• Capítulo 10 •

1864 Words
A Elite °°°°° O colchão confortável onde estava, o cheiro de casa limpa e os lençóis de cetim faziam minha percepção da noite passada parecer um pouco mais clara. Não estava em casa, e sim no meu apartamento. Abri os olhos, encarei o espelho no teto e suspirei. Assim que me levantei, sentando na cama, senti um peso no lado direito. Quando olhei para o colchão, vi a mulher magra, de cabelos curtos e pretos, se mexendo. Esfreguei as mãos no rosto, tentando lembrar do final da minha noite. Fui até a parte do bar na seção de submissão do clube. Não demorou muito para que essa mulher se sentasse ao meu lado, e logo chamássemos um carro para ir para o meu canto. Relaxei cada parte do meu corpo e agradeci por isso. Precisava esquecer daquela noite, e nada melhor que sęxo para isso. No instante em que me joguei na cama novamente e encarei a tela do meu celular, pulei. Levantei-me rapidamente. — O que aconteceu? — ouvi a voz de Milena. Creio que era esse o nome, se não estou ficando doido. — Preciso ir — falei, andando pelo quarto, mesmo com a luz apagada. Conhecia bem minha própria casa. — Pode ficar se quiser, não precisa acordar agora. — Não vai me deixar um número de telefone? — Fiz uma careta e agradeci pela escuridão do quarto. Já estava deixando-a ficar um pouco mais no meu apartamento; era só sęxo. — Estou atrasado — disse, puxando uma calça de moletom da gaveta e saindo do quarto sem que ela dissesse mais nada. Fui rapidamente para o banheiro social. Assim que acendi a luz e me encarei no espelho, suspirei. Meus cabelos estavam bagunçados e chamavam atenção por si só pelo branco natural. Coloquei a calça de moletom, agradecendo por já estar de cueca. Escovei os dentes com uma das escovas novas que tinha na gaveta, lavei o rosto e saí como entrei. Parei no meio do caminho quando vi a mulher que deveria estar deitada. Ela era magra, com o corpo de uma modelo, cabelos pretos e curtos na altura do ombro, nariz fino e empinado, olhos azuis como o mar e boca carnuda, claramente preenchimento. Ela estava enrolada no lençol e sorria com meu celular na mão. — Achei que iria precisar disso — ela estendeu o celular, e assim que peguei o aparelho, seu corpo me puxou para perto de si. No instante em que seus lábios encontraram os meus, agarrei seu maxilar, impedindo que continuasse avançando. — Falei ontem que não beijo — Odįava beijar qualquer mulher que trazia para este apartamento. A única que beijei foi Cecília, que me ensinou grande parte das coisas que sei. Depois dela, ninguém mais, até ontem à noite. Fechei os olhos, afastando qualquer imagem que minha mente ousasse relembrar. — Tenha um bom dia. — Bom dia, mestre — ela disse com um riso que pude ouvir enquanto me afastava rumo à saída. Desbloqueei o celular e procurei o número de Cida, uma senhora amável que cuidava do meu apartamento desde que o comprei. Com quatorze anos, para ser mais exato. Claro que Makyson fez os devidos contatos para que uma criança tivesse um apartamento em seu nome. Apenas ele, Cida e Ramon sabiam do meu apartamento. Preferia dormir mais aqui do que na sede. Enviei uma mensagem informando que havia alguém dentro do apartamento e pedindo que fosse até lá para organizar e cuidar em minha ausência. Ela respondeu com um "bom dia" e um "ok". Assim que saí do elevador, encarei minha garagem com a moto estacionada. Caminhei até o gaveteiro de chaves e, antes de subir na moto, abri o BMW, pegando uma camisa preta que sabia que tinha lá. Suspirei, sabendo que ouviria até minha última geração por este malditō atraso. No instante em que as portas do elevador se abriram, Ramon estava à minha espera. Com os braços cruzados e uma cara de poucos amigos. Ramon Aplin era o braço e os olhos de Makyson aqui dentro; o velhote tinha uma ótima relação com o Don. Ele e Dorotéia haviam contado uma história no passado, e pelo que eu entendi, os dois cuidavam mais de Makyson do que o próprio pai. Abaixei a cabeça enquanto saía do elevador e olhei para meu relógio de pulso. Seis e cinco. Eu deveria estar aqui às cinco horas da manhã. O horário em que toca a maldïta sirene para que a gente se levante, e às seis estamos sentados tomando café. Um ritual que nunca muda; desde que me entendo por gente é assim. Passei pelo meu treinador e caminhei até a enorme mesa de jantar. Sentei na única cadeira vazia e com o prato vazio. Ramon, em silêncio, se sentou na cadeira dele, na ponta da mesa. Eu sempre me sentava ao lado de Ana Júlia. Ela ficava na cadeira do meio e do outro lado, Charlotte. Na minha frente, o i****a do Silas Ao lado dele, as cadeiras vazias agora eram ocupadas pelos novatos. — Agora podemos iniciar o nosso café da manhã — O barulho de pratos e talheres começou, e logo todos se serviram. Suspirei e esfreguei as mãos no rosto, depois baguncei ainda mais meu cabelo. Não me sentia bem, estava completamente desnorteado e isso me incomodava demais. Peguei minha xícara e me servi de café preto sem açúcar, pronto para acordar de vez. — As férias acabaram, crianças — Todos olhamos na direção de Ramon, que cortava seu pedaço de torta com maestria e paciência. — Para não ficarmos todos com coisas pendentes, eu irei delegar nossas atividades. Os membros da elite aumentaram, então creio que não será pesado para ninguém. A