Episódio 5

2004 Words
MELISSA Olhei para Cris antes de falar, havia em meu coração uma mistura de dor, ódio, raiva. Tinham me tirado tudo, absolutamente tudo. — Cinco anos atrás, recebi uma mensagem. Eu disse, enquanto os olhos de Cristhofer se estreitavam e seu rosto empalidecia. — Uma mensagem dizendo que meu marido, aquele senhor perfeito que vocês veem ali. Apontei para ele. — Estava me traindo. Fui ao endereço que me mandaram, embora não pudesse acreditar, e adivinhem o que. Ri, enquanto todos olhavam para Cris com surpresa. Naquele momento, Aurora já havia acordado e me olhava como se visse uma morta falando, com pânico. — Ele estava me traindo com minha melhor amiga, Aurora. Mencionei, olhando para ela, e ela desmaiou novamente. — E por isso saí desesperada, alguém cortou os freios e eu sofri um acidente. Enquanto isso, os dois eram felizes na mansão que o meu pai me deu, na minha empresa e com os meus filhos. Agora passou a incomodar que eu estivesse viva e esse senhor mandou desligar os aparelhos. Mas Deus me deu outra chance de recuperar tudo o que é meu. exclamei, saindo dali enquanto todos murmuravam. Cris ficou um segundo e depois saiu correndo atrás de mim. — Melissa, espere. Ele disse enquanto eu entrava no carro, virei-me para olhá-lo. — Precisamos conversar. Ele acrescentou. — Falaremos a seu tempo. Eu disse entrando no carro e indo embora. Apesar de tudo, ainda me sentia insatisfeita, achei que isso era muito pouco pelo que me fizeram, precisava vê-los rastejando no chão, pagando por tudo o que tinham feito, precisava de vingança e, embora não soubesse como faria algo que os humilhasse ainda mais, que lhes mostrasse os miseráveis que tinham sido. Eu havia perdido cinco anos, cinco longos anos longe dos meus filhos, e isso não ia ficar assim. — Filha, o que você vai fazer agora? Perguntou a minha mãe, que me acompanhava abraçando-me. — Vou buscar meus filhos. Respondi. — Melissa, você não pode simplesmente ir e tirar as crianças, elas ainda não te conhecem, elas vão ficar traumatizadas se a vida delas der uma reviravolta tão inesperada. — Não sei o que fazer, mãe, essa é a verdade. Pronunciei e ela me abraçou. — Minha filha descansa hoje, a esta hora esses anjinhos já devem estar dormindo, eles m*al te conhecem, você não pode simplesmente ir acordá-los e dizer que é a mãe deles porque não vão acreditar, eles acham que Aurora é a mãe deles, foi isso que aqueles dois m*alnascidos fizeram eles acreditarem. — Esperarei até amanhã, mas estou com tanta ansiedade que nem conseguirei dormir. Acrescentei, e o carro parou em frente à casa da minha mãe. *************** — Ainda não consigo acreditar nisso. Disse Cris com uma xícara de chá de tília na mão, da qual saía fumaça, seu rosto parecia demacrado e pálido, a preocupação que sentia era evidente. — O que será de nós agora, Cris? Perguntou Aurora. — Minha esposa está viva, você sabe o que isso significa, ela vai vir por tudo, pelas crianças, pela empresa, pela casa dela e por nós. E somos os culpados por tudo. Fizemos muito m*al, acabamos com a vida da Melissa. — Dito assim, parecemos monstros. Não somos os primeiros nem os últimos humanos a serem infiéis, Cris, agora ela nos faz parecer os vilões. — Melhor eu ir me deitar, estou estressado e você me estressa ainda mais. Ele exclamou, olhando-a com um pouco de raiva. ******************** Cedo pela manhã eu estava tocando a campainha da minha casa, embora pareça engraçado, não é, eu tive que bater na porta da minha própria casa porque agora as chaves estavam com aqueles impostores. Abriu a minha governanta, a senhora que sempre