O Tumulto Após o Tahlilan da Quarta Noite
Capítulo 001: O Tumulto Após o Tahlilan da Quarta Noite
Quatro dias haviam se passado desde a morte de Arga e Aisyah.
Desde a primeira noite após o sepultamento, Ardan só voltava para casa tarde da noite. Ele havia faltado a todas as reuniões de tahlilan. O lugar onde deveria se sentar permanecia vazio noite após noite, tornando-se assunto entre os vizinhos que vinham prestar suas condolências.
Aruna também quase nunca estava em casa. Ela só voltava de vez em quando para trocar de roupa antes de retornar ao hospital, onde permanecia ao lado dos irmãos gêmeos mais novos, que ainda estavam em tratamento.
Durante todo o período de luto, praticamente toda a responsabilidade da casa recaiu apenas sobre Gavin.
Receber os visitantes, preparar comidas e bebidas, recolher as esteiras após cada tahlilan e atender aos parentes que continuavam chegando da manhã até a noite.
Seu corpo estava exausto.
Mas ainda mais cansativas eram as bocas das pessoas, que simplesmente não paravam de falar.
— Cang... isso não está certo. O Ardan não vai dar conta disso.
A voz de Tono quebrou o silêncio da sala.
Ele falou alto o suficiente para que várias pessoas que tomavam café levantassem o olhar.
— O que você quer dizer? — perguntou Halimah, erguendo a cabeça.
As rugas em sua testa se aprofundaram. Seu olhar atravessou Tono. Sendo muito mais velha, era evidente que não gostava da forma como o sobrinho levantava a voz diante dela.
— Faz quatro noites que ele não aparece no tahlilan — respondeu Tono, sem baixar o tom nem um pouco.
— É o tahlilan do próprio irmão. Eles são os únicos dois irmãos. A única coisa que ele precisava fazer era aparecer, e nem isso conseguiu.
A sala voltou a ficar em silêncio.
Várias pessoas trocaram olhares.
— O Om Ardan tem coisas para resolver, Cang...
Gavin falou baixinho.
Apesar da frustração, fez o possível para manter o respeito. À sua frente estavam tios, tias e parentes muito mais velhos do que ele.
— Resolver o quê, Vin?! — retrucou Rustam imediatamente.
— Está desempregado, mas age como se fosse ocupado demais.
As palavras atingiram Gavin como um tapa.
Seu peito se apertou.
— Como o Encang sabe que o Om Ardan está desempregado?
Pela primeira vez, sua voz se elevou.
Não porque quisesse discutir.
Mas porque aquela acusação já havia passado dos limites.
— Ah, qual é, Vin. — Rustam também aumentou a voz. — Muita gente já viu. Seu tio passa o dia inteiro vagando sem rumo.
O olhar firme de Gavin apenas alimentou ainda mais o temperamento de Rustam.
— É isso mesmo, Vin — acrescentou Tono. — Eu mesmo já vi ele andando com bandidos em Tanjung Priok.
— Talvez ele trabalhe lá — respondeu Gavin sem hesitar.
— Trabalhe como?
Minan soltou um bufar de desprezo.
— Ele é um dos bandidos de lá.
— Bang... não existe prova nenhuma. Não fique fazendo acusações!
Gavin começava a perder a paciência.
— Vin... — Marta finalmente falou.
— Eu sei que ele é seu tio. O irmão mais novo do seu pai. Mas não o defenda se ele realmente estiver errado.
Ela balançou a cabeça lentamente.
— Muita gente já viu como ele vive. Uma hora está em Tanjung Priok, outra em Senen, outra em Bantar Gebang.
— Exatamente.
Tono tornou a concordar com um aceno.
— Estamos dizendo isso pelo seu bem... e pelo bem dos seus irmãos mais novos que estão no hospital. Não confie demais no Ardan.
— Não foi uma ou duas pessoas que o viram — reforçou Rustam.
— Ele vive andando com gente da pior espécie. Que prova mais você precisa?
— Isso ainda não prova nada...
A voz de Gavin tornou-se mais pesada.
Ele continuou defendendo o tio.
Sozinho.
Naquela sala, era o único que ainda acreditava em Ardan.
— ...Vin.
Marwan finalmente falou.
Sua voz não era alta.
Mas bastou para que várias pessoas se voltassem para ele.
— Você ainda é só um garoto.
Ele olhou Gavin diretamente nos olhos.
— Ouça os mais velhos. Não estamos dizendo tudo isso por qualquer pessoa.
Fez uma breve pausa.
— Estamos dizendo isso por você.
— E pelos seus irmãos mais novos.
— Então pare de responder por um momento. Primeiro escute. Depois pense com calma.
Ninguém o interrompeu.
