Como Cristais

831 Words
_Qual era o problema daquele garoto? _perguntei de repente, e pelo olhar que Helena me lançou, percebi que ela sabia exatamente de quem eu estava falando. _Tudo que você precisa saber sobre ele é que ele é o tipo certo de garoto errado, Pegan. Ok? _ela encerrou o assunto, pegando sua bolsa do encosto da cadeira e se levantando _E quer um conselho ótimo, o melhor que eu poderia te dar? Fique bem longe dele... _e ela saiu pela porta do hall de entrada. Corri para acompanhá-la. Dez minutos depois, o Neon desbotado estacionava em frente a um prédio desigual cor de vinho com janelas brancas, que mais parecia uma enorme Catedral antiga, com um arco no teto apontado para cima. Era óbvio que era uma construção do século XIX. Um lance de escadas enorme cercava a parte da frente de toda a construção, onde adolescentes estavam assentados em grupos separados, conversando audivelmente e rindo, como pessoas normais. Contemplei o cenário puramente invejável. O que eu não daria para ser apenas normal como qualquer uma daquelas pessoas? Uma bola começou a se formar em minha garganta, e me arqueei para frente, me sentindo realmente m*l. Eu só esperava que a escola tivesse alguma espécie de enfermaria. _Ei, Pegan. O que foi? _Helena sibilou ao meu lado. De repente, sua atenção era pior que sua indiferença. Me ajeitei no assento, respirando fundo e passando as mãos pelo rosto. _Estou bem. Só tive uma noite muito agitada. Pesadelos demais para um espaço tão curto de tempo... _deixei as reticências no ar, e quando percebi que ela esperava uma explicação mais extensa, dei de ombros._Aranhas. Helena deu um pulo, se virando completamente para mim no banco. Algo em seus olhos faiscou e ela me olhou de baixo. _Você sonhou com aranhas? Claro, eu sei que sou ridícula, mas e daí? Não precisa me jogar isto na cara o tempo todo... _Não, _corrigi saindo do carro _Tive pesadelos com aranhas... Fechei a porta e admirei o espaço em aberto por um tempo. Uma brisa fresca típica da manhã balançou meus cabelos, e inspirei fundo, saboreando o sabor do orvalho. Algumas árvores se estendiam ao longo, circulando a extensão do estacionamento e acabando quando ele acabava. Quando dei por mim, Helena já havia dado a volta no carro, com uma expressão ainda um tanto esquisita no rosto. Ótimo. Ela já me achava ainda mais esquisita que antes. _Ei, enfim vocês chegaram _uma voz a minha direita atraiu nossa atenção. Girei sobre os calcanhares. Mitchel estava sentado sobre o capô de uma picape escura, com os braços cruzados e uma camisa creme. Arqueei as sobrancelhas, visivelmente surpresa. Ele não parecia o mesmo de ontem à noite. Mesmo assim, o pentagrama em sua mandíbula parecia brilhar. Eu quis perguntar a Helena o que aquela tatuagem significava, mas Mitchel já havia se aproximado o suficiente para me ouvir. Ele deu um beijo rápido em Helena, e tentei olhar em outra direção. Aquilo era constrangedor. _Eu poderia apresentá-lo, _Helena deu de ombros para mim _Mas concluo que você já saiba quem ele é. Assenti com a cabeça, sem nenhuma palavra. Mitchel me olhou com um meio sorriso. Ele era bonito... mas não tanto. Não tanto como... Suspirei. O outro garoto... _Ei, bem _ele disse se dirigindo para mim _Eu queria, em nome de todos os outros, pedir desculpas a você por ontem. Eu sei que você está achando tudo isto meio estranho... mas, é coisa de família. Parecia ser uma piada da qual só ele e Helena sabiam a graça. Enfiei as mãos nos bolsos. _Família? _Ah, pois é. Família. _ele sorriu, e estava realmente sendo simpático. Mitchel se virou para Helena, seu sorriso se alargando, e a forma como ela olhava para ele deixava claro o que ela sentia _Então, vamos entrar? O sinal está quase soando. Gemi quando nos encaminhemos para as escadas da escola, e quando já estávamos no topo, o sinal soou. Estridente como uma campainha de incêndio. _Acho que temos tempo de levá-la até a sala dela para ela não se perder _Mitchel deu de ombros para Helena. Ela me avaliou por um segundo, e depois sorriu para ele, _Se você acha. Os corredores eram marrons, opacos, e exalavam um clima velho no ar. As janelas eram igualmente velhas, cheias de vidros quadrados ao invés de retangulares e extensos. E ao invés de ser de metal, a armação era de madeira. Havia fotos de antigos professores e diretores se destacado nas paredes, e vasos com plantas estranhas ao lado das portas. Em suma, se parecia muito com uma escola normal. Já não havia quase ninguém nos corredores quando paremos em frente a uma porta aberta. _Bem, é aqui _Mitchel disse, apontando para a porta, onde se lia Turma do Segundo Ano. Encolhi os ombros ao me virar para ele. _Bem, obrigada. Com um aperto no peito, observei os dois sumirem pelo corredor ainda a porta da sala, ajeitando a mochila nas costas com os ombros.
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