Episódio 4

1844 Words
Cristhofer: Estava bebendo com o objetivo de me embriagar, sozinho, trancado no meu escritório. Eu me lembrava de quando Melissa e eu nos casamos, de como eu estava feliz quando vimos no ultrassom que eram dois bebês e do rosto dela de felicidade planejando os nomes dos nossos filhos. Eu me sentia a pior pessoa do planeta, ela não merecia todo o m*al que eu fiz a ela, sentia remorso e os meus olhos nublaram um pouco quando o meu telefone começou a tocar. Era o médico que cuidava de Melissa no hospital há algum tempo. Atendi imediatamente esperando saber o que havia acontecido com ela. — Olá, tem novidades para mim? Questionei. — Boa tarde, senhor, fizemos o que pediu e já desconectamos os equipamentos. A mãe de Melissa está cuidando de tudo. Um silêncio extremo se fez, não fui capaz de gesticular nenhuma palavra. Uma sensação de vazio encheu o meu peito, suspirei ao pensar, ficando mudo por um instante. — Ela está morta? Questionei, quebrando o silêncio doloroso, com um nó na garganta, senti mais dor do que imaginei que um cachorro infiel como eu pudesse sentir e, naquele exato instante, a ligação caiu. Tentei ligar para ele novamente, várias vezes para finalizar alguns detalhes, mas o telefone dava desligado ou fora da área de cobertura. Então suspirei, tomei outro gole do meu copo, um bem grande, e liguei para a mãe de Melissa, a senhora Leonor. Tinha certeza absoluta de que ela me odiava e tinha os seus motivos para isso. Não só traí a sua filha, como também levei uma mulher para sua casa e a afastei de seus netos, que eram a única família que lhe restava viva, já que o pai de Melissa havia morrido e Melissa era sua única filha. Sei que fui perverso e não justifico minhas ações, mas temia que, se eu permitisse que ela ficasse perto das crianças, ela as colocaria contra mim e contaria a elas que a verdadeira mãe delas era Melissa e que Aurora era apenas uma impostora, que não era a mãe delas e que era apenas uma miserável desleal que havia roubado tudo de sua amiga. Mas, de qualquer forma, Melissa era a mãe dos meus filhos e minha esposa, pelo menos perante a lei ela ainda era e é por isso que eu deveria comparecer ao funeral dela, caso contrário, o que diriam de mim? Minha empresa era muito bem-sucedida e eu estava sempre sob os holofotes, assim como minha vida. — Boa tarde, Leonor. Eu disse quando ela atendeu as minhas ligações depois de eu ter insistido umas quatro vezes. — Assassino, você matou minha filha. Ela está morta por sua culpa. Ela gritou. — Desculpe, sinto muito, mas a sua filha está morta há cinco anos, é hora de seguir em frente. — M*aldito idi*ota, você não tem coração. Ela exclamou e eu suspirei. — Só quero saber onde será o funeral. Questionei. — Na mesma funerária onde velamos o pai de Melissa, mas você não é bem-vindo lá, muito menos aquela mulherzinha. Ela gritou e eu apenas desliguei. Terminei a minha garrafa. Levantei-me e saí dali. — Amor, o que aconteceu? Ela já morreu? Perguntou Aurora, cheia de curiosidade. — Sim, prepare-se, vamos ao funeral. — Já vou imediatamente. Ela correu para as escadas como se a tivesse convidada para ir a uma festa. E eu, no entanto, me sentia tão m*al, tão culpado. Ambos nos preparamos. As crianças estavam na sala quando descemos para ir embora, ambas vestidas de preto. — Papai, para onde vocês vão? Perguntou a menina. Aurora e eu trocamos olhares. — Vamos a uma festa, querida. Aurora sorriu, acariciando o rosto dela. Eu a olhei com reprovação e ela apenas deu de ombros. — Voltaremos em breve, comportem-se bem. Ajoelhei-me abraçando os dois ao mesmo tempo. — Desculpe. Murmurei, tão baixo que nem eles me ouviram. Aurora e eu fomos para o carro. Enquanto dirigia, ela colocou uma música. — Agora poderemos nos casar, ser a família que sempre quisemos, sem amarras. Ela sorriu, olhando para mim. — Posso te perguntar algo? Ela sorriu feliz, olhou para mim com surpresa, os seus olhos se iluminaram, acho que ela esperava que eu pedisse ela em casamento ou algo assim, o que eu não estava pensando de forma alguma no momento. — Você não sente nada? — Te amo. Ela respondeu — Falo da Melissa. Era sua melhor amiga, não sente pena? Culpa? — Melissa sempre foi egoísta. Ela respondeu, os meus olhos se estreitaram, fixos na estrada. — E não fui eu quem cortou o freio do carro, o que você quer que eu sinta pena? Tivemos que nos esconder por culpa dela. Amor... Isso não é culpa nossa. — Ainda pergunto como ela conseguiu descobrir que você estava comigo? E chegar aquele lugar. — Cris, parece que você não está feliz por estarmos finalmente juntos. Ela exclamou e eu não respondi, apenas parei o carro em frente ao local onde seria o funeral, já estava cheio de gente, Melissa tinha muita gente que a amava. Também havia imprensa lá. Cheguei ao funeral de Melissa e lá estava a sua mãe chorando em frente ao caixão. Caminhei e me aproximei, colocando um buquê de flores no caixão, que era completamente fechado. No fundo, eu me alegrava que fosse