Episódio 6

1630 Words
Olhei para ele com desprezo e ele sorriu, apontou para a saída e ambos saímos dali. — Crianças, a tia Melissa de vocês veio nos acompanhar por alguns dias, pois Aurora tem que viajar. Disse Cris quando chegamos onde Aurora estava com as crianças. — A mamãe vai viajar? Sem nós? Perguntou o pequeno, arregalando os olhos. Toda vez que ouvia os meus filhos chamarem aquela mulher de mãe, meu coração se despedaçava. — Podemos acompanhá-la? Perguntou a menina, observando-a com ternura, enquanto eu era completamente ignorada. Limitei-me a observá-los em silêncio, não podia reclamar, nem podia fazer nada para mudar cinco anos em que não estive presente em suas vidas. Minha única opção era esperar pacientemente e implorar a Deus para que os meus filhos voltassem a me amar, agradecer por ter essa nova oportunidade de estar ao lado deles, que havia sido praticamente um milagre. Fossem quais fossem as circunstâncias, eu estava viva e meus pequenos eram crianças lindas e saudáveis. Eu tinha uma nova oportunidade de fazer as coisas certas, de ser uma mãe presente na vida dos meus filhos. — Não vou viajar. Exclamou Aurora cruzando os braços e as duas crianças abraçaram as suas pernas. — Querida, venha comigo por um momento. Disse Cristhofer, puxando-a pela mão. — Já voltamos. Ele acrescentou, deixando-me sozinha com as crianças, que se sentaram no sofá e cruzaram os braços para me olhar, diria que com um pouco de raiva. — Tenho certeza que vamos nos dar muito bem. Agachei-me na frente deles. — Do que vocês gostam de brincar? — Só gostamos de estar com a nossa mãe. Disse a menina. — Por que você vem nos separar da mamãe? Perguntou a criança e eu já percebia que no pouco tempo que fazia que eu tinha voltado, Aurora já tinha colocado as crianças contra mim. — Não quero causar problemas a vocês... — Mamãe já nos disse o que você veio fazer. Exclamou a menina. — Você veio nos afastar dela porque quer ficar conosco e com o papai. — Não, eu... — Não te queremos aqui. Melhor você ir embora. Disse a criança e isso partia meu coração. Mas afinal, o que mais eu poderia esperar da Aurora? Também não ia embora e deixar os meus filhos assim tão facilmente. Muito menos com aquela mulher traidora. Eu simplesmente fiquei observando as crianças e Miguel, de repente, deu a mão para a irmã e ambos foram embora, deixando-me completamente sozinha. Meus filhos me rejeitavam e tudo porque Aurora já tinha envenenado o cérebro deles. O mais culpado de tudo isso era o Cristhofer por permitir que aquela mulher ocupasse o meu lugar na vida dos meus filhos e por enganá-los dessa maneira. ********** — Não vou embora, Cris, não vou deixar as crianças. Enquanto isso, Aurora dizia a Cris. — Mãe não é quem gera, é quem cria, e enquanto ela dormia placidamente, eu ficava acordada com as crianças, enquanto ela estava sem preocupações, eu estava batalhando com os gêmeos em um hospital. Não vou desistir de tudo porque luto há anos. — Não é uma competição e devo te lembrar que ela não estava relaxada, estava em coma por nossa culpa. Você vai obedecer, vai embora e não vai estragar os meus planos. — Você acha que sou burra, você quer que eu vá para voltar com ela. Afinal, enquanto ela estava bem, você nunca me escolheu, só me tinha como amante. — Você está com ciúmes, é isso. Ele exclamou. — Não vou te deixar. Se você perceber, Melissa veio aqui para nos tirar tudo, até meus filhos, e eu nunca vou permitir isso. — São filhos dela também, Cris, o que você vai fazer? — Vou provar que ela não está mentalmente apta para cuidar dos meus filhos. Ele acrescentou, e um sorriso de malícia se desenhou no rosto de Aurora. — Vou me despedir das crianças antes de ir. Disse Aurora ao sair do quarto de casal com uma mala com algumas coisas, ele assentiu. — Te espero lá embaixo. Ele disse e ela foi para o quarto dos pequenos. — Meus amores, a mamãe sentirá muita falta de vocês. Ela disse, abraçando os pequenos. E derramando algumas lágrimas. — Saibam que não quero ir, amo muito vocês. Mas aquela mulher veio me expulsar daqui, ela é a amante do seu pai. Ela murmurou, cobrindo os olhos com as mãos como se estivesse chorando. — Só queremos você. Disse a pequena beijando seu rosto. — Não queremos essa mulher. Você não pode nos deixar aqui. Acrescentou o menino. — Não posso fazer