Michelle Rangel
O sono me abraçou como uma amante misteriosa, que se vai muito antes dos primeiros raios de sol, apesar disso a escuridão do quarto me trouxe tranquilidade.
Liguei a televisão, e fiquei pulando os canais pensando que horas eram, preferi não olhar no relógio, minhas noites nos últimos anos normalmente tinham vinte e quatro horas.
Animais selvagens copulando ou se matando invadiram a televisão, e eu fiquei por ali, assistindo o que o apresentador chamava de “Espetáculo da Natureza".
Tesão e sobrevivência, dois instintos que dominam o mundo animal, não somos tão diferentes deles.
Levantei da cama confortável e procurei na mala, que estava no canto do quarto, um pijama, quando cheguei ontem a noite tirei apenas o tênis e a calça jeans, antes de desabar na cama.
Peguei uma camisola de cetim rosa de alcinha com desenhos de coração, a única roupa de dormir menos sexy que achei, e ainda assim a sua modelagem justa, marcavam todos os contornos do meu corpo, o toque frio do tecido deixando os meus s***s enrijecidos.
O telefone tocou e eu caminhei na ponta dos pés para atender:
— Srta. Rangel me desculpe o horário, Alecsandro Ferrari está na recepção e deseja vê-la. Eu disse que era tarde, mas ele insistiu — o homem falou sem graça.
— Deixe ele subir! — desliguei imediatamente o telefone e joguei a sacolinha com o lanche no lixo do banheiro.
Dei uma olhada no espelho, e soltei o meu cabelo, agora um pouco mais volumoso, parecendo uma juba de leão contracenando com o meu rosto em perfeita harmonia.
Ouço a batida na porta e aquela eletricidade já está presente, percorrendo como o sangue pelo meu corpo, abro a porta e lá está ele, camisa amassada com metade dos botões abertos, cabelo em desalinho, apoiando os braços no batente da porta, absurdamente lindo.
— Calor...
— Então resolveu passar por aqui pra se refrescar — dei um sorriso travesso e fiz um sinal para que ele entre.
— Não, vim aqui para me queimar de vez!
Ao dizer isso, ele encostou a porta atrás de si com o pé, sem tirar os olhos de mim, buscando um sinal de aprovação para o que desejava fazer.
Dei um pequeno passo à frente, o que foi suficiente para ser envolvida por aqueles braços fortes, sua mão contida na minha cintura me apertou forte, enquanto a outra mão direcionou o meu rosto, e os lábios dele encostaram nos meus, ele estava certo, ele veio aqui para queimar.
—Whisky? — perguntei com o rosto ainda próximo ao dele.
— Dose de coragem, eu não podia deixar você ir...
— Não podia?
— Quando te vi atravessando a rua e entrando no bar fiquei louco, você parecia um anjo, mesmo depois de ter te beijado eu estou aqui na sua frente, te olhando como se você fosse inalcançável. Não sei se eu te venero ou...
Seu olhar me desnudou e ele me agarrou agora voraz, apertando a minha b***a, se esfregando sem pudor em mim.
— Segunda opção — ele disse no meu ouvido enquanto sua mão subia por baixo da minha camisola puxando a calcinha, impaciente.
Ele me pegou no colo, e me deitou na cama, meu corpo pedia por ele, querendo o calor das suas mãos em partes específicas, suas mãos subiram pelas minhas coxas, mas não se deteve, ele tirou a minha camisola e se colocou sobre mim.
Afundei as minhas mãos em seus cabelos e o beijei, seu beijo era quente, por onde passava deixava um rastro de desejo desesperado, sua língua forçou a entrada dos meus lábios tomando posse, invasivo, severo e apaixonado.
— Você é minha essa noite e todas as outras! Fica comigo, Srta. Rangel...
Alecsandro retirou a calça, e a sua excitação ficou explícita na cueca box azul marinho, eu admirei a cena do seu corpo definido e bronzeado, enquanto ele retirou a camisa e por fim a cueca.
