Fugir Também É Sobreviver

1025 Words

A noite na Beira-Mar não era silenciosa. Ela respirava. Havia sons de conversas baixas, passos apressados, uma música distante que subia e descia como se viesse do fundo da terra. Para quem não conhecia, poderia parecer caos. Para mim, era apenas vida acontecendo sem pedir desculpa. Eu estava sentada na cama, com a mochila aberta aos meus pés. Não era exatamente uma mudança, mas também não era mais uma visita. Era a confirmação silenciosa de que eu não voltaria tão cedo — talvez nunca. Cada coisa que eu colocava ali tinha um peso simbólico. Não era só roupa. Era identidade. Era tudo o que sobrou depois de anos sendo diminuída. Passei a mão por uma blusa antiga e parei. Lembrei de quando a comprei, do comentário atravessado da minha irmã, do olhar de desaprovação da minha mãe. Dobrei

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