esteve lá desde que o meu pai me deu aquela casa, uma senhora já idosa. — A... Senhora, está viva! Ela cobriu os lábios. — As notícias são verdadeiras, não imagina o quanto me alegra que esteja de volta. Ela derramou algumas lágrimas abaixando a cabeça e eu a abracei, ela correspondeu feliz. —Bem-vinda de volta, deseja algo? Chamo o senhor? — Não é necessário. Sorri, caminhando pelo corredor que levava à sala, e lá estava Aurora acompanhada de duas crianças, meus filhos, era a primeira vez que os via, meu peito se comprimiu e fiquei muda, perdi toda a coragem que tinha ao vê-los. Eram tão lindos, tão ternos, a menina usava um vestido rosa e o cabelo solto com um laço enorme, o cabelo dela era escuro como o meu, as bochechas vermelhas, ela era linda. O menino quase igual, com o cabelo preto curto e o olhar mais vivo. Ambos estavam sentados no chão com um jogo de legos e Aurora estava de costas para a entrada, por isso quem me viu foram os pequenos e não ela. Eu fui incapaz de falar e então ouvi a doce voz dos meus filhos: — Mamãe. Murmura a menina enquanto eu apenas fico imóvel, e não, minha filhinha de cinco anos não está se dirigindo a mim, suas palavras são para a amante do meu marido. A mulher que me roubou meus filhos, meu marido, meu casamento, minhas joias, minha vida. A mulher que chamava de amiga e que tratava como uma irmã. Aquela que entrou na minha casa com segundas intenções e conseguiu, ficou com tudo o que era meu. — Alguém está te procurando, mamãe. Ouço meu pequeno dizer, suas palavras ardem em meu coração. Aurora se levanta e se vira para me olhar, caminha em minha direção e as crianças a seguem, elas não sabem quem eu sou, ela fica paralisada ao me ver ali. No entanto, ele me olha com orgulho, por cima do ombro. Os meus filhos se abraçam às pernas dela e lá vem descendo, aquele homem que ainda é meu marido e que fez mais do que ser infiel. Trouxe a amante para dentro de casa e deixou que ela criasse os meus filhos como se fossem dela. Ele fica paralisado ao me ver ali. — O que você está fazendo aqui? Ela pergunta com orgulho, olhando para mim por cima do ombro do homem. Em vez de sentir vergonha, ela se sente orgulhosa. — Você não tem mais nada aqui, passou cinco anos em coma, perdeu tudo. Ela sorri e abraça os pequenos como se eles lhe pertencessem. Ela sabe que de tudo isso é precisamente o que mais me dói. — Esta casa está em meu nome, o seu noivo continua sendo meu marido perante a lei e esses pequenos carregam o meu sangue. Vim buscar tudo o que é meu... — Quieta, pare! Falou Cristhofer com autoridade, uma que ele já não tinha sobre mim, olhei para ele com soberba. —Vamos para o meu escritório, vamos ter uma conversa de adultos como deve ser, só você e eu, sem os pequenos. Os olhos de Aurora arregalaram-se. — Está bem. Respondi, olhando para os pequenos e agachando-me diante deles. — Miguel, Mía, meus amores cresceram tanto. Disse a ponto de chorar, pegando uma mãozinha de cada criança. Eles me observaram confusos, só tinham cinco aninhos e nunca me viram, nem ninguém lhes falou de mim. — Você me conhece? Perguntou o menino, observando-me fixamente. Ambos tinha os mesmos olhos do pai. — Sim, eu sou.... — É a sua tia e ela vai morar nesta casa junto conosco. Adiantou-se a dizer Cristhofer. — É mentira, eu sou... — Você quer o bem das crianças, não é? Ou você só quer acabar com a gente? Fiquei em silêncio, abracei os pequenos que estavam muito confusos, sentindo novamente depois de tanto tempo o cheiro dos meus filhos, o calor dos seus abraços, mesmo que não me conhecessem. Queria que soubessem a verdade, mas