◦۪۪̥◦۪ │ ೃ
Bem longe dali, na parte do mundo onde os três sóis ainda brilhavam. Tão longe que ficavam a meses de distância. Nas terra da deusa Shay a deusa do amor, o quarto reino.

No quarto reino os pinheiros amarelos balançavam causando um burburinho no topo das montanhas, as flores se curvaram ao constante suspiro da brisa forte, os cabelos meus cabelos longos voaram, estávamos no terraço de onde podíamos ver a grande escada de ouro que ficava em frente ao palácio.
— Há algo que inquieta seu coração? — Iam me olhou desconfiado para Jussara que o olhou enquanto segurando Eveline nos braços olhando Hernan brincar com as pedras..

Fechei meus olhos, olhando o horizonte verde no entardecer do sol. — Estou pensando longe só isto.
— Pare de pensar no que sei que está pensando. Deve descansar, venha sente-se aqui.
— Mas, e se ele estiver certo? Se ele souber?
O desespero batia em meu coração como um balão de água a explodir, olhei para Eveline que dormir em meu colo, meu sorriso não saia com medo de perde- lá. Perder tudo que eu tinha esquecido que tive um dia.
Ian como o marido amoroso que era me abraçou, beijando minha testa quando me assentei ao seu lado.
— Venha! Estamos tomando um ótimo café, sobre a luz do sol com nossos filhos.
Ian pegou o prato e partiu uma torta de amoras roxas que eram as minhas preferidas.

Ele era o único que sabia quem eu era, oque já tinha me acontecido. Na noite em que fugi passei cinco noites na floresta com fome, na sexta noite pensei que iria morrer até que encontrei um rato e o assei.
Eu estava esperando a morte, quando um cavalo branco enorme me apareceu achei bom demais para ser verdade mais não era bom, com ele vinha soldados que estavam certamente me caçando.
Lutei com um dos guardas que tinha caído do cavalo, a espada dele perfurou a minha perna mais eu não desistir a dor de alguma forma naquele momento me alimentava, e comecei a lutar como me ensinado e quando vi ele estava morto.
Me senti tonta com minha perna sagrando entretanto se eu não saísse dali eu iria morrer.
Com dificuldade e dor u montei no animal que era manso, galopando pra longe dali.

