Capítulo 1
Maggie
Era costume ter os olhos de Nathan em mim. Não esse tipo de olhar que você está pensando.
Hoje é sexta e como sempre ele está de m*l humor. A razão? Porque a equipe de marketing não entregou a campanha da Nike a tempo. Resta para mim, a secretária, aguentar os surtos de raiva dele. Mas eu já estou acostumada com isso.
— Incompetentes! Uma bando de...porra!
Ele xinga enquanto anda de um lado para o outro em sua sala panorâmica de paredes de vidro — Com exceção a da porta e a que comporta sua imensa estante de livros.
— Vou pedir para que a equipe seja notificada, Alisson vai...
— Notificada? Não, Maggie, demitidos. Todos eles. — A fúria em seu rosto é exagerada, mas ele tem todo o direito. Eu o conheço bem o suficiente para saber que ele não vai voltar atrás dessa decisão. Nathan é decido e muito determinado, uma vez que toma uma decisão não volta atrás. — Eu quero uma nova equipe até a semana que vem. Que bando de...
Me levanto do sofá de couro preto e deixo meu tablet sob ele. Na escrivaninha há uma barra de chocolate com nozes, e em seu pequeno bar acoplado a estante de livros encho um copo de Whisky e gelo.
Nathan se senta em sua cadeira maestral — a qual ele sempre fica parecendo um rei em seu trono —, e afrouxa a gravata.
Um fato interessante sobre Nathan : ele ama chocolate. E isso sempre o acalma.
Ele bebe um gole do Whisky e então morde a barra de chocolate. Os lábios dele ficam sujos da massinha marrom e ele lambe os lábios vagarosamente.
Lindos lábios carnudos. Lábios que...
Não, Maggie. Você não pode.
— p***a, Maggie, não me olhe assim!
Me encolho.
Eu deveria deixar de sentir isso. Deveria dar uma folga ao meu coração e esquecer tudo o que ele já tinha dito, deveria esquecer que eu o rejeitara.
A alguns meses atrás Nathan se declarou para mim — algo raro e quase impossível pois ele era um galinha — e eu, como a i****a que sou, o rejeitei — mesmo desejando mais que tudo dizer "Sim, eu quero ser sua namorada."
É minha culpa.
Mas, felizmente, Nathan não me demitiu ou me tratou estranho devido a rejeição. Ele pode até ser um galinha arrogante que quase ninguém gosta, mas é um bom chefe.
— Desculpe. — Me recomponho. — Vou dizer ao RH sua decisão e pedi que abram uma seleção.
Ele balança a cabeça em afirmação, mas está olhando fixamente para a frente.
Me movo na sala, indo em direção a porta. Giro a maçaneta mas antes que eu saia ele diz:
— Eu já lhe disse o quão linda está hoje?
Me viro para ele. Tenho que morder o interior da bochecha para não sorri. Nathan está escorado nas costas da cadeira, a cabeça quebrada para o lado o lado e os olhos vivos e me despindo. Uma arrepio percorreu minhas costas e eu quase arfei diante daquele sentimentos.
— Obrigada, senhor.
Saiu do escritório enquanto ainda tenho forças. Obrigada, senhor. Pfft, eu poderia ter dito "E o senhor está lindo também,como sempre. " Ou simplesmente ter feito algo mais feminino como sorri, ao invés disso eu saí correndo.
Por que eu sou tão tímida?
Por que eu tenho que sempre estragar as coisas?
Ahh, Margareth Jones, você vai morrer sozinha desse jeito.