sem machucá-los. — Siga-me. Disse Cris e eu caminhei atrás dele para seu escritório. — Crianças, já volto. Disse Aurora. — Não, você cuida das crianças, nós dois conversaremos sozinhos. Ele acrescentou, com autoridade, ela apenas obedeceu, mostrando-se submissa. — São meus filhos, eles saberão a verdade, e vocês dois vão embora daqui. Exclamei quando entramos no escritório. — Meli, deixe-me explicar o que aconteceu naquele dia, deixe-me explicar por que ainda estou com Aurora. Eu te amo só a você. Ele exclamou cinicamente. — Não me faça rir, não quero ouvir nada de você, quero você longe da minha vida e da vida dos meus filhos. — Temo que isso seja muito difícil para você conseguir, pelo menos não por agora. Quando você estava em coma, solicitei a guarda total dos gêmeos para evitar que a sua mãe interferisse e quisesse tirá-los de mim. Ele explicou, as suas palavras me faziam odiá-lo mais. — Se você for agora e disser para aquelas crianças que nem te conhecem que você é a mãe delas, elas não vão acreditar em você, você só vai afetá-las psicologicamente, é uma notícia muito forte para duas crianças que só têm cinco anos, primeiro você deveria conquistar o carinho delas, deveríamos procurar algum psicólogo e depois que elas já te quiserem, contar a verdade e ver se o juiz te dá uma audiência para reivindicar a guarda compartilhada... — Total. Interrompi. — Nem pense que vou deixar você levar meus filhos tão facilmente. Ele acrescentou. — Enquanto isso, podemos conviver todos nesta casa. — Não quero sua amante aqui. Pronunciei. — Vou fazer com que ela vá embora. Melissa, me dê uma nova chance, só peço uma chance por causa das crianças. Ele se aproximou de mim. — Sempre te amei e você sabe disso. Você era minha mulher. Aurora tinha inveja de você. Ela me seduziu estando bêbado e me ameaçou dizendo que, se não continuássemos a nos ver, ela divulgaria fotos minhas nu em sua cama. Primeiro ela as enviaria para você e depois para todos e destruiria minha vida, nossa vida e nossa família. — Ah, por favor, Cristhofer, e espera que eu seja tão to*la a ponto de acreditar nisso. Cruzei os braços e ele se ajoelhou diante de mim. — Voltemos a ficar juntos, nem que seja pelos filhos. Só pense, você não pode ficar sozinha com eles, eles não te conhecem, você é uma estranha para eles, você não sabe a cor preferida deles, nem os jogos que gostam, nem a comida ou sobremesa favorita deles, nem os medicamentos que tomam quando estão doentes, nem como eles dormem ou o nome dos amigos deles. Já se passaram cinco anos e em cinco anos aconteceu muita coisa. Ele exclamou, e havia certo grau de razão no que ele dizia. Não sabia absolutamente nada dos meus filhos, nem eles de mim. O melhor era conquistar o carinho e a confiança deles antes que me vissem como uma inimiga e pensassem que eu era apenas quem os estava separando dos seus supostos pais. — Já chega! As coisas serão da seguinte forma: você ficará enquanto as crianças se adaptam a mim para não tornar a mudança tão brusca, e aquela vagabu*nda sairá da minha casa. Terminou dizendo. — Juro, Melissa, que vou reconquistar seu amor. Ele disse e eu ri, esse homem era um mentiroso e manipulador de primeira, agora entendo como pude viver tantos anos enganada, acreditando cegamente nele, pensando que tinha o marido perfeito. Mas eu já o conhecia muito bem. Nada do que ele tinha feito tinha perdão. Não ia ser de novo a to*la que caía nas suas armadilhas... ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍ ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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