mais nada. O seu pai me expulsou como um cachorro de rua. Só vocês podem me fazer voltar. — O que temos que fazer, mamãe? A pequena pergunta com interesse. — Digam que não comerão nada até eu voltar. Comportem-se m*al aqui e na escola. Ela acrescentou, e os pequenos a abraçaram. —Se não fizerem com que o pai de vocês me procure logo, morrerei de tristeza na rua. Ela acariciou o rosto dos dois pequenos. — Se algo acontecer comigo e eu morrer, lembrem-se que eu amo vocês. Ela beijou a testa de ambas as crianças, cujos rostos ficaram tristes demais, e levantou-se caminhando em direção à porta do quarto, dizendo adeus com a mão como quem se despede para não ir embora, e Cris chegou até a porta. — Não queremos que a mamãe vá embora. Gritou a criança — Não queremos essa mulher! — Nos levem com você, mamãe. Eles gritavam com os olhos cheios de lágrimas. — Não aguento mais isso. Ela disse descendo correndo, parecendo chorar. As crianças correram atrás dela, ignorando o pai. Ao alcançá-la lá embaixo, agarraram-se a ela, abraçando as suas pernas. — Está vendo o que você conseguiu? Ela reclamou como se eu fosse a culpada de tudo. Meu ódio por ela se intensificou. — Eu sou a mãe deles, você nunca deveria ter vindo aqui. Exclamei. — Eu sou a mãe de vocês! Disse aos pequenos como se eles fossem acreditar em mim. Como se isso fosse mudar o curso desastroso das coisas. —Você não é a mãe deles, você os pariu e os abandonou. Ela disse cinicamente. Os pequenos olhavam tudo com os olhos bem abertos. Devia ter contado tudo desde o início, conhecê-los sem que eles soubessem. Já que essa vagabu*nda tinha ganhado terreno, e é que quando eu achava que ela não podia cair mais baixo, ela acabava me surpreendendo. — Você está mentindo! Apontei para ela com o dedo, irritada. — Eu sofri um acidente e fiquei em coma. Eu disse, caindo de joelhos na frente das crianças. — Sempre os amei, mas aquele acidente me fez ficar em um hospital. — Você não estava quando eles ficavam doentes, nem quando tinham uma tarefa, a mãe deles sou eu, sempre estive aqui por eles. Não dei ouvidos às suas palavras e peguei nas mãos dos pequenos, uma de cada um. Mía afastou a mão de mim: não te conhecemos, você não é a nossa mãe. Exclamou a menina, agarrando-se à Aurora. — Já temos uma mãe e não precisamos de outra. O menino se afastou, cruzando os braços, e aparentemente a vilã da história era eu. — Já chega! Gritou Cristofher, os pequenos pularam de susto ao ouvir o tom de voz que ele estava usando, eu, no entanto, fiquei muda. Eu tinha um plano para tudo, menos para o ódio dos meus pequenos. — Tudo o que a Melissa diz é verdade. Ela é a mãe de você. Ele apontou para mim e parecia estranho tudo o que estava acontecendo e que ele não tivesse tomado partido da amante. As crianças olharam para ele assustadas e os olhos de Aurora ficaram pequenos, cheios de raiva e intriga. — Ela não os deixou, ela teve um acidente, ficou em coma e só agora se recuperou... — Mas já temos uma mãe. Disse Miguel, apontando para Aurora. Cada vez que me rejeitavam por causa dela, meu coração desmoronava, justamente por causa dela, a pessoa que destruiu minha vida, minha família. — E queremos ficar com a mãe que temos. Pronunciou a menina. — Vocês ainda não conhecem a Melissa, primeiro deem a ela a chance de conhecê-los e depois escolham qual mãe querem. — Cris. Reclamou sua amante. — É o justo. Agora vão para o quarto de vocês. Ele disse pacientemente, apontando para as escadas. — Não vou sem a mamãe. Pronunciou a pequena, cruzando os braços. — Vão para o quarto, eu disse! Ele gritou e as crianças saíram correndo. Eu me senti m*al por eles. —Tudo isso que vocês fizeram faz m*al às crianças. Ele reclamou. — Supostamente contaríamos tudo com um psicólogo presente, mas já valeu tudo. Acompanharei você até o carro. Ele disse, saindo com a mulher para fora. Eu, enquanto isso, com o coração partido, comecei a caminhar pelo que costumava ser a minha casa. Algumas coisas haviam mudado, outras pareciam iguais, mas nada jamais seria como antes, nem mesmo eu. E o maior desafio que eu tinha pela frente era o que eu mais queria: conquistar o coração dos meus filhos. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍ ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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