Suas mãos voltaram a atenção para o meu corpo e ele traçou um risco do pescoço passando pelos meus s***s, e seguindo sem reservas pela barriga, umbigo, pelve, até que os seus dedos hábeis chegaram na minha i********e já úmida e convidativa, ele penetrou um dedo dentro de mim e eu soltei um gemido de encontro ao seu ombro, ele me olhou corrompido por desejo, os seus dedos continuaram me possuindo, um dedo dentro de mim, enquanto o polegar estava circulando o meu c******s, apertei uma coxa contra a outra, procurando aplacar o fogo que me percorria.
— Eu prometo mais romance na próxima vez — ele disse enquanto deitou sobre o meu corpo, me penetrando firme.
Eu agarrei as suas costas, enquanto nos movemos sincronizados deixando o desejo dominar os nossos corpos, todo o controle com o qual ele havia me preparado para recebê-lo, o abandonou e ele mais parecia uma fera me fodendo com força, ele prendeu os meus pulsos acima da cabeça com uma mão, enquanto a outra continuou salpicando sensações pelos meus s***s, ele soltou um gemido baixo e rouco, envolveu o meu pescoço com a sua mão grande, pressionando na medida certa para que eu me perdesse explodindo de prazer agarrando os seus braços fortes e encarando aqueles olhos azuis que não tardou em me fazer companhia.
Seu gemido rouco e sensual preencheu o ambiente, quando ele gozou abundantemente dentro de mim.
— Michelle... vou te f***r pra sempre!
A água escorria pelo meu corpo sensível reacendendo o t***o por aquele homem que tive dentro de mim instantes atrás, deixei que o sabonete escorregasse por entre as minhas coxas, tentando de forma inconsciente apagar o fogo que insistia em permanecer ali.
— Como você conseguiu?
— A que você se refere?
— Como conseguiu que o recepcionista me chamasse esse horário?
— Uma foto e um autógrafo — ele sorriu despreocupado.
— Hmm...famoso assim? — me virei de costas para Alec que estava parado na porta do banheiro, me assistindo tomar banho.
Senti suas mãos nas minhas nádegas antes de obter uma resposta.
— Você é absurdamente gostosa! — ele fala enquanto sua ereção encostou em mim, corroborando com as suas palavras.
Depois de mais sexo eu estava faminta, pedimos café da manhã no quarto enquanto planejamos o dia.
— Eu darei uma palestra hoje, na universidade do centro.
— Hum...adoraria te assistir, mas vou pegar o avião dentro de algumas horas para Brasília, a banda tem uma apresentação importante por lá.
— Qual o nome da sua banda?
— More fire. Nunca ouviu falar de nós? - ele pareceu realmente surpreso.
— Acho que não tem muito sobre rock nos livros que eu leio.
— Então você deveria escrever um — ele riu.
Alec começou a se arrumar para ir embora, enquanto eu buscava algo decente para vestir, dentro da minha mala.
Um vestido longo, verde, com flores miúdas, de alcinha, tecido leve, era sem dúvida uma escolha adequada para o momento, quando o retirei do fundo da mala algumas peças de roupas se espalharam e um folheto voou pelo quarto.
Droga!
— Achei que não conhecia a banda? — ele balançou na minha direção o folheto com as informações do show da noite passada.
— Eu devo ter pego quando cheguei aqui, mas nem olhei...
Ele agarrou os meus braços apertando-os.
— Quem mandou você? ME FALA!!!
— Não sei do que você está falando — tento manter a calma.
— VOCÊ SABIA QUE EU ESTARIA ONTEM NO BAR, EU DUVIDO QUE VOCÊ SEJA PROFESSORA, OLHE PARA VOCÊ...
— ME SOLTE!!! — dei-lhe uma joelhada nas partes baixas e observo ele se dobrar de dor.
—Filha da...pu...ta — ele geme.
— NÃO SEJA UM BABACA, VOCÊ FOI ATRÁS DE MIM NO BAR, VOCÊ VEIO ATRÁS DE MIM AQUI NO HOTEL.
— Mas, você di...sse...você disse do hotel — sua voz era um sussurro.
Ainda visivelmente com dor, ele foi até a janela, observou a rua por um momento, alguns minutos depois foi em direção a porta.
— Eu não sei o que você quer, mas seja o que for não irá conseguir comigo.
— Pensão alimentícia, Sr. Rockstar! — dei uma risada sarcástica alisando a minha barriga.
Ele ficou pálido, e bateu a porta ao sair.