou, passava o dia inteiro cuidando de vocês, vigiando para que nada de ru*im acontecesse com vocês. Ela tinha sempre tudo pronto, tudo em ordem, era cuidadosa com cada pequeno detalhe. Tínhamos uma família perfeita. Eu acrescentei. — Mas agora você está casado com a nossa outra mãe ou não? Perguntou a pequena, cruzando os braços com raiva. — Não. Aurora e eu éramos apenas namorados. Casei-me uma única vez com a mãe de vocês, com a Melissa, e nunca mais me casarei com nenhuma outra mulher. — Mas queremos a Aurora, queremos viver com ela. Disse Miguel. — Vocês devem aprender a amar a sua verdadeira mãe, deem a ela uma oportunidade. Ambos os pequenos olharam um para o outro com desgosto. — Vou levar vocês ao psicólogo e verão como a relação de vocês com Melissa vai melhorar. Eu acrescentei e depois deixei as crianças na escola. Em seguida, fui para a empresa. Quando cheguei, Aurora me esperava na entrada. — Você nem sequer me ligou ontem à noite, não houve mensagem de bom dia. Você já voltou com ela, não é? Ela reclamou, irritada. — Não diga bobagem. Tudo está uma bagunça. Melissa me odeia tanto que não consegue me ver e agora trouxe a bruxa da mãe dela para morar na nossa casa. Estou sobrecarregado de problemas e você nem me deixa respirar. —Te amo, Cris. Ela me abraçou. — Se você me ama, deixe-me resolver isso à minha maneira. Eu acrescentei — Chefe, estou esperando há um tempo, tem uma reunião da diretoria. Disse a minha secretária, correndo para me alcançar. — Reunião da diretoria? Eu não agendei nenhuma reunião. Eu disse surpreso. — Você não, mas a senhora Melissa sim, a reunião já deve ter começado. Respondeu a moça que trazia muitos papéis na mão. — Melissa, Melissa, Melissa, Melissa em casa, Melissa no trabalho, essa m*aldita mulher vai me deixar louco. Eu disse, caminhando rapidamente para a sala de reuniões... — O que está acontecendo aqui? Eu perguntei entrando na sala de reuniões furioso. Seus irmãos vinham atrás dele. MELISSA — Eu sempre fui a presidente desta empresa, pois tenho a maior porcentagem de ações. Respondi com firmeza. Os únicos que estávamos de pé eram Cris e os seus irmãos, que acabavam de chegar, e eu. — Vim recuperar o meu posto. Todos o observaram em silêncio, esperando a sua reação. Ele ficou um instante atônito, surpreso demais para responder. — Achei que você queria recuperar as crianças. Ele pronunciou exaltado. — Disse que ia recuperar tudo o que é meu. — Você está em coma há anos, não sabe absolutamente nada de como o mercado internacional está funcionando no momento, nem o preço das ações, nem os novos contratos. Você está em branco, em cinco anos tudo mudou. Ele exclamou. — Eu posso aprender. Temos uma empresa de tecnologia, uma empresa que antes dava uma margem de lucro de trinta por cento aos nossos investidores. Agora você os tem ganhando apenas vinte por cento. Posso fazer esses números dobrarem. Exclamei, batendo na testa. — Dê-nos alguns minutos, todos saiam, faremos uma pausa de quinze minutos. Ele exclamou e todos me observaram. — Podem sair. Eu acrescentei. Todos foram embora e eu fiquei sentada ali, esperando ele começar. Ia ser difícil, depois de cinco anos em coma as coisas tinham mudado demais. Mas, eu não ia desistir. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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