De novo

1002 Words
Levantei devagar, sentindo cada parte do meu corpo reclamar em silêncio — como se ele tivesse sido completamente tomado. Fui atrás da minha lingerie, espalhada como evidência de tudo o que tinha acontecido. Ao passar diante do espelho, vi a mim mesma: uma mulher crua, descabelada, marcada por uma noite que não deveria ter acontecido… mas aconteceu. E eu estava feliz. Feliz de me sentir viva. E destruída — daquele jeito estranho, quase positivo, que só quem já foi muito tocada entende. Mas ainda assim, ali estava o perigo. Ali estava ele. E comigo, as consequências que batiam à porta: a minha reputação, a minha carreira promissora… e o mais urgente de tudo naquele momento: meu emprego. Procurei minha bolsa com pressa, tentando encontrar o celular. Nada. Nem sinal do meu relógio de pulso. Olhei em volta até meus olhos pousarem no relógio de parede da sala: três e quinze da manhã. Suspirei. Ajustei o sutiã, fui subindo as meias e prendendo a cinta-liga com mãos trêmulas. Foi quando ouvi aquela respiração atrás de mim — baixa, quente, indisciplinada. — Já vai? Espera amanhecer — ele disse, com a voz arrastada de quem não tem pressa pra nada. — Eu vou de táxi. Eu preciso ir — murmurei, sem coragem de encará-lo. Quando me virei, ele estava ali. Nu. Inteiramente nu. Como se não houvesse mais nada entre nós a esconder. Sem pudor. Sem culpa. Sem medo de mim. — Volta pra cama. Quando amanhecer, eu te levo — insistiu, olhando pra mim como quem oferece abrigo… ou perigo. — Acho melhor eu ir. — Acho melhor você ficar. Quero repetir tudo o que a gente fez. — Não! — rebati, com a voz mais irritada do que eu esperava. — Eu quero. Eu te quero… de novo. Ele se aproximou com calma, deslizou a mão pelas minhas costas, ajeitou meu cabelo e encostou o nariz gelado na minha pele como se quisesse sentir o meu cheiro... Como se conhecesse os atalhos, os silêncios, as carências que eu fingia não ter. Como se soubesse que fazia tempo demais desde que alguém me tocava assim — com vontade, com desejo real. Eu me derreto diante de suas investidas e ele, mais uma vez puxa minha calcinha para baixo e eu seguro relutante. — Que tal a gente começar tudo de novo? A gente repete… e vê se o primeiro ou o segundo ato foi melhor. Antes que eu respondesse, ele me conduz pra trás, suave, mas firme, até me fazer sentar no sofá. Involuntária. Entregue. Sem reação, deixei que ele me beijasse. O gosto era de sono, de madrugada m*l dormida, de boca sem escova. E eu sabia que minha boca também estava igual. Mas aquilo era mais do que um beijo. Era um pedido de permanência. Um assédio a minha integridade de boa moça. — Você vai me fazer me perder… perder tudo que eu conquistei até aqui — confessei, entre um suspiro e outro. — Pra você pode ser nada. Mas pra mim é muito. Ele não se importava. Não com as palavras que saíam da minha boca. Ele só ouvia o que queria. O que precisava. O que o corpo dele entendia. E o pior de tudo? Ele conseguiu. Tirou a minha calcinha a jogando para trás e me vez ajoelhar naquele sofá. Meu coração batia forte e ele também sem preliminares. Me levou ao paraíso de um adulto, colocando em prática as mais variadas fantasias de uma mulher carente e sem muita experiência. Era um homem vivido, quantas mulheres ele já não teve na vida? A maneira que ele me segurava junta a si, a força e intensidade, fazendo minhas pernas perderem o controle e meu rosto pressionado na almofada e, com o tempo, o meu fôlego e os deles se renderam a gemidos mais altos e desregulados. Aquele cara me fez gozar tão intensamente que ele, cansado, admirou- se em me ver totalmente desprendida a modos. Liam me tira daquela posição, me segura para não cair do sofá junto a ele e beija minha bochecha esquerda, uma reação involuntária de que o fez gozar e ser retribuído. Satisfeitos, dormimos ali mesmo e só acordei com ele me chamando para a cama, eram cinco e meia da manhã e com o ar condicionado no máximo me aconchego a ele e durmo até às nove e quarenta e cinco da manhã seguinte. Me assusto ao ver a hora e ele já não estava ao meu lado. Liam deixou toda a minha roupa dobrada ao lado da cama e resolvi tomar um banho, rapidamente e tirar toda vergonha que insisti em carregar naquela manhã e morrendo de medo de alguma coisa, um sexto sentido avisasse Bárbara sobre o que ainda estava acontecendo no Hotel Azize. Peguei o xampu, o condicionador dele e passei no meu cabelo para não sair tão arrasada daquele hotel e mais uma vez dei falta do meu celular. Já vestida, o encontro falando em alemão ao telefone e pouco me olhou diante de uma mesa de café farto e uma serviçal parada que ao me encarar ficou surpresa em me ver ali. — Senta! Toma café, já vou te levar para casa. — Liam diz e continua ao telefone. — Sirva ela, por favor, Nádia. — Sim, senhor! Liam sai e sou encarada de maneira afrontosa por aquela mulher, que, ao meu ver, não era feia e aquele flat certamente não é novo para Liam e quem sabe, Bárbara também frequenta aquele recinto. Assim que confirmei que a cara emburrada daquela camareira, serviçal, sei lá o que, era para mim, logo dispensei no momento em que Liam se retirou da mesa para conversar melhor. — Pode deixar, eu me sirvo! A tal Nádia se retira e volta a posição de antes e eu, já aceitando o fato de despertar certo repúdio, pois estava no apartamento de um cara conhecido e para quem curte vida social da high society, sabia muito bem que eu não pertencia aquele meio.
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