Me lembro daquela noite sempre que fecho os olhos, eu não chorei não tinha lágrimas para chorar, passei sozinha pelo deserto, quando cheguei em terras onde os três sóis ainda ardiam no céu, percebi que tinha muito Maisa se explorar no mundo.
Eu tinha esquecido que tinha algo fora dos muros de Florença, quando cheguei ao terceiro reino meus pés estavam inchados de tanto andar, temi perder algo.
Eu tinha treze quando no dia em que fugi, cheguei ao terceiro reino que é frio como a pele daquele pouco, mais a alguma alegria e festa, trabalhei em uma taverna até completar dezoito anos.
Lá eles não ouviam o que aconteciam nas terras altas, as terras de cima era retrógrada comparada a tecnologia e conhecimento do terceiro e quarto reino.
Outras profecias, outras magias até mesmo outros medos nas florestas, ouvi dizer que o quarto reino era a terra dos sonhos. O rei tinha sete filhos.
Nunca pensei que meu caminho pudesse se cruzar com o de Iam quando comecei a trabalhar de tecelã no castelo.
Mas aconteceu, eu me escondia sempre com medo. Não que tenha mudado, mais agora eu tenho a ele, mas apesar de todos esses anos não tem um dia que eu não pense no meu povo, em Zion nas terras que eu nasci.
Eu abaixei a cabeça focando no respirar lento de Eveline dava em meus braços, ele chamou uma das servas para a menina na cama.
— Mamãe me conta uma história? — Hernan pediu olhando para irmã que quase dormia no colo da mãe. — Uma que não tenha me contado ainda.
Jussara fez um biquinho e sorriu. — Pois, bem eu tenho uma ótima. Você sabe como o mundo se formou?
Hernan cruzou as pernas sobre o sofá acolchoado por plumas de ganso vermelho, ela sentou ao seu lado e apontou para os três sóis.
— Laos, era o deus que comandava os céus ele tinha quatro filhos, ele era um deus bom porém um dia seu filho mais velho quis o seu trono e poder sobre a os céus e a terra e a liderança sobre os outros deuses, com tempo seus irmãos também pensaram igual a ele.
Percebendo isto, Laos os puniu tirando deles a sua imortalidade e seus poderes, os banindo para terra que era vazia e sem vida. Para eles tudo foi diferente, havia dor, fome e cansaço, solidão, todas as coisas que quando eram deuses nunca vivenciaram.
Ao ver isso laos lhe concedeu a luz, água em abundância e dividiu as terras para os quatros, fazendo assim cada um ser rei destas terras ele povoou a terra com mais mortais para que não sentisse mais solidão.
Ela suspirou, levantando os braços do menino que olhava maravilhado ouvindo sua nova história e o apontou para o luar estrelado.
— Entretanto, o filho mais novo sentia saudade da deusa Yanna, a deusa também sentia a sua falta e sussurrava isso através do vento era tão grande a sua saudade que ela fez brilhar no céu uma estrela para cada dia que ela sentia a falta dele. — Ian me olhava com brilhos nós olhos que só ele tinha para mim.
Continue.
— Até que um dia ela não aguentou de saudade e veio de juntar ao seu amado. Mas, ao ser humana Yana não se conformava com pouco poder, ela queria os três reinos além do que ela tinha como rainha, ela manipulou o seu amado para que tomasse as terras dos irmãos. O que ele fez, Yanna por escolher ser humana ela ainda tinha seus poderes de deusa, acabou criando várias criaturas para que seu exército fosse superior aos dos outros irmãos.
— Ah isso é trapacear! — Hernan juntou as mãozinhas gordas nas bochechas, cruzando as pernas no colo meu colo.
— Exatamente, o deus laos ficou com muita raiva e criou as filhas da luz, mulheres tão poderosas que poderia controlar o elemento mais difícil, o fogo. A guerra durou 100 anos mais no final elas ganharam a guerra e a paz foi restaurada nós quarto reinos.
— E oque aconteceu com Yanna? — Hernan perguntou curioso.
— Bom, os antigos dizem que ela foi aprisionada em um lugar onde ninguém sabe, mas dizem que ela um dia voltará e tentar de novo tomar tudo, mas se isso acontecer as filhas da luz estariam lá.
— Eu nunca vi uma.
— É por que elas não existem meu querido, é apenas uma história.
— Ei, elas existem sim.
— Claro, assim como essas fadas e esses outros animais que sua mãe inventa.
Deu um tapa no ombro de Ian que rio. — Não são inventadas, não moto quando digo que já vi uma. Elas eram de onde eu vim.
Hernan se inclinou me dando um beijo na bochecha. — Eu acredito em você mamãe! — Ele abriu a boca, bocejando.
— Parece que alguém já está com sono!! — Exclamei, sentindo a paz voltar ao meu coração com o sorriso desinibido de meu filho, eles se pareciam demais, Henan carregava os olhos azuis do pai e a pele rosada. Beijei o topo de sua cabeça.
— Mas, só posso dormir demais de jantar, estou morte de forme. — Ele se levantou limpando as migalhas de biscoito de mel que havia comido. — Me deem licença preciso me arrumar para o jantar. — Ele fez uma reverência, estava tão fofo que derreteu meu coração, eu soltei um riso concedendo que ele fosse.

