Ele seria capaz de me tirar do subsolo para conseguir o que quer.
E tenho certeza de que isso não terminará com uma data simples.
Pfff…
— Bom — eu murmuro.
— Então, quando você está disponível?
— No sábado e...
— Ah, perfeito — me interrompe — Quero dizer, amanhã brilhante. Às sete, vou te buscar.
— E você já sabe para onde eu moro?
—Sim, Bruna… Eu sei onde você mora.
— Quão rápido você é? —Eu ressalto, e minha suspeita de que esse cara me encontraria em qualquer lugar só está confirmada.
— Você nem imagina — ele diz, arrastando as palavras com satisfação.
— Você vai me buscar às sete e a que horas vai me trazer de volta para casa?
— É uma pergunta difícil de responder — encolhe os ombros. Talvez você nem volte… Vou ter que passar a noite inteira fodendo comigo.
Eu aperto os olhos…
Ele já me cansou com a fome dele! É claro que ele só tem delírios eróticos na cabeça!
Ou talvez meus olhos realmente me denunciem?
Não sei o que dizer, não me vejo de fora. Mas certamente não pretendo entrar na brincadeira!
— Você não terá que fazer nada disso! — Reviro os olhos.
— Veremos — ele responde com uma calma surpreendente e se vira para a mesa.
Eu o vejo pegar minha roupa e meu telefone e se virar para mim.
Ele se aproxima com um passo comedido e me entrega tudo. Eu entendo sobre as roupas, mas…
— Por que o telefone?
— Desbloqueie-o.
— Para quê?
— Certamente não para procurar suas fotos eróticas…
— Eu não tenho isso — digo e, de passagem, começo a pensar no que pode ser interessante na minha galeria.
E a verdade é que não existe nada disso. Leituras de contadores, fotos do desastre que os funcionários às vezes deixam para trás… Como na semana passada. Alguém errou… Ainda não sei o que fizeram, mas puxaram o cabo com tanta força que o plugue ficou na parede. Que luta eu dei a eles por isso! Porque… de qualquer forma…
E quanto às fotos…
Bem, talvez também existam setecentas selfies idênticas. Eu os faço quando estou de bom humor.
—Mais uma razão… Quero anotar meu número para você.
—E é isso?
— Bom, eu também posso tirar uma foto para você não esquecer meu rosto e posso te enviar a foto do pai à noite — me dá um sorriso.
— A última coisa que eu precisava era ter a foto do seu p*u no meu telefone. — Eu faço careta.
— Você desbloqueia ou o quê? — Ele aponta para o telefone com os olhos.
Eu estufei minhas bochechas e toco no scanner de impressão digital. Desbloqueado. Entregando o telefone, ele agarra-o com firmeza.
Sigo seus movimentos com meus olhos. Ele definitivamente não fofoca na minha galeria. Digito algo rapidamente e, em meio minuto, ele me devolve o telefone.
Eu o pego e ele anuncia:
— Bem, até amanhã. Tchau.
Ele caminha em direção à porta com passos largos e, de repente, a data de hoje me chama a atenção…
Isso me invade…
Droga!
Como eu poderia esquecer isso?
Droga!
Amanhã é o aniversário do meu pai! O aniversário dele! Faz sessenta anos!
Haverá uma festa em grande estilo. Tenho uma nuvem de parentes, então a comemoração será em um restaurante.
E não posso perder esse evento por nada no mundo!
— Amanhã não posso! —Eu pulo de pé. Amanhã…
— Bruna, já terminamos essa conversa — viradas — Então,nada me preocupa. Tchau!
Ele desaparece atrás da porta, e eu nem tenho tempo de abrir a boca para protestar.
Conclusão estou fodida.
De manhã, m*l saio da cama. Não, é porque não dormi bem. Ontem adormeci relativamente cedo. Fechei os olhos por volta de uma da manhã e caí num sono profundo.
E pouco antes de escrever para minha amiga. Perguntei como era o encontro dela, mas Nicole não me quis dizer nada. Deixou tudo para segunda-feira e disse-me que a filha dela havia apanhado uma constipação.
