3 - Anjo ou demônio

1141 Words
Alecsandro Ferrari Saí do hotel perplexo, peguei o telefone e liguei para o meu assessor: — Alô... Preciso que me faça algo... descubra tudo sobre Michelle Rangel! Ela é professora... eu acho. Desliguei o telefone, caminhei até onde o meu carro estava estacionado, precisava ir para o aeroporto. Uma música começou a soar pelo alto falante do carro e o vento vindo pelas janelas abertas me reconforta, mas ela falou do hotel... Repasso todos os acontecimentos desde o momento que eu a vi entrando no bar, seu cabelo longo esvoaçante, corpo esguio, lábios carnudos feitos para serem beijados, sem dúvida uma das mulheres mais bonitas que já vi na minha vida, não, de longe a mais linda. Aquela conversa de que éramos apenas dois estranhos se querendo, ela sabia o tempo todo quem sou eu. — e******o! — Soco o volante. Não sou avesso a ideia de ser pai, mas ter um filho com uma pessoa tão mesquinha, que usaria o próprio filho para ascender socialmente, é totalmente perturbador. Eu não acredito que caí num golpe tão patético, caí de boca e p*u duro. Mas, ainda assim, há chance de que ela não engravide, faço uma prece aos céus. Por bondade o dia passa rápido e eu já estou no camarim me preparando para o show, meus colegas de banda Urso, Peter, Fred e a Mariflor estão conversando ao meu redor, eu tento acompanhar a conversa, mas o meu pensamento está distante, fazemos mais um brinde. — Ao melhor show do ano! — as garrafas de cerveja se tocam. Nesse momento Liam, que é meu primo e assessor, entra no camarim. — Olá, garanhão! — ele me cumprimenta. — Garanhão? Quem é a p*****a da vez? — Mariflor se manifesta. Não estou com paciência para as brincadeiras de Mariflor, dou um olhar sério para o meu primo que já me conhece o suficiente para entender que prefiro manter o assunto Michelle Rangel em sigilo. Saímos de dentro do camarim para uma área reservada, que no momento está vazia. — O quê descobriu? — perguntei sem fazer rodeios. — Muito bonita, vinte e cinco anos, sem redes sociais, professora de ensino infantil, solteira, mora em São Paulo... — Ensino infantil? —Isso mesmo. — Estranho. Achei que era professora de língua portuguesa, soube que ela daria uma palestra de comunicação. — Ah sim, ela foi convidada de última hora para substituir o professor universitário Risette, também achei estranho, mas eu iria adorar assistir mesmo que ela fosse contar a história da chapeuzinho vermelho, a mulher parece de outro mundo de tão perfeita. — Basta saber se é um anjo ou um demônio... Michelle Rangel A cinco anos atrás… Era por volta das três da manhã quando o telefone tocou: — Srta. Rangel, tenho informações sobre a morte dos seus pais. Você precisa vir sozinha… Coloquei uma blusa de moletom por cima do pijama, era uma madrugada chuvosa, em cima da mesa tinha muitas cartas, algumas ainda fechadas, mas eu já sabia o conteúdo. Eu posso fazer os seus problemas desaparecerem! Eu procurei a polícia, sabia muito bem quem era a alma bondosa que estava oferecendo ajuda, mas a polícia não podia fazer nada contra ele, ele era um homem muito influente e se ele desejava algo ninguém podia se recusar a dar-lhe. Quando eu estava virando a esquina de casa para me encontrar com a pessoa do telefonema, vi uma viatura passando muito devagar por mim, só percebi tarde demais que era mais uma parte do meu mundo desabando. Corri o mais rápido que pude de volta para casa, a tempo de ver um policial levando o meu menininho embora, eu fui acusada por abandono de incapaz, Victor foi levado para um abrigo provisório e depois transferido para um orfanato. Naquele dia, eu jurei me vingar! Pelos meus pais, por Melanie e por Victor. Eu destruiria toda a família Ferrari, assim como fizeram comigo, eu faria o mundo deles ruir, quando se dessem conta, assim como eu, não haveria mais ninguém por quem chorar. “Os mortos não podem escutar o nosso choro…” Eu fugi. Passei cinco anos no inferno, eu precisava de dinheiro e de um plano. Agora eu posso dizer que tenho os dois. — Michelle! Já estava com saudade. —Jason… — dou um beijo no rosto o cumprimentando. — Como foi a viagem? — Satisfatória. Eu consegui fa.. Não consigo completar a frase, porque sou interrompida por um braço forte ao redor do meu pescoço, cortando a passagem do oxigênio, tento me desvencilhar. — LUTE! — Jason grita — Nunca abaixe a guarda, Srta. Rangel. Ele me solta, eu desabo no chão, ele avança novamente, eu protejo a cabeça rolando para o lado, criando distância, me levanto, tento chutar o joelho dele para quebrar a base, mas ele é mais rápido, corro pelo matagal alcançando um bastão, estrategicamente escondido na mata alta, avanço contra o homem novamente, mas ele facilmente toma o bastão de mim, o objeto corta o vento me acertando em cheio na canela, fazendo minha perna falhar. — Está lenta hoje — Jason me estende a mão para que eu me levante. Continuamos o treino por mais uma hora e meia, até que solto o meu corpo exausto no chão, o mato me pinicando o corpo. — Ah Jason, eu também senti saudade de você… Jason era consultor de situações extremas, estava me treinando desde que eu resolvi abandonar aquela carcaça miseravelmente frágil do passado, com ele eu aprendia artes marciais, armamento e tiro, direção combativa, e o mais importante controle das emoções para soluções em situações extremas. — Toma uma cerveja comigo hoje! Tem um espetinho de carne de gato aqui perto, deve está com fome e sede. — Um outro dia — respondi sorrindo. Jason é um homem absurdamente atraente, maxilar quadrado, olhos castanhos com riscos dourado, que mais pareciam raios de sol, muito forte, muito sexy, estilo hãm… rústico, em um outro momento sem dúvida eu teria ido parar na cama dele fácil, ainda assim dou uma boa olhada na sua bela b***a, antes de ir embora. Quando estou entrando em casa, recebo uma ligação, uma mulher que acompanha a situação de Victor no orfanato me liga avisando que um casal decidiu adotar ele, e que já está tudo certo, ele irá embora do orfanato ainda hoje. Meu coração acelerou, e uma vontade de vomitar fez o meu corpo se dobrar, no orfanato mesmo escondida eu conseguia ir vê-lo. — Por favor, Celi, descubra para onde ele será levado, eu te imploro. Victor é filho de Melanie. Melanie deixou de existir no dia em que os seus pais morreram, também por culpa de Joseph Ferrari. Esse homem trouxe tragédia atrás de tragédia para a minha família, e agora o carma estava chegando para o fazer pagar, e eu sou o carma.
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