— A cada dia se parece mais com você. — Ian me olhou passando a mão pela minha cabeça. — Venha, vamos nos arrumar para o jantar.
— Não, não estou bem para encarar sua mãe hoje, mande que as criadas mandem comida para o nosso quarto comerei lá e esperarei você para dormir.
Ele fechou a cara, seu peito subiu em uma respiração. Pude ver atrás dele as duas luas se juntando formando a noite, eu sorrir para ele esperando que ele entendesse.
— E acha que eu gosto de jantarmos todos juntos? Preciso de você aí meu lado você sabe. — Ele levantou, estendendo a mão para mim. — Venha, eu estou com você, Adele.
Pigarrei, olhando para os lados. — Não me chame assim aqui Ian.
— Perdão! — Ele me puxou delicadamente para que eu me levantasse, subindo meu queixo. — Só quero que saiba que eu não sou eles, você é a canção que sempre estará em meu coração.
Entrelaçou as mãos em minha cintura, eu sorrir me aproximando colando minha testa na dele, ele desabotoou o seu lindo sorriso do rosto.

— Eleim olain.
Disse baixinho, era "Eu te amo" Na língua antiga, ele me beijou a testa, antes que seus lábios pudesse tocar os meus a rainha se tornou presente no terraço.
— Como uma ratinha de rua sabe a antiga língua?
Ela disse, seu rosto testava curioso, suas sobrancelhas amareladas para cima, seu queixo tinha duas verrugas escuras, usava um vestido azul escuro enorme com sua coroa de rubis.
Eu tremi, me curvei junto com Ian, seus olhos se espremeram.
— Eu ando lendo bastante Rainha, todos anos aprendi algumas palavras.
— Você é cheia de defeitos querida. — Ela fez uma longa pausa, segurei as mãos de Ian ao seu lado, forte demais o nervosismo tomou conta do meu corpo até o último fio de cabelo. — Mas, o pior deles é que mete muito m*l. A forma que pronunciou não me parece de alguém que treinou sozinha.
— Eu a ajudei. — Ian completou. — E quanta vezes já disse para não chama-la de ratinha ela é...
— Uma ratinha, muito bonita mais uma rata das ruas. Nunca será um m****o da família real, embora tente se passar por uma. — Ela olhou pra Ian dos pés a cabeça. — Quanta vezes tenho que lhe dizer que você não manda aqui, eu a chamo como eu quiser. É o mínimo depois que seu pai permitiu seu casamento... — Ela andou até mim, sua mão cheia de anéis pegaram em meu cabelo, ela sorriu cinicamente. Seus olhos eram pura maldade. — Um dia eu irei ver essa coroa que você desfila por ai... E expulsa daqui a levando para o lugar onde merece.
Ian é o quarto filho de sete filhos do rei, e o quando ele me amava era quanto ele me amava era o quanto sua mãe me odiava. Ela sempre costumava dizer que só estava ali por que eu havia escolhido um dos mais inúteis de seus filhos, for o primogênito todos os seis filhos do rei eram dela.
Ela enrolou meu cabelo mas mãos e saiu andando, uma lágrimas caiu em meu rosto, Ian me abraçou de repente eu me peguei com medo novamente.
— Eu sinto muito você ter que ouvir isso, aquela mulher é um mostro.
— Não, ela está certa eu não deve...
Seus dedos me calaram, seus lábios tocaram os meus em um beijo urgente, meu coração derreteu mais uma vez e aquela borboletas Aida estavam ali, depois de oito anos, ainda era ele. Eu ainda o amava como no primeiro dia, em um passe de mágica o beijo se tornou urgente.
Ele me segurou pelos braços e sorriu. — O que me diz de jantarmos em nosso quarto só nos dois?
— Mas, você disse que...
— Esquece o que eu disse, eu só preciso de você e nada mais. — Minhas mãos descansaram em sua bochecha. Ele caminhou comido até o quarto.
Havia tanto amor entre nós que os insultos e ódio de sua mãe não me incomodavam por muito tempo, porém o medo as vezes me cercava, orava para que um dia meu irmão de algum modo se estivesse vivo, voltasse ao trono.
Mas, uma vez que se conheceu a paz não se quer mais voltar para guerra. Achava esse meu pensamento egoísta, mas quem eu iria voltar? Não sabia onde meu irmão estava, não sabia o que iria encontrar... Talvez um dia eu o veja novamente, mas agora eu só queria focar em continuar viva.
Eu vou superar isso, do mesmo jeito que sempre foi. Um dia de cada vez.