POV: Líam
Líam nunca duvidou de seu poder. Desde muito jovem, aprendeu a valorizar sua ascendência, uma mistura de forças ancestrais que o tornavam algo singular, um ser imbatível. Seu nascimento foi um espetáculo de dor e magia, quando sua mãe, uma bruxa poderosa, sucumbiu ao parto, dando à luz o filho que carregava em suas veias a herança de ser mestiço. Seu pai, um alfa impiedoso, também não sobreviveu à sua criação — morto pelo próprio filho em um ato de traição e busca por poder. Isso, ele soubera desde o começo: o poder não se conquista apenas pela força, mas pela habilidade de manipular aqueles ao seu redor, de deixar que o medo se tornasse seu maior aliado.
Na alcateia onde Líam cresceu, o medo era a moeda mais valiosa. Ele não era apenas temido, ele era venerado. Suas presas afiadas e o sangue quente que corria em suas veias lhe davam um poder quase divino sobre os outros lobos, mas era a magia sombria que ele herdara de sua mãe que o tornava inigualável. Ela estava em seu sangue, nas suas mãos, nos seus olhos penetrantes de um amarelo dourado que pareciam ver a alma das criaturas ao seu redor. Com o tempo, ele aprendeu a controlar essa magia, a fazer com que a terra se dobrasse a seus desejos e que o fogo que queimava seu ser pudesse ser direcionado com precisão e crueldade.
Líam não era um simples alfa. Ele não governava com a liderança natural que seu pai exercia. Ele governava pelo medo, pelo terror psicológico, pela manipulação. Cada movimento seu era calculado, e cada palavra que saía de seus lábios tinha um peso de condenação. Seus olhos dourados faiscavam com malícia quando ele via os outros lobos se curvando diante dele, e um sorriso sádico tomava seu rosto. A dor era sua linguagem preferida, a subordinação sua única regra.
A alcateia, temerosa de seu poder, o seguia com olhos vigilantes, cientes de que qualquer erro poderia ser fatal. Não importava se ele se irritasse por um olhar, uma palavra dita fora de lugar ou um simples deslize. Líam não tolerava fraquezas. Quando um lobo mais jovem teve a ousadia de questioná-lo, Líam o fez pagar o preço de sua audácia, queimando-lhe a pele de forma c***l até que sua carne se desfizesse em cinzas diante dos outros membros. Aquela era a lição para todos. O medo mantinha todos na linha.
Os boatos sobre sua ascendência eram inúmeros. Alguns diziam que Líam era o próprio filho da escuridão, uma criação maldita das forças que governam os reinos da morte e da magia. Outros sussurravam que ele havia feito um pacto com os demônios, oferecendo a alma de seu pai em troca de um poder imensurável. Ele nunca se importou com os boatos. Para ele, tudo o que importava era o controle. Ele sabia que sua origem não significava apenas um legado de dor e morte — era uma marca de sua invencibilidade. Ele era o mais forte, o mais temido, o mais poderoso de todos, e não havia nada nem ninguém que pudesse desafiá-lo sem pagar o preço.
O vilarejo próximo à alcateia, uma pequena comunidade de caçadores e aldeões, vivia sob sua sombra. Quando a fome se fazia presente, ele os atacava, não por necessidade, mas por prazer. Ele sentia um prazer p********o em ver o desespero em seus rostos, em ouvir o grito de medo quando ele surgia nas sombras, com os olhos brilhando como fogo. As casas eram destruídas, as colheitas queimadas, e os gritos de terror ecoavam pela floresta, até que tudo se acalmasse novamente. Ele não precisava mais de sua alcateia para dominar os fracos — a simples presença de sua magia era suficiente para submeter qualquer um.
Foi durante uma noite sombria, com a lua cheia iluminando a terra com sua luz morta, que Líam encontrou a verdadeira razão para sua existência. Ele estava na floresta, longe da alcateia, com seus olhos fixos em um ponto distante. Havia algo ali, algo que ele não conseguia entender. Um poder, uma energia, algo que o atraía como se o chamasse para um novo estágio de sua ascensão. Ele se aproximou do local com cautela, sabendo que sua intuição raramente falhava.
Ao chegar, encontrou um círculo de pedras antigas, cobertas por musgo e envoltas em uma aura densa de magia. No centro, uma figura apareceu, uma mulher com cabelos negros como a noite, olhos vermelhos como o sangue e uma aura de poder que parecia rivalizar com a sua própria. Ela não era uma bruxa qualquer — ela era uma entidade, uma força primordial da natureza, uma criatura do além.
"Você é o filho da treva", disse ela, sua voz profunda e cheia de segredos antigos. "Mas o poder que você busca não está em sua linhagem. Está na sua alma."
Líam a observou, uma risada amarga escapando de seus lábios. "Eu já sou o mais forte. Não preciso de mais nada."
A mulher sorriu de maneira enigmática, como se soubesse algo que ele não compreendia. "Mas o poder que você possui é uma maldição, Líam. Seu próprio ódio e sua sede por controle estão envenenando sua essência. Você se vê como o soberano de todos, mas, na verdade, é um prisioneiro de sua própria escuridão."
As palavras dela o atingiram, mas ele não recuou. Ele era mais forte do que ela pensava, mais poderoso do que qualquer criatura deste mundo ou do além. "Eu não sou prisioneiro de ninguém", rosnou ele, avançando em direção à mulher, suas garras afiadas brilhando sob a luz da lua. "E você não tem o direito de me desafiar."
Ela ergueu uma mão, e o vento começou a uivar ao redor deles. A energia no ar mudou, tornando-se pesada, opressiva. "Você não entende, Líam. O poder que você carrega em suas veias vai consumi-lo. Você já matou seu pai, destruiu sua mãe. Não há redenção para você, apenas escuridão. Sua linhagem está marcada pela dor, pela traição, e você não pode escapar disso."
Líam parou, sentindo pela primeira vez um tremor em seu interior. Ele olhou para a mulher, seus olhos dourados agora opacos, como se algo tivesse sido despertado dentro de sua alma. Mas o orgulho não o deixou sucumbir. Ele se ergueu, mais alto, mais imponente, com seu poder de lobo e de bruxa entrelaçados.
"Você está errada", disse ele, sua voz agora fria e sem emoção. "Eu sou o mestre da minha própria existência. Eu sou o fim e o começo. Ninguém pode me destruir."
A mulher olhou para ele com uma expressão de pena. "Você ainda não entendeu, Líam. O verdadeiro poder não vem da destruição. Ele vem da compreensão. Mas, para você, será tarde demais, saberá em breve."
Com um gesto final, ela desapareceu, deixando Líam sozinho, imerso em seus pensamentos, em um vórtice de dúvidas e certezas conflitantes. Ele nunca antes havia sido desafiado dessa maneira, nunca antes alguém ousara questionar sua supremacia. Mas algo em suas palavras o fez parar, refletir.
Ainda assim, ele não se abalou. O medo não tinha lugar em seu coração. Ele não precisava de redenção, ele não precisava entender sua origem. O que importava era o poder, a dominação, a força. O mundo inteiro se curvaria diante dele, e ele tornaria todos os fracos, todos os que se opusessem a ele, em **.
Líam, o filho da treva, não seria derrotado. Seu reinado estava apenas começando.
E, na escuridão, ele sorriu.