CAPÍTULO 14 GABRIELA NARRANDO Entrei no carro ainda meio sem acreditar no que tinha acabado de acontecer. As sacolas no meu colo pareciam mais pesadas do que eram, como se carregassem mais do que roupa. Talvez um pedaço de mim que eu achei que já tinha ficado pra trás. Karina ligou o carro e começou a subir o morro devagar. A moto veio atrás, como antes. Eu ainda estranhava aquilo, mas já não me sentia tão travada. Não era conforto. Era adaptação forçada. O caminho seguiu em silêncio por alguns minutos, até que ela diminuiu a velocidade e encostou em frente a uma lojinha pequena, cheia de cores na vitrine. — Espera aí — ela disse, soltando o cinto. — Falta uma coisa. — Falta? — perguntei, confusa. — Falta você se sentir completa — respondeu, já abrindo a porta. Entramos na loja de