Como a pessoa mais velha da família, as palavras de Marwan tinham peso suficiente para que todos escolhessem permanecer em silêncio.
— Ele tem razão, Vin — disse Sundari, assentindo.
— Cuidar de bebês gêmeos não é fácil.
— Um bebê só já enlouquece qualquer um.
— Agora imagine dois.
Várias pessoas concordaram com a cabeça.
— É isso mesmo, Vin.
Sarna entrou na conversa.
— Um garoto como você não vai conseguir.
— Eu já não tenho filhos pequenos.
— Eu fico com um dos bebês.
Ela fez uma breve pausa antes de soltar um suspiro demorado, como se estivesse pesando as próprias palavras.
— Mas você sabe... a renda do meu marido não é grande.
— É só me dar um ou dois imóveis de aluguel do seu pai para eu poder comprar leite e fraldas.
As palavras ficaram suspensas no ar.
Gavin permaneceu calado.
Seu olhar lentamente se voltou para a mulher idosa.
Apenas quatro dias haviam se passado desde que seu pai fora enterrado.
E eles já estavam falando das casas de aluguel.
— Se o Uwak acabar tendo dificuldade para criar os dois bebês...
Demi entrou na conversa como se nada daquilo fosse estranho.
— Eu fico com um.
— Desde que receba o mesmo dinheiro para leite e fraldas que o Uwak.
— Vin.
Carnih também não pretendia ficar para trás.
— Se não, então deixe que eu crie um.
— Ainda sou jovem.
— Tenho muita disposição.
— Hah.
Demi lançou-lhe um olhar afiado.
— Você ainda é só uma garota.
— Não tem experiência nenhuma.
— E você tem? — retrucou Carnih imediatamente.
— Aposto que seus braços já estariam doendo depois de segurar um bebê por alguns minutos.
— Eu posso ter acabado de me casar.
— Mas ainda tenho minha mãe.
— Ela pode me ensinar.
— Isso mesmo.
Elis sorriu levemente em apoio à filha.
— Eu posso ajudar a ensinar a Carnih.
— Não se preocupe, Vin.
— Seus irmãos mais novos serão muito bem cuidados.
Uma voz se somava à outra.
Ninguém mais estava realmente falando sobre Gavin.
Nem sequer perguntavam o que ele queria.
Em vez disso, ocupavam-se em se oferecer.
Ou, mais precisamente...
Em dividir entre si os respectivos papéis.
A sala que antes estava cheia de palavras de condolências transformava-se lentamente em um mercado de negociações.
Gavin cerrou os dois punhos.
Desde o começo, já estava farto de ouvi-los falar m*l de Ardan.
Mas agora...
Eles tinham até começado a discutir como dividir os imóveis de aluguel e quem ficaria com a guarda dos gêmeos.
Seu pai ainda nem completara uma semana de sepultado.
E eles já faziam contas sobre a herança.
O peito de Gavin subia e descia enquanto ele lutava para conter a própria raiva.
Sim, ele tinha apenas dezenove anos.
Acabara de terminar os exames finais do ensino médio.
Mas isso não significava que fosse incapaz de entender para onde aquela conversa estava caminhando.
— Chega.
A voz de Gavin finalmente cortou todo o tumulto.
— Afinal, sobre o que vocês estão discutindo?
A sala mergulhou em um silêncio absoluto.
— Quanto aos gêmeos...
— ...a Aruna já está cuidando deles.
Foi como se alguém tivesse lançado uma pedra no meio de um lago completamente calmo.
Todas as cabeças se viraram para ele ao mesmo tempo.
— Aruna?
As vozes se sobrepuseram.
Algumas demonstravam surpresa.
Outras imediatamente revelavam desaprovação.
Trocaram olhares.
Ninguém disse uma palavra.
Mas sua linguagem corporal dizia mais do que o suficiente.
Era evidente que não gostaram da resposta de Gavin.
— E qual é o problema nisso?
Gavin olhou para cada um deles.
— Desde o começo...
— ...o pai confiou os gêmeos à Aruna.
Essas palavras apenas endureceram ainda mais várias expressões.
Gavin conseguia sentir todos aqueles olhares voltados para ele.
Olhares de desprezo.
Olhares direcionados diretamente para Aruna.
Não por causa de sua capacidade.
Mas por causa de sua posição.
Apenas uma enteada.
Nenhum deles falou.
Mesmo assim, suas expressões deixavam perfeitamente claro o que pensavam.
Era óbvio que o nome de Aruna não era a resposta que queriam ouvir.
— Vin...
Rustam finalmente soltou um longo suspiro.
— Seu pai não estava em condições de...
Ele interrompeu a frase no meio.
As palavras ficaram presas na garganta.