elite, como éramos chamados dentro da organização. Ou peças maiores, como o xadrez, Makyson gostava de pensar assim. Éramos diferentes dos peões; tínhamos que saber jogar de acordo com o que o Don queria. Nós éramos quem fazia o trabalho sujo, não tínhamos registros na polícia. Se um dia houve, era apagado. Não nos envolvíamos diretamente em assassïnatos ou sequestros. Cada um da elite tinha a sua própria especialidade. Lisa Santiago, a garota que, nessas férias, resolveu viajar e estava fora por um tempo. A mais baixinha da equipe, com seus cabelos lisos e pretos cortados até o ombro. Pele clara e sardas no rosto. Claramente uma feição juvenil e que pouco mostrava suas habilidades com facas. Ela era realmente incrível nessa área, tenho que admitir. Conseguia acertar uma faca tão bem quanto eu acertava um tiro. Silas Bratvan, o idïota arrogante e egocêntrico. Da minha altura, com cabelos loiros cortados em degradê, pele branca, mas bronzeada graças às viagens que fazia. Os olhos pretos como a escuridão da noite. Seu sorriso sempre sarcástico nos lábios mostrava o quão importante ele era. Nenhum m****o sentado nesta mesa conseguia se manter invisível sem sua ajuda. Silas era um falsificador. Fazia documentações do zero como se fosse uma atividade normal, como respirar. Charlotte Saito, com seus cabelos longos, pele branca impecável e os olhos puxados graças à sua etnia. Ela conseguia arrebentar qualquer tranca com uma sutileza invejável. Desde um simples cadeado até um cofre de banco. Fora sua habilidade de entrar em tubos de ventilação sem ser ouvida ou detectada. Como se seu corpo fosse uma pena silenciosa. Julia Alencar, como gostava de ser chamada na facção. Com seus cabelos ruivos e longos até a cintura, sua pele bronzeada e olhos tão castanhos e claros que beiravam o mel. A única poliglota da facção, tão fascinada por livros e química que se tornou a melhor dentre nós. Ela sabia mexer com componentes químicos como ninguém, podia facilmente envenenar a todos, não por isso geralmente Makyson delegava a ela missões secretas, assim como fazia comigo. Quando precisava måtar sem sujeira ou alerta. E eu, como o único hacker da elite. Nós cinco completávamos a elite. Por muito tempo foi somente nós, e demorou demais para entrar membros novos. Com exceção deste ano, com a entrada dos irmãos Sanchez, ainda não fazia ideia de quais eram exatamente suas habilidades. Pois, para entrar aqui, para ser da elite, apenas atirar e måtar não era o suficiente. Se fosse Mancini, não precisaria criar a elite. Estava curioso sobre o que aqueles dois sabiam fazer. — Rubens e Julia — parei de divagar em minha mente e voltei minha atenção para ele. — Vocês dois já têm uma missão, então tratem de se mexer e me reportar tudo. Além disso, Júlia, a sua especial está na pasta vermelha em seu quarto. Franzi a testa e só então olhei para Alencar. Com seus cabelos ruivos presos em um coque, como todas as manhãs, sua camisola preta com uma das alças caída no ombro. — Rubens, você e Silas vão trabalhar juntos nesses dois meses. — Olhei para Bratvan, e ele piscou rapidamente para mim. — Silas, além de trabalhar junto com Rubens, atuará em conjunto com os irmãos Sanchez. Lisa e Charlotte, vocês duas vão trabalhar nos mesmos projetos. No total, ele havia dado duas missões para cada um de nós, sendo que os irmãos Sanchez foram os únicos que receberam apenas uma. Todos terminamos o café, cada um em seu próprio mundo. Assim que terminei meu café preto, levantei-me da mesa, sabendo que tinha apenas trinta minutos para subir. Entrei no elevador e não fui impedido de sair da mesa de café. Assim que cheguei ao andar dos quartos, o correto seria ir para o meu, mas algo dentro de mim não conseguia simplesmente ignorar a existência de Ana. Quando me vi, já estava abrindo a porta do seu quarto, e agradeci por não estar trancada. Fui direto na direção da escrivaninha, que era igual em todos os quartos. Ignorei o cheiro doce de morango e hortelã que impregnava o quarto dela. Assim que peguei a pasta e abri, o nome de um senador brilhava, junto com sua foto: André Zyuganov. O senhor, com seus sessenta e sete anos, era claramente visível pela calvície e cabelos brancos. Nariz um pouco gordinho e bochechas cheias. Pulei todas as informações não relevantes e fui até a última página, onde nosso objetivo sempre era mostrado. "eliminar", estava descrito. Significava que a mortę era o fim, franzi a testa ao ver o valor que ela iria receber após a missão ser concluída. Poderia ficar feliz, se o homem que veio aqui e a deixou extremamente desconfortável não viesse à minha mente. Deixei o envelope onde estava e saí do quarto, não querendo ser pego e muito menos conversar com ela no momento. Peguei a chave do meu quarto, destranquei a porta e fui direto na direção do meu computador e do envelope vermelho ao lado. O único que tinha a chave dos quartos era Ramon; isso explicava o envelope na mesa. Eu iria acessar as câmeras de segurança daquele dia e descobrir quem era aquele homem e por que dįabos Ana Júlia precisava de uma missão com um valor tão grande. Já ganharíamos um valor expressivo com o diamante, então por que ela queria mais? Algo em mim dizia que era aquele homem a minha resposta.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD