• Capítulo 8 •

1258 Words
Ana Júlia Alencar ❦. Compartilhar? Era a pergunta que eu fazia enquanto a garçonete se afastava de nós. Afinal de contas, por que Rubens estava bravo? Quis mentalmente måtar Charlotte por isso; dröga, custava ter me levado para casa. Mas, segundo ela, minha vida não era só livros e missões. Revirei os olhos, lembrando o que ela me falou o caminho inteiro até o galpão. Que depois me levaria a uma festa e que eu não tinha escolha. Pois a vida não era feita de livros de romance e missões. Terminei meu gin e coloquei a taça na mesa, não sabia se tinha sido uma boa ideia decidir ficar. Talvez fosse melhor irmos embora. Eu e Rubens não nos dávamos bem sozinhos. Sempre brigávamos, e tudo o que eu não queria hoje era brigar. Não mais. Estava exausta, como se não tivesse passado o dia inteiro deitada na cama. — Vamos? — ele se levantou e logo me lembrei para onde eu havia escolhido ir. "Não gosto do que praticam dentro daquela sala, mas você pode ir conhecer sozinha se quiser!" A voz de Charlotte ecoou em minha mente e logo me levantei. Confirmei com a cabeça, meu coração parecia que iria sair pela boca. Assim que passei por Rubens, meu coração gelou e minhas mãos suaram. Havia algo errado, parecia que estava entrando no portão do įnferno e ele seria meu guia. Assim que empurrei a porta, conforme indicado na placa, meu corpo inteiro se arrepiou; o lugar parecia gelado pelo ar condicionado. As luzes eram diferentes de lá fora, vermelhas; era todo o cômodo vermelho. Havia um corredor longo, com vários quartos. Lotte tinha me explicado que os quartos com luzes brancas estavam livres, e os com luzes vermelhas estavam ocupados. Somente os que tinham luzes verdes permitiam a entrada de outros casais para participar, como em uma orgia. Olhei para cada um deles, sentindo a presença de Erdoğan atrás de mim como um muro, cobrindo até mesmo minha sombra. Passei pelo primeiro quarto; uma mulher estava com uma espécie de mordaça na boca e seu pescoço era puxado para trás enquanto o homem a estocava sem parar. Ele parecia prestes a quebrar o pescoço dela, Jesus! Ao olhar para o outro lado, uma mulher recebia um tapa na cara e logo depois sorria. Certo... visto por fora, parecia tão brutal? Violento? — Existe uma palavra de segurança — a voz grossa de Rubens soou em meu ouvido e, assim que olhei para trás, o vi me observando. Seus passos eram lentos, como os meus. Ele ainda usava a mesma calça de moletom preta e uma blusa larga da mesma cor. Seu cabelo, agora seco, parecia mais bagunçado, como se tivesse sido de propósito. — Se ficar muito violento para a submissa ou passar dos limites de dominação, existe uma palavra de segurança. Ele explicou quando viu minha confusão. — Tipo "lilás"? — ouvi sua risada atrás de mim e fiquei feliz por estarmos rindo como antes e não brigando. — Isso. Se o acordo entre a submissa e o dominante for esse, a palavra de segurança pode ser "lilás". — Então para na hora? — estava curiosa demais, isso de alguma forma despertava interesse e muita curiosidade em mim. — Uhum — ele respondeu. E logo parei de andar, sendo quase empurrada por Rubens, surpreso. A mulher que eu estava vendo na televisão lá fora não estava mais ajoelhada, mas erguida; seus pés, antes presos, estavam soltos. Em volta da cintura do rapaz, ela gritava e parecia estar em uma bolha de prazer. — Algemas de couro... — a voz baixa de Rubens me deixava mais inquieta do que eu já estava. Não sabia em qual momento sua voz havia ficado grave e... ronca. — Tem várias. — Ela... — engoli em seco, querendo tomar meu gin ou uma jarra de água. Ela parecia estar sentindo muito prazer com aquilo. O corpo dela brilhava em suor enquanto o homem a segurava firmemente pela cintura. Os dois não estavam contra a parede; ele apenas a segurava no ar enquanto a fodia desesperadamente. Logo, a fantasia de ser eu se esvaziou da minha mente... gorda do jeito que era, aquilo não seria nem possível para mim. — Quero ir embora. Me virei na direção de Erdoğan e ele pareceu surpreso com a minha reação. Meu corpo estava quente, não sabia dizer se pelo gin ou qualquer outra coisa. Mas estava quente demais; agora nem o ar condicionado ajudava. Metade de mim queria continuar e terminar de ver o corredor, mas outra parte... essas mulheres eram diferentes de mim. Aqui dentro, enquanto passava, não vi nenhuma delas com o tipo de corpo que eu tinha. Não sabia se o calor me irritava mais ou a insegurança que apoderava do meu peito. Puxei minha blusa, lembrando que mostrava minha barriga e certamente minhas dobrinhas nas costas e laterais. — Pare de puxar a blusa — Rubens não falou comigo normalmente. Parecia que estava ordenando que eu parasse. Comecei a olhar para os lados, sentindo o nervosismo me abraçar. O que, Caralhö, estava fazendo aqui? Com mulheres peladas mostrando seus corpos esbeltos, cintura fina, b***a empinada, peito duro, barriga chapada... aqui não era meu lugar nem fodęndo. Minha casa, meu quarto e meus livros eram o meu lugar. — Ana Júlia Alencar! — pisquei no instante em que senti a presença de Rubens próxima demais. Assim que voltei a prestar atenção nele e não no meu pequeno ataque, dei um passo para trás, encostando na parede gelada. Logo, arqueei o corpo pelo choque gelado e rocei meu corpo com o dele. Sentindo... sentindo um volume roçar em minha barriga. Erdoğan estava duro... claro que estava! Com tantas pessoas bonitas nesse lugar. — Eu mandei parar de puxar a blusa — seu hálito de whisky com hortelã invadiu meu espaço. A mão direita dele foi para a parede, impedindo minha saída. O copo antes em sua mão estava no pequeno vão do vidro, como se tivesse sido feito para isso. — Por que quer ir embora? — Estou cansada — ele fechou os olhos e estalou a língua. — Mentira. — engoli minha saliva, precisando urgentemente de água. Assim que ele inclinou a cabeça novamente para baixo, ficando um pouco mais à minha altura, senti meu corpo inteiro esquentar, mas especificamente uma região. Minha virilha pegava fogo; merda, não era hora e nem lugar para ficar excitada por ele. — Não minta para mim, anjo. Eu estava alucinando, era isso. Tinha droga no meu gin. Eu fui dopada depois! Por que diabos Rubens Erdoğan estava me chamando de anjo? ANJO! — Você me chamou de... — ele baixou um pouco mais o pescoço e afundou o nariz entre meu pescoço e meus cabelos. Senti-o respirar meu cheiro. Ele estava passando o nariz pelo meu pescoço e meus cabelos como se estivesse me farejando. Estou drogada. — Anjo — ele repetiu no pé do meu ouvido e senti minhas pernas amolecerem. Logo sua mão livre segurou minha cintura e, quando tentei desviar do seu toque nas minhas dobrinhas, ele me apertou e eu gemi. p***a, arfei, sentindo tudo ao meu redor sumir. O mundo inteiro parou e havia apenas eu e ele. Estava sentindo a respiração dele em meu pescoço, sua mão em minha cintura. Meu coração parecia que iria sair pela boca. — Por que quer ir embora, Alencar? — Não... — minha voz saiu trêmula e baixa — Não sou igual a elas — confessei — me sinto incomodada.
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