📓 NARRADO POR MIGUEL SANTANA Acordei com o som da chaleira apitando. O cheiro de café fresco enchia a casa, e por um instante eu esqueci de onde vinha. O corpo ainda pesado, mas a mente leve coisa rara. Levantei devagar, o chão frio sob os pés, e fui até a sala. Manu tava deitada no tapete, os cabelos bagunçados e o pijama cheio de desenho. Brincava com as bonecas como se o mundo coubesse ali, entre o tapete e o sorriso dela. Rey tava sentado no sofá, camiseta cinza, cigarro apagado no canto da boca, olhando pra ela como quem olha um milagre. Não o tipo de homem que fala muito mas o olhar dele falava o tempo todo. — “Dorminhoco,” — ele disse quando me viu encostar na porta. — “A casa já tá viva e tu ainda sonhando.” — “Tava precisando dormir de verdade, pai.” Ele deu uma risada