assim. Me sentiria culpado se visse o rosto dela e lembrasse que ela estava ali por minha culpa. Me virei e senti o buquê bater nas minhas costas, e quicar caindo no chão, como imaginei, aquela senhora já queria começar a fazer papelada. Uma sobrinha dela, que era muito amiga de Melissa, segurou os seus ombros. — Só ignora-os, tia, todos estão a olhar para nós. Exclamou e a senhora, graças a Deus, deu-lhe ouvidos e sentou-se perto do caixão. Eu caminhei em direção ao jardim de onde era o funeral. Havia algumas luzes acesas porque já era noite. Suspirei, Aurora tinha ficado dentro conversando com uma de suas amigas em comum com Melissa. Eu comecei a caminhar no jardim, sorri em um momento lembrando da risada de Melissa quando os pequenos sorriam ou reagiam ao nosso chamado, então senti novamente o peso tormentoso da culpa. Parei ao ver a silhueta de uma mulher de costas a certa distância na escuridão, ela usava um vestido longo e o cabelo solto, por trás era idêntica a ela. Caminhei apressadamente dando alguns passos para me aproximar e quando estava a dois metros dela mencionei seu nome: — Melissa. Eu chamei. Ela se virou ou me observou, triste, me culpando, usava um vestido branco, lindo, cheio de pérolas brancas e a parte de cima era de crochê, com mangas de crochê, o cabelo caía em seu rosto, uma maquiagem clara mas bonita adornava o seu rosto. Mas Melissa estava morta, então o que di*abos eu estava vendo? Um calafrio tremendo percorreu absolutamente cada parte do meu corpo. — Melissa. Repeti ao mesmo tempo que os meus lábios tremeram, meu rosto estava pálido e fiquei em choque, incapaz de me mover. Seus olhos, seus olhos pareciam estar vivos e me olhavam acusando, ou eu estava enlouquecendo ou o fantasma de Melissa estava aqui por mim, talvez fosse apenas o álcool ou minha consciência que havia começado a me atormentar por culpa. — Cris! Cristhofer! Ouvi a voz da Aurora atrás de mim e me virei, foi o único gesto que consegui fazer e ela caminhou em minha direção, eu fiquei parado imóvel como um t**o e com o coração gelado, ainda sentia calafrios, talvez um pouco de medo. — Melissa está aqui. Pronunciei, virando-me, mas não havia mais ninguém ali, só eu e minha mente que me pregou uma peça. — Claro que está aqui, é o funeral dela, ali está no caixão. Ela exclamou, eu engoli em seco. Havia algo de ironia em sua voz, mas eu não conseguia falar bem ainda, nem mesmo para repreendê-la por algo. —Você está pálido, parece que viu um morto. Eu te disse para não ficar bebendo. Ela acrescentou, e eu não falava, ainda estava paralisado. — Cris, fala alguma coisa, você está se sentindo m*al? Cris, todos estão esperando por você. Falei com a imprensa, agora você vai e diz algumas palavras em homenagem à sua falecida esposa. Ela sorriu. — Precisamos ficar bem, limpar nosso nome. Se você puder chorar um pouco para que sintam pena de você, melhor, e não se esqueça de dizer como você teve que cuidar sozinho das crianças na ausência dela e que eu te ajudei. Ela suspirou satisfeita, enquanto eu fiquei quieto sem falar. — Vou embora, não vou continuar neste teatro. Eu disse dando alguns passos. —Não me sinto bem. Acrescentei e ela se pendurou no meu braço. — Já chega, Cristhofer! Falamos anos sobre o que você diria no funeral da Melissa e agora parece que você tem medo dela, de uma morta... — Cuidado com o que você diz. Falei irritado, pegando-a pelo queixo e obrigando-a a olhar para mim, naquele momento eu havia perdido completamente a paciência. — Parece que você está esquecendo com quem está falando, não esqueça seu lugar, Aurora. Saí de lá irritado e o representante da minha empresa falou ao me ver chegar, pelo visto já estava tudo preparado. — Agora o nosso CEO e diretor executivo da empresa, que também era marido de nossa querida Melissa, dirá algumas palavras em sua homenagem. Ele acrescentou, entregando-me o microfone onde estava, e todos os presentes olharam para mim. Naquele momento, eu já não tinha mais vontade de falar, menos depois do que eu tinha visto há alguns minutos. Naquele, Aurora já estava entrando no salão onde o funeral estava sendo realizado. — Não é necessário que ele diga nada. Ouvi aquela voz que conhecia perfeitamente e o meu corpo se tensou completamente. Uma luz iluminou a parte escura do salão e lá estava Melissa, de pé, com a cabeça erguida e seu lindo vestido branco. — Fiquei calada por muito tempo, as palavras agora quem dira, sou eu. Ela acrescentou. Aurora desmaiou e não foi a única. Alguns caminharam para trás, a minha irmã ajoelhou-se e começou a rezar, e alguns começaram a murmurar, até mesmo a gritar e pedir perdão por seus pecados. Eu fiquei ali mudo, sem conseguir mover um único músculo e sem entender o que estava acontecendo, enquanto a imprensa começou a gravar tanto Melissa quanto a reação dos presentes. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍ ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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