Os dias começaram a ganhar uma nova forma para Letícia. A casa simples no estado vizinho foi se enchendo de rotina. Acordar cedo, preparar o café da mãe, pegar dois ônibus até a loja onde tinha conseguido emprego. Nada de luxo, nada de seguranças, nada de carros blindados. Só trabalho honesto, cansaço real e a sensação estranha de estar, finalmente, no controle da própria vida. Ela trabalhava numa loja durante o dia, atendendo clientes, dobrando roupas, sorrindo por educação — não por obrigação emocional. À noite, seguia firme na faculdade. Exausta, sim. Mas orgulhosa. O dinheiro continuava caindo na conta todos os meses. Letícia via a notificação, respirava fundo… e não tocava. Deixava lá, intacto. Como se aquele valor não fosse mais dela, como se mexer significasse voltar um passo