Então eu não insisti. Agora a filha dela é a coisa mais importante.
Mas voltemos à minha primeira frase.
Minhas pálpebras abrem instantaneamente com o despertador, mas o que segue é uma verdadeira tortura…
Até soltei um gemido.
As costas.
Dói tanto que minha visão fica turva. E não é exagero. O teto acima de mim fica preto.
Meu cérebro começa a procurar as causas imediatamente…
Uma teoria é que a dor excruciante vem da cama: o colchão já está velho e eu deveria trocá-lo, porque tem um pequeno buraco no meio.
Embora essa teoria me pareça improvável. Para minhas costas doerem daquele jeito, eu teria que dormir em cima de pedras.
E nada parecido com isso já aconteceu comigo antes.
Então só existe a outra opção…
Ontem, quando eu estava correndo atrás do filho do i****a do meu chefe, senti o vento frio acariciar minhas costas com sua mão robusta. Seus dedos gelados me deram calafrios.
Mas naquele momento não dei muita importância, porque tinha outro objetivo, um que não alcancei.
E agora minhas costas estão me lembrando.
Isso me deu um bom ar. E eu não estava suado nem nada. Mas isso exige muito?
Não.
Só um segundo é suficiente.
Ano passado, algo parecido aconteceu com meu pescoço: eu não conseguia nem movê-lo.
Felizmente, minha irmã, que é médica, me ajudou com o problema. Ela me disse quais pílulas e pomadas usar e, em três dias de tratamento, já estava virando o pescoço como uma coruja.
Agora rastejo para a sala ao lado, para a sala, onde guardo os remédios numa gaveta.
E não estou exagerando: estou de quatro e reclamando, como um bebê que não sabe andar.
Mas esse não é o maior obstáculo. A próxima é chegar à gaveta.
Levei cerca de dez minutos para obtê-lo. Centímetro por centímetro, e para não cair, agarro-me aos móveis modulares lacados castanhos que a minha avó comprou. Os talheres que lhe deram para o casamento ainda estão lá, atrás do vidro.
Consigo me levantar, mas não consigo me endireitar. Estou de pé e pareço a letra C.
Procuro os comprimidos nervosamente.
Vejo o nome que preciso. Eu agarro-o. Meu sangue esfria: não sobraram comprimidos.
Ah, não…
Sim, existe…
O último está esperando seu momento.
Chego à cozinha, tomo a pílula e volto para o quarto.
Mas não me deito na cama por medo de não conseguir levantar mais tarde. Sento-me ali, esperando que o remédio agarre a dor pelo meu pescoço e a afaste das minhas costas.
Mas não posso esperar com calma, porque, para não ficar entediada, recebo uma mensagem do Eduardo Boris.
Ontem, mudei o nome do celular dele. Retirei o nome de fantasia e dei o que mais lhe convém.
— Olá. Qual é o nome do restaurante?
O diabinho pessoal sentado no meu ombro ri e sussurra no meu ouvido que eu deveria tornar a vida dele miserável, ou seja, dar-lhe o nome errado.
Isso economizaria tempo e...
E eu me meteria em uma confusão ainda maior. Então não seria mais um encontro…
Para quê saber?
Alimentação forçada?
Você me sentaria em uma cadeira, me amarraria e me alimentaria com uma colher?
Não presto atenção no diabinho, que já pulou do meu ombro com raiva e agora está pulando pela sala. Ele pode subir nas suas costas, não doem.
Escrevo o nome do restaurante e recebo uma resposta:
— Certo. Até a noite.
Reviro os olhos e faço caretas, mas não por causa dele, mas por causa das costas.
Passa-se uma hora. Felizmente, a dor diminui um pouco, mas não completamente. Caminho como uma avó que passou o dia capinando três hectares de abóbora e cana-de-açúcar.
No entanto, na hora das refeições, estou muito melhor. Eu me endireito, mas a dor não desaparece, ela simplesmente se torna suportável.
Após um banho quente, desaparece completamente. Enquanto eu me maquiava e penteava meu cabelo, isso não me incomodava nem um pouco.