CAPÍTULO 13 KARINA NARRANDO Eu segurei ela mais um pouco antes de soltar. Não porque ela pediu. Porque eu senti que, se soltasse cedo demais, ela desmoronava de novo. A Gabriela tava em choque. Não era drama. Era susto real. Daqueles que entram no corpo e travam tudo por dentro. Eu conheço esse olhar. Já vi em muita gente que chegou no morro achando que ainda tinha escolha. — Respira comigo — falei baixo, devagar. — Um… dois… três… Ela tentou acompanhar. O choro foi diminuindo aos poucos, mas os olhos ainda tavam perdidos. O Digão acha que resolve tudo decidindo rápido. E, muitas vezes, resolve mesmo. Mas ele esquece que nem todo mundo cresceu aprendendo a engolir medo seco, sem água. — Vem — falei, puxando a cadeira pra ela sentar direito. — Vamos comer mais um pouco. De estômago v

