Erik A madrugada caiu pesada sobre o Morro do Horizonte. O ar cheirava a pólvora, e o som distante de rajadas lembrava que o inferno estava sempre à espreita. Eu ainda sentia o gosto amargo da guerra na boca, mas, naquele instante, meu coração batia diferente — rápido, ansioso, indomável. Não era por medo. Era por ela. Desde o último confronto, quando o sangue escorreu pelas vielas e o barulho dos tiros tomou o céu, eu não conseguia parar de pensar em Samanta. O jeito como ela me olhava, assustada e doce ao mesmo tempo, me tirava o chão. Aquela menina tinha entrado na minha mente como uma bala perdida — rápida, silenciosa, impossível de arrancar. Eu tentei resistir. Juro que tentei. Vinícius me alertou: — Tu tá vacilando, irmão. O morro sente quando o chefe tá distraído. Mas como expl

