CAPÍTULO 15 DIGÃO NARRANDO Entrei em casa só pra pegar o carregador do rádio. Coisa rápida. O dia já tava correndo errado desde cedo, e quando é assim, eu prefiro resolver logo antes que vire bagunça. Passei direto pela sala, subi pro escritório. A casa tava cheia, barulho normal, rádio estalando informação, gente indo e vindo. Meu mundo sempre foi assim. Controle no meio do caos. Abri a gaveta da mesa, puxei o carregador e já ia sair quando ouvi o passo atrás de mim. — Digão. A voz da Karina. Fechei a gaveta devagar e virei. Ela tava parada na porta, braço cruzado, o rosto sério. Não era pedido. Era confronto. Conheço minha irmã o suficiente pra saber. — Não leva ela pra boca — ela falou, sem rodeio. Suspirei pelo nariz. — Karina, agora não. — Agora sim — ela rebateu, entrando