Mesmo tendo sido o mais barulhento da sala o tempo todo, ainda não conseguia dizer "morrendo" ao se referir a um homem que havia sido enterrado apenas quatro dias antes.
— Cang.
Gavin terminou a frase por ele.
— O pai estava morrendo.
O ambiente congelou.
— Mas é justamente por isso...
— ...que eu tenho absoluta certeza de que o pai sabia muito bem qual decisão estava tomando.
Não havia o menor traço de hesitação em sua voz.
— Aquela foi a última decisão do pai.
— E eu acredito...
— ...que foi a decisão certa.
Várias pessoas imediatamente trocaram olhares.
Não esperavam que Gavin respondesse com tanta firmeza.
— Vin, o que deu em você? — resmungou Demi, estalando a língua.
— A Aruna é igual a você.
— Ainda é só uma garota.
— E não é só isso.
Kartiah interrompeu imediatamente, estreitando os olhos.
— Ela é apenas sua meia-irmã por afinidade.
Seus olhos se arregalaram enquanto sua voz ficava ainda mais alta.
— Ela não tem laços de sangue com a nossa família.
— Mas...
Gavin a interrompeu.
— Ela continua sendo a irmã mais velha dos gêmeos.
— Eles compartilham a mesma mãe.
— Isso é diferente.
Kartiah balançou a cabeça com firmeza.
— O sangue do lado do pai é muito mais forte.
As palavras saíram de sua boca sem o menor sinal de hesitação.
Aviso de Tradução
Este romance foi escrito originalmente em indonésio.
Não sou falante nativo nem escritor profissional em português (ou em qualquer outro idioma para o qual esta obra seja traduzida). Para tornar esta história acessível aos leitores internacionais, utilizo inteligência artificial como apoio durante todo o processo de tradução.
No entanto, cada tradução é cuidadosamente revisada e refinada por mim. Esforço-me para preservar o significado original, as emoções, os personagens, a identidade cultural e o estilo narrativo, ao mesmo tempo em que busco fazer com que o texto soe o mais natural possível.
Se você encontrar alguma expressão pouco natural ou algum problema de tradução, agradeço sinceramente sua compreensão e fico grato por qualquer comentário construtivo. Meu objetivo é continuar aprimorando a experiência de leitura sem comprometer a essência da obra original.
Obrigado por ler e apoiar o meu trabalho.
— BIUL
Notas Culturais
Tahlilan
Tahlilan é uma reunião islâmica tradicional da Indonésia realizada após a morte de alguém. Familiares, parentes, amigos e vizinhos se reúnem para rezar pelo falecido enquanto oferecem apoio à família enlutada. É comum que essas reuniões ocorram durante vários dias após o funeral.
Om
Om é a palavra indonésia para "tio". Gavin chama Ardan de Om porque Ardan é o irmão mais novo de seu falecido pai.
Abang/Bang
Bang (abreviação de Abang) é um tratamento honorífico indonésio usado para se dirigir a um irmão mais velho ou a um homem mais velho com quem se mantém uma relação próxima e respeitosa. Neste capítulo, Ardan chama seu irmão mais velho, Arga, de Bang, e o termo foi mantido para preservar o vínculo familiar e a identidade cultural indonésia.
Encing (Cing)
Um tratamento honorífico tradicional das culturas Betawi e Banten usado para se dirigir a um parente homem de uma geração acima, mas mais jovem que os próprios pais, como um tio mais novo ou outro parente masculino da mesma geração. Os indonésios também utilizam esse tratamento para amigos próximos da família ou homens mais velhos respeitados, expressando proximidade e respeito, e não necessariamente parentesco de sangue.
Uwak (Wak) / Encang (Cang)
Tratamentos honoríficos tradicionais das culturas Betawi e Banten usados para parentes homens de uma geração acima e mais velhos que os próprios pais, como um tio mais velho ou outro parente masculino da mesma geração. Como muitos termos de parentesco indonésios, também podem ser usados para pessoas sem laços de sangue como forma respeitosa e familiar de tratamento.
Engkong (Kong) / Kakek (Kek)
Tratamentos honoríficos indonésios que significam "avô". Além do avô biológico, também podem ser usados respeitosamente para homens idosos pertencentes à geração dos avós.
Nenek (Nek)
Tratamento honorífico indonésio que significa "avó". Além da avó biológica, também pode ser usado respeitosamente para mulheres idosas pertencentes à geração das avós.
Na cultura indonésia, os termos de parentesco são frequentemente usados além da família imediata. Parentes da família extensa — mesmo os mais distantes — continuam sendo tratados por títulos familiares. Esses títulos também são amplamente utilizados para amigos próximos da família e pessoas mais velhas respeitadas, expressando familiaridade e respeito, e não necessariamente uma relação de sangue.