Na manhĂŁ seguinte, a mansĂŁo parecia diferente. Mais viva. Mais quente.
Cassie acordou no quarto dela, ainda sentindo o toque de Hoseok em cada centĂmetro da pele. A noite anterior parecia um sonho — mas os detalhes vĂvidos da memĂłria deixavam claro que nĂŁo era. Era real. E com isso, vinha uma nova camada de medo. O que aquilo significava? O que aconteceria agora?
Desceu as escadas devagar, o coração acelerado.
Hoseok estava na cozinha, preparando café. A cena era simples, cotidiana. Mas, para Cassie, foi como se o tempo parasse por um instante.
Ele olhou para ela e sorriu.
— Bom dia.
— Bom dia — ela respondeu, se aproximando.
— Café? — perguntou, estendendo uma caneca.
— Aceito, se vier com mais um daqueles beijos da madrugada.
Hoseok riu e puxou-a pela cintura, depositando um beijo suave em seus lábios.
Cassie se deixou ficar ali, nos braços dele, com os olhos fechados.
— Isso aqui... é real, né? — perguntou, hesitante.
— É — ele respondeu com firmeza. — É real e eu quero que continue sendo.
Ela assentiu, encostando a testa na dele.
— Então vamos com calma. Um passo de cada vez.
— Desde que seja ao seu lado, qualquer passo vale.
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Na universidade
O clima nos corredores mudou. Era impossĂvel nĂŁo notar os olhares — principalmente depois de Hoseok pegar a mĂŁo de Cassie entre as aulas e nĂŁo soltar. Era oficial. Eles estavam juntos.
Alguns cochichos começaram, especialmente de garotas que estavam acostumadas a ter Hoseok como um territĂłrio inatingĂvel. Uma delas era Min Jiyeon, colega de turma e ex-affair ocasional de Hoseok, que nĂŁo parecia aceitar bem a novidade.
— Quem diria... o Jung Hoseok domesticado. — Jiyeon disse em tom sarcástico quando os viu passando.
— Quem diria que você ainda tenta chamar atenção — Cassie respondeu, sem paciência.
Hoseok apenas sorriu com a resposta. Ele a puxou para mais perto, orgulhoso da atitude.
Mas nem todos os olhares eram hostis.
Yoongi observava tudo à distância, os olhos sérios. Quando Cassie passou pelo corredor que ligava o estúdio de dança às salas teóricas, ele se aproximou.
— Então… você e o Hoseok?
Ela parou, surpresa.
— É. Aconteceu.
Yoongi olhou para o chĂŁo, depois ergueu o olhar novamente.
— Só espero que ele saiba o que tem nas mãos.
— Por quê? Você acha que ele não sabe?
— Acho que ele tá começando a entender — Yoongi respondeu. — Mas você merece alguém que não precise “aprender” a te valorizar.
Cassie franziu o cenho.
— Isso parece mais sobre você do que sobre ele.
Yoongi deu um meio sorriso.
— Talvez seja.
E se afastou antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.
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No final do dia
Cassie subia as escadas da mansĂŁo quando ouviu uma conversa no escritĂłrio de Hannah. A porta estava entreaberta.
— ...não quero problemas com essa menina, Hoseok — a voz de Hannah soava séria. — Você já tem obrigações demais. Relacionamentos não podem te distrair.
— Mãe, ela não é um problema — ele respondeu. — Cassie é a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos.
Cassie ficou ali, imĂłvel.
— Só peço que tenha cuidado. Você sabe como esse mundo funciona. Pessoas como ela... bem, não são como a gente.
A frase caiu como um soco.
Cassie desceu as escadas antes que alguém a visse. Entrou no quarto e se trancou, o peito apertado.
Não importava o quanto ela tentasse. Sempre teria alguém para lembrá-la de que ela era diferente. Que não pertencia.
E, mesmo que Hoseok a amasse… será que isso seria suficiente para enfrentar tudo?