a dor de juan

1047 Words

O caminhão de mudança estava parado em frente à casa, o motor ligado, esperando. Letícia ajudou a mãe a subir com cuidado. Poucas caixas, poucas malas — uma vida inteira resumida ao essencial. Antes de subir, ela olhou pela última vez para a casa onde tinha vivido amor, medo, proteção e dor. Não havia arrependimento, só tristeza mansa. — Vai ficar tudo bem, mãe — disse, segurando a mão dela. — Agora é só a gente. A mãe assentiu, os olhos cheios d’água, mas orgulhosos. — Você foi muito forte, minha filha. Letícia subiu no caminhão. Quando a porta fechou, sentou-se no banco duro e encostou a testa na janela. O caminhão começou a andar devagar. Rua após rua, tudo ficando para trás. Ela não chorou alto. As lágrimas caíam silenciosas, constantes, enquanto o coração aprendia a doer sem que

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