Três

1256 Words
Quando a noite chegou, eu fugi de casa o mais sorrateiramente possível. Eu era muito bom nisso, afinal de contas, aquela janela tinha outras serventias além de flertar com o meu vizinho super gostoso. Ela era também a minha porta de fuga. Sempre que eu estava chateado, eu entrava e saia sem que os meus pais sequer desconfiassem disso. Mesmo que eu quisesse irritá-los, o meu medo nunca me permitia ir muito além e essa era uma boa maneira de evitar ser pego e ter toda a noite estragada. Hoseok provavelmente estaria na esquina com o Namjoon e a casa do Jin hyung não era tão longe da minha. Quando eu saí, percebi que a janela do Jungkook ainda estava fechada e isso me fez imaginar se ele também havia saído com os seus amigos naquela noite. Caminhei pensativo pelas ruas bem iluminadas do meu bairro e quando encontrei com os garotos na esquina, fomos direto a casa do Jin hyung. Durante todo o caminho, eles não paravam de comentar sobre as garotas com quem queriam se encontrar na festa. Me senti momentaneamente arrependido de ter topado ir para aquela festa e fiquei todo azedo pelo caminho porque os meus amigos eram dois idiotas que estavam com a mente cheia de planos sujos para aquela noite. O que não era muito justo, porque eu estava sempre pensando em sexo também, mas com o Jungkook e ele, com certeza, não estaria lá e se estivesse... Bem, eu ainda era a p***a de uma farsa e teria que fingir que não havia nada entre nós… E de certo modo, o que tínhamos? Mesmo que eu agisse tão atrevido com ele, na segurança do meu quarto, como eu agiria com ele além daquela janela ou como eu o apresentaria aos outros? Os meus amigos nem mesmo sabiam da minha sexualidade. Eu apostava que se Jungkook se aproximasse de mim, eu ficaria tão desesperado que sairia correndo como um i****a. — Nossa, que cara de velório, Yoongi. — Hoseok era sempre muito perspicaz. — Não me diz que você ainda está com medo de ser pego? — Não é isso. Eu estou bem, não se preocupe comigo. — menti, forçando um sorriso. Eu não precisava me deprimir com aquilo ainda, porque Jungkook não estaria lá. Por mais que os meus pensamentos insistissem em me colocar para baixo, aquele não era o melhor momento para dar asas aos meus pensamentos negativos. Eu estava indo a uma festa e devia ao menos tentar me divertir um pouco. Pena que era mais fácil falar do que realmente fazer. Quando chegamos na casa do hyung, a casa estava lotada e ele estava na sala, participando daquela droga de jogo de passar o papel com a boca para a pessoa ao lado, mas ele largou o jogo assim que nos viu chegar. — Ora, ora, meus melhores amigos finalmente deram o ar da graça! Eu tenho que contar a vocês, mesmo que seja bem óbvio, mas isso tudo saiu completamente do meu controle, então vamos aproveitar ao máximo, porque amanhã eu vou estar muito fodido quando os meus pais voltarem para casa e verem essa zona. — seu hálito era alcoólico e ele não parecia estar mesmo preocupado com o que dizia. Olhei à minha volta, notando toda a algazarra. Com certeza tinham muitos convidados e levaria um bom tempo para arrumar toda a bagunça já feita. Me afastei dele e fui me servir de um pouco de bebida. Era a única coisa que me restava pra fazer, porque Jin estava bêbado e se divertindo com outras pessoas e os meus companheiros de chegada, Hoseok e Namjoon, já tinham localizados os seus alvos e parecia muito óbvio o que ia rolar, porque as duas garotas estavam convidando os dois com os seus olhares sugestivos. Eu não entendia porque sempre deixava o Hoseok me convencer a participar daquelas festas insanas que o Seokjin hyung costumava dar sempre que tinha a casa apenas para ele. Sempre acabava do mesmo jeito, comigo sozinho num canto, ou pior, com alguma garota dando em cima de mim. Ao menos daquela vez, eu descontei a minha frustração esvaziando vários copos. Quando me dei conta, já passava da meia noite, mas o tédio ainda me consumia. Se não fosse o álcool, eu já teria subido ao primeiro andar e me jogado da janela, mas ele me ajudava a segurar a barra. Meus amigos babacas tinham realmente sumido da vista com suas ficantes e, como eu temia, estava sendo cercado por uma garota que tinha resolvido ficar no meu pé. Era sempre desse jeito. Eu estava morrendo de medo dela estragar o meu disfarce com as suas investidas. Primeiro, ela se aproximou de mim com as suas intenções nítidas no olhar — assim como eu costumava fazer com o meu vizinho — e deu um: "Oi" de um jeito que eu desconfiava que devia ser sexy, mas eu não conseguia achar nenhuma das suas ações atraentes. Respondi um pouco frio, levando o copo meado a boca e o esvaziando com apenas um gole. Garotas me deixavam nervoso pra c*****o, porque eu tinha medo que elas notassem que não existia o menor interesse da minha parte. Mas eu tinha desenvolvido uma tática para situações como essa. Eu a deixei falar por mais ou menos três minutos e durante esse tempo eu realmente fingi que a queria tanto quanto ela mostrava me querer. Até mesmo toquei o seu braço e sorri. Não tinha como eu não me enojar de mim mesmo nesses momentos. Eu sentia como se estivesse iludindo alguém, apenas porque eu era covarde demais para mostrar ao mundo quem eu era de verdade. Então vinha o último passo; minha fuga. Coisa que eu colocava em ação o mais rápido possível. — Acho que não estou me sentindo muito bem, pode me dar licença? — inventei de repente e era assim que funcionava o meu plano de poucos passos para escapar daquela saia justa. Ela me olhou preocupada e eu me mandei daquela festa, sem nem olhar pra trás. A única coisa que rondava a minha cabeça desde o primeiro momento era a pergunta: Porque infernos eu saí de casa? Suspirei, relembrando que a minha vida era uma merda. A merda de um clichê muito sem graça e agora eu era também um jovem bêbado andando pelas ruas. Algo mais no mundo poderia ser tão roteirizado? Isso era tão típico de qualquer série, que me fazia querer revirar os olhos, mas se eu fizesse isso, corria um grande risco de dar de cara com o chão, por causa da vertigem causada por todo o álcool que consumi para aguentar aquela festa sem graça. Eu estava na metade do caminho quando a minha mente me levou a todos os lugares que eu preferia estar do que naquela maldita festa. Eu gostava dos meus amigos, mas preferia vê-los em um ambiente menos movimentado, mas esse não era o ponto. O fato é que esses pensamentos me encheram de t***o, — eu disse, eu também pensava em sexo o tempo todo, afinal, era a coisa mais comum da minha idade — pois todos foram direto ao meu vizinho. Era com Jungkook que eu queria ter passado aquelas minhas horas — perdidas — de fuga. Eu não conseguia arrancar da cabeça a imagem dele se exibindo para mim hoje mais cedo e me perguntava como as coisas iam ser entre nós agora. Eu poderia deixar tudo como era antes ou poderia fazer as coisas irem para frente.
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