🥀 CLARA 🥀
A risada vem mais fácil depois do segundo copo.
Minha amiga fala, gesticula, reclama da vida, e eu concordo com tudo sem ouvir metade. Minha cabeça está longe, presa em um homem silencioso, em um olhar que pesa mais quando não toca. Escolhe que manteriamos distância, mas, é difícil quando é aquele corpo que vejo assim que acordou todos os dias.
— Você está diferente. — ela diz, estreitando os olhos. — Tem alguém te bagunçando?! Acho que mais forte que o Miguel.
Dou de ombros, covarde.
— Miguel virá finalmente. — comento, encarando meu dedo deslizar na borda do copo.
— porque não parece feliz com isso?
— eu estou. — sou sincera. — mas, estou com medo que nesse quase um ano e meio, eu tenha me iludido sozinha.
— Amiga, ele queria que você ficasse com todo o salário dele mensal. Você acha que ele não é louco por você?! — Érica sorri, apertando minha mão.
— Eu só, — balanço a cabeça tentando reorganizar meus pensamentos. — É complicado.
— pós vamos beber mais, pra descomplicar.
— amanhã vou está morrendo de ressaca. — choramingo vendo ela encher meu copo.
— pelo menos não vai conseguir pensar nesse homens. — brindamos e seguimos com a noite.
Quando volto para casa, o mundo parece levemente torto. A chave escapa dos meus dedos duas vezes, antes de eu suspirar, frustrada. É quando sinto uma presença atrás de mim.
— Quer ajuda?
Viro devagar. Miguel.
— Não precisa. Eu consigo. — Declaro tentando manter minha dignidade e também o pedido que eu fiz a ele.
Ele se aproxima, firme, seguro, e me cerca me fazendo encostar na parede, antes que minhas pernas cedam, e pega a chave da minha mão. O perfume dele, parece que foi feito para enfeitiçar, e a camisa preta aberta alguns botões, fazem minhas mãos tremerem querendo tocar seu peito.
— Minha vez de retribuir. — diz baixo, um sorriso sedutor nos lábios. — Você abriu a porta pra mim aquele dia. Mesmo que não queira mais ser minha amiga, ainda assim, quero retribuir. — se distanciou e abriu a porta, enquanto minhas pernas tendem a ficar moles.
Entramos. A porta se fecha com um clique que soa alto demais.
O silêncio pesa. O álcool me dá coragem — ou tira o juízo. Antes que eu pense, empurro Miguel de leve contra a parede. Minhas mãos encontram o peito dele, quente, sólido. Subo o rosto e beijo seu queixo, sentindo a respiração dele mudar.
— Clara. — ele murmura. — O que você está querendo?
Levanto o olhar, sem hesitar, e ele aperta meu queixo um pouco. Seu olhar me avaliando com cuidado.
— Agora? — digo, baixo mudando meus planos. — Você.
Miguel segura meu queixo com firmeza contida, impedindo que eu avance mais. Encaro ele sem entender.
— E isso aqui? — pergunta, sério. — A bengala. A prótese. Isso te incomoda?
Meu coração acelera. Aproximo meu corpo do dele, sem medo. Ele está inseguro por isso?!
— O que eu desejo em você. — respondo — parece estar perfeitamente bem. — declaro encostando minha coxa na sua i********e, quase gemendo ao sentir o comprimento duro.
O olhar dele escurece. Não me beija. Não ainda.
Miguel solta um riso baixo. Não é de deboche — é satisfeito, quase carinhoso.
— Eu não durmo com mulheres bêbadas — diz, me segurando pelos ombros. — muito menos comprometidas.
A frase me atinge como um tapa.
— eu não tenho compromisso. — retruco, ofendida, cruzando os braços.
— Você diz isso agora, mas, amanhã quando acordar cheia de culpa, vai sentir que tem.
Ele apenas sorri, aquele sorriso calmo demais para quem acabou de me negar. Segura meu braço com firmeza gentil e me conduz até o sofá.
— Senta — pede. — Antes que você caia tentando provar qualquer coisa.
— Eu não estou tão bêbada assim — reclamo, vergonha começando a chegar, porque eu não me reconheço agindo assim.
É tudo culpa da influência dele, com esse corpo terrivelmente trabalhado.
— Está o suficiente.
Some na cozinha, e eu fico ali, indignada e estranhamente segura. Quando volta, traz uma xícara fumegante.
— Café forte — anuncia. — Vai ajudar.
Faço drama. Reclamo do gosto. Ele não cede. Fico sob aquele olhar atento até tomar tudo.
— Pronto — diz. — Agora vem.
Me leva até o quarto com cuidado excessivo, como se eu fosse algo frágil demais para tocar. Isso me irrita. E me aquece.
— Eu preciso tomar banho. — aviso, já puxando o vestido. — Antes que eu comece a me despir na sua frente.
O olhar dele escurece por um segundo, mas Miguel não se move. Apenas me guia até o banheiro.
— Vou esperar você ficar pronta. — diz, colocando um roupão dobrado sobre a pia. — Não tranca a porta.
— Não confia em mim? — provoco.
— Confio em mim. — responde.
Ele fica do lado de fora. Ouço seus passos pararem perto da porta enquanto a água do chuveiro começa a cair. Fecho os olhos, sentindo o coração desacelerar aos poucos.
Mesmo separado por uma parede, Miguel está ali.
Esperando.
E a simples ideia disso faz meu corpo inteiro formigar.
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