Primeiras vítimas

1316 Words
No meio da madrugada a festa tinha sido interrompida, pessoas em desespero, outras tirando foto e gravando os corpos para enviar em grupos nas redes sociais. Outras pessoas em completo choque e outros indo embora por não querer estar envolvido ou ser investigado sobre aquela morte.  Eloá saiu de fininho depois de pegar o dinheiro com Kirssa, saiu para a parte de trás do campus onde está vazio e se trocou, ou melhor, tirou aquela roupa e colocou dentro de um saco preto. Precisava esconder aquilo de alguma forma para que não encontrassem, pois provavelmente tinha DNA dentro da fantasia, por causa de saliva, suor, algum cabelo ou algo assim.  Ela lembrou que tinha um lugar próximo dali, que tinha um local onde jogavam diversas coisas da escola e ninguém se preocupava em olhar, então era um ótimo lugar para esconder temporariamente as suas roupas e o machado sujo de sangue. Nardoni precisava arrumar alguma forma de voltar com o machado para o seu quarto, pois tinha um nome gravado no cabo, a polícia chegaria na longe que vendeu e pelo número do machado, encontrariam ela.  Logo, ela voltou para o meio da multidão que cercava o corpo, esperando que a polícia chegasse ao local e fizesse o isolamento necessário. Muitas pessoas chorando e se perguntando o porquê daquele crime, o porque eles tinham morrido e ela apenas observava todo “drama” que as pessoas faziam, como ela descrevia o sentimento humano de compaixão e medo.  A escola cancelou o dia de aula no dia daquela segunda-feira, avisando que poderia acontecer o cancelamento de aulas nos outros dias daquela semana caso não encontrasse o assassino. Nardoni estava ali atenta a cada movimento da policia, desde cercar o local até fazer a retirada do corpo. Natalie, que era colega de Daniel, o garoto morto próximo ao banheiro reconheceu o colega por causa da blusa que ele estava usando, dando todas as identificações e os documentos do jovem para a polícia conseguir contactar a família e contar o que tinha acontecido.  Daniel Collins, conhecido pela família e pelos amigos como Dan, era calouro da universidade de Cambridge e estava na sua primeira festa desde o início das aulas. Ele era dedicado nos seus estudos e estava cursando direito, pois queria seguir o seu sonho de criança e ser o primeiro formado da família que ele vinha.  Por ser esforçado e nunca gostar de festas, foi naquela festa porque seus amigos imploraram para que ele fosse, prometendo ajudar eles com os trabalhos durante a semana. Naquele dia todo, Dan não queria sair de casa e foi convencido no último minuto a ir, mas ele foi reclamando todo o percurso. Parece que ele sentia que algo aconteceria naquela noite, ele sentia que estava prestes a acontecer alguma coisa r**m e aquela coisa aconteceu, a sua morte de uma forma trágica.   Os policiais já levantaram suspeita para um homem, pois deduziram que com a força dos golpes, só poderia ser um e tendo em consideração também que as vítimas eram altas. Não tinha como o agressor ter feito isso sendo menor do que eles e com uma força “inferior”. Pelo menos era o que a polícia deduzia naquele primeiro momento.  Os dois corpos foram removidos, a outra vítima era Joe Anton, estudante de educação física e com deficiência visual. Ele tinha o sonho de se tornar um professor futuramente, para mostrar para todos que tem como uma pessoa deficiente praticar esportes, sem toda discriminação que acontecia nas escolas, parques e locais de ensino esportivo que ele já tentou participar.  Ambas as vítimas eram pessoas novas, Dan com 22 anos e Joe com 24 anos. Daniel morreu por causa de uma brincadeira “de m*l gosto” que fez com quem ele não conhecia, já Joe morreu por estar no local errado e na hora errada, já que ele não viu nada sobre o crime por ser cego.  O reitor da faculdade informou que não teria aula naquela semana, por causa da gravidade do crime e para que a polícia tivesse tempo de analisar melhor o local antes de ter o local contaminado por diversos alunos que andariam pelo campus naquela semana.  - Nossa, uma semana livre. - Eloá comentou quando chegou ao apartamento e se jogou no sofá da sala - Que insensível Eloá, duas pessoas morreram hoje e você só consegue pensar que “vai ser uma semana livre”? - Anna perguntou com pesar, colocando as chaves sob o balcão da cozinha - E o que você quer que eu faça? Chore? Eu não conheço nenhum dos dois e se morreram, alguma coisa errada eles fizeram. - Nardoni comentou desbloqueando seu celular  - O mínimo é ter empatia né? Poderia ter sido algum amigo ou até a gente. Estava todo mundo fantasiado e de máscara, podem ter sido confundido e isso tirou a vida deles. - Campbell comentou enquanto enchia um copo de água  - Não vou discutir isso agora, estou cansada e vou aproveitar que não terei que acordar cedo para dormir até tarde. - Nardoni deu um pulo do sofá, caminhando até a cozinha para pegar uma fruta antes de seguir para o quarto. - Lembre a diarista de não me acordar amanhã, eu dou um jeito no meu quarto depois Anna ficou em choque com a frieza e a insensibilidade de Eloá naquele momento, mas relevou já que cada pessoa lida com a morte de uma forma diferente e ela não poderia cobrar que ela chorasse por alguém que ela morreu e ela sequer conhecia.  Mais tarde Anna acordou cedo como de costume, preparou o café da manhã e arrumou seu quarto. Queria que a diarista se preocupasse mais com a arrumação dos outros cômodos e com a compra da lista que ela tinha preparado naquela manhã, seguindo o que estava faltando e o que já tinha costume de comprar. Eloá tinha dado um valor extra para comprar bolo e sorvete para ela, já que era sua sobremesa favorita. Era muito mais prático fazer do que comprar, mas ela não ia para a cozinha preparar nada, preferia ficar com fome do que ter que levantar e arrumar algo para comer.  Aquilo irritava Campbell em vários níveis, porque ela estava ficando exausta de ter que sempre cozinhar ou comer na rua porque ela não fazia nada dentro de casa e só sabia comer o que estava pronto, mas relevava por causa da história de vida de Eloá e sabia que cozinhar poderia ser um gatilho para ela, já que ela passava horas na cozinha cozinhando com a sua mãe antes dela falecer.  A inocência de Anna fazia com que ela não percebesse os sinais de insensibilidade e falta de sentimentos da colega de apartamento. Sempre que questionava sobre algo relacionado ao sentimento positivo sobre outra pessoa, tinha uma desculpa sobre ela não se sentir bem, por causa da família e dos traumas que tinha passado quando estava no orfanato. Sempre tinha uma justificativa para seus lapsos de estresse quando não conseguia algo, para suas atitudes agressivas, seus comentários maldosos sobre outras pessoas e para aquela falta de sensibilidade.  A falta de informação e uma história triste, com um tom de piedade e arrego, faz com que Anna vivesse com uma psicopata extremamente perigosa sob o mesmo teto que ela. Também não tinha como ela saber e identificar algum sinal, já que sempre é estereotipado o que é um psicopata, sempre descrevendo ele como um assassino a sangue frio - mesmo que naquele momento Eloá se encaixasse naquela descrição - e nunca como uma pessoa capaz de destruir vidas com mentiras, apenas pelo prazer de mentir e manipular.  Tudo era muito desconhecido, sem informação e sem conhecimento prévio da situação. Como a psiquiatra Ana Beatriz disse uma vez, um psicopata pode morar ao seu lado. No caso de Anna, ele mora com você. 
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