As Ruas Que Observam em Silêncio

1797 Words

Antes do sol subir de verdade, o lugar já estava atento. Não barulhento, não apressado — atento. Eu comecei a perceber isso nos pequenos gestos: a mulher que varria a frente da casa sem pressa, mas olhando ao redor; o homem que abria a porta do comércio observando a rua antes de levantar totalmente a grade; os jovens que caminhavam juntos, conversando pouco, atentos demais para quem só “andava”. As ruas observavam. E agora, eu sabia: observavam a mim também. Saí de casa naquela manhã com um objetivo simples. Levar um pacote para uma vizinha da tia Naná, um favor pequeno, mas que carregava um significado maior. Na Beira-Mar, favores não eram gentilezas vazias. Eram testes silenciosos. Caminhei com passos firmes, sem acelerar demais, sem hesitar. Aprendi rápido que ali postura dizia mais

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