CAPÍTULO 10

1343 Words
Ele seria capaz de me tirar do subsolo para conseguir o que quer. E tenho certeza de que isso não terminará com uma data simples. Pfff… — Bom — eu murmuro. — Então, quando você está disponível? — No sábado e... — Ah, perfeito — me interrompe — Quero dizer, amanhã brilhante. Às sete, vou te buscar. — E você já sabe para onde eu moro? —Sim, Bruna… Eu sei onde você mora. — Quão rápido você é? —Eu ressalto, e minha suspeita de que esse cara me encontraria em qualquer lugar só está confirmada. — Você nem imagina — ele diz, arrastando as palavras com satisfação. — Você vai me buscar às sete e a que horas vai me trazer de volta para casa? — É uma pergunta difícil de responder — encolhe os ombros. Talvez você nem volte… Vou ter que passar a noite inteira fodendo comigo. Eu aperto os olhos… Ele já me cansou com a fome dele! É claro que ele só tem delírios eróticos na cabeça! Ou talvez meus olhos realmente me denunciem? Não sei o que dizer, não me vejo de fora. Mas certamente não pretendo entrar na brincadeira! — Você não terá que fazer nada disso! — Reviro os olhos. — Veremos — ele responde com uma calma surpreendente e se vira para a mesa. Eu o vejo pegar minha roupa e meu telefone e se virar para mim. Ele se aproxima com um passo comedido e me entrega tudo. Eu entendo sobre as roupas, mas… — Por que o telefone? — Desbloqueie-o. — Para quê? — Certamente não para procurar suas fotos eróticas… — Eu não tenho isso — digo e, de passagem, começo a pensar no que pode ser interessante na minha galeria. E a verdade é que não existe nada disso. Leituras de contadores, fotos do desastre que os funcionários às vezes deixam para trás… Como na semana passada. Alguém errou… Ainda não sei o que fizeram, mas puxaram o cabo com tanta força que o plugue ficou na parede. Que luta eu dei a eles por isso! Porque… de qualquer forma… E quanto às fotos… Bem, talvez também existam setecentas selfies idênticas. Eu os faço quando estou de bom humor. —Mais uma razão… Quero anotar meu número para você. —E é isso? — Bom, eu também posso tirar uma foto para você não esquecer meu rosto e posso te enviar a foto do pai à noite — me dá um sorriso. — A última coisa que eu precisava era ter a foto do seu p*u no meu telefone. — Eu faço careta. — Você desbloqueia ou o quê? — Ele aponta para o telefone com os olhos. Eu estufei minhas bochechas e toco no scanner de impressão digital. Desbloqueado. Entregando o telefone, ele agarra-o com firmeza. Sigo seus movimentos com meus olhos. Ele definitivamente não fofoca na minha galeria. Digito algo rapidamente e, em meio minuto, ele me devolve o telefone. Eu o pego e ele anuncia: — Bem, até amanhã. Tchau. Ele caminha em direção à porta com passos largos e, de repente, a data de hoje me chama a atenção… Isso me invade… Droga! Como eu poderia esquecer isso? Droga! Amanhã é o aniversário do meu pai! O aniversário dele! Faz sessenta anos! Haverá uma festa em grande estilo. Tenho uma nuvem de parentes, então a comemoração será em um restaurante. E não posso perder esse evento por nada no mundo! — Amanhã não posso! —Eu pulo de pé. Amanhã… — Bruna, já terminamos essa conversa — viradas — Então,nada me preocupa. Tchau! Ele desaparece atrás da porta, e eu nem tenho tempo de abrir a boca para protestar. ‍ ‍Conclusão estou fodida. De manhã, m*l saio da cama. Não, é porque não dormi bem. Ontem adormeci relativamente cedo. Fechei os olhos por volta de uma da manhã e caí num sono profundo. E pouco antes de escrever para minha amiga. Perguntei como era o encontro dela, mas Nicole não me quis dizer nada. Deixou tudo para segunda-feira e disse-me que a filha dela havia apanhado uma constipação. Então eu não insisti. Agora a filha dela é a coisa mais importante. Mas voltemos à minha primeira frase. Minhas pálpebras abrem instantaneamente com o despertador, mas o que segue é uma verdadeira tortura… Até soltei um gemido. As costas. Dói tanto que minha visão fica turva. E não é exagero. O teto acima de mim fica preto. Meu cérebro começa a procurar as causas imediatamente… Uma teoria é que a dor excruciante vem da cama: o colchão já está velho e eu deveria trocá-lo, porque tem um pequeno buraco no meio. Embora essa teoria me pareça improvável. Para minhas costas doerem daquele jeito, eu teria que dormir em cima de pedras. E nada parecido com isso já aconteceu comigo antes. Então só existe a outra opção… Ontem, quando eu estava correndo atrás do filho do i****a do meu chefe, senti o vento frio acariciar minhas costas com sua mão robusta. Seus dedos gelados me deram calafrios. Mas naquele momento não dei muita importância, porque tinha outro objetivo, um que não alcancei. E agora minhas costas estão me lembrando. Isso me deu um bom ar. E eu não estava suado nem nada. Mas isso exige muito? Não. Só um segundo é suficiente. Ano passado, algo parecido aconteceu com meu pescoço: eu não conseguia nem movê-lo. Felizmente, minha irmã, que é médica, me ajudou com o problema. Ela me disse quais pílulas e pomadas usar e, em três dias de tratamento, já estava virando o pescoço como uma coruja. Agora rastejo para a sala ao lado, para a sala, onde guardo os remédios numa gaveta. E não estou exagerando: estou de quatro e reclamando, como um bebê que não sabe andar. Mas esse não é o maior obstáculo. A próxima é chegar à gaveta. Levei cerca de dez minutos para obtê-lo. Centímetro por centímetro, e para não cair, agarro-me aos móveis modulares lacados castanhos que a minha avó comprou. Os talheres que lhe deram para o casamento ainda estão lá, atrás do vidro. Consigo me levantar, mas não consigo me endireitar. Estou de pé e pareço a letra C. Procuro os comprimidos nervosamente. Vejo o nome que preciso. Eu agarro-o. Meu sangue esfria: não sobraram comprimidos. Ah, não… Sim, existe… O último está esperando seu momento. Chego à cozinha, tomo a pílula e volto para o quarto. Mas não me deito na cama por medo de não conseguir levantar mais tarde. Sento-me ali, esperando que o remédio agarre a dor pelo meu pescoço e a afaste das minhas costas. Mas não posso esperar com calma, porque, para não ficar entediada, recebo uma mensagem do Eduardo Boris. Ontem, mudei o nome do celular dele. Retirei o nome de fantasia e dei o que mais lhe convém. — Olá. Qual é o nome do restaurante? O diabinho pessoal sentado no meu ombro ri e sussurra no meu ouvido que eu deveria tornar a vida dele miserável, ou seja, dar-lhe o nome errado. Isso economizaria tempo e... E eu me meteria em uma confusão ainda maior. Então não seria mais um encontro… Para quê saber? Alimentação forçada? Você me sentaria em uma cadeira, me amarraria e me alimentaria com uma colher? Não presto atenção no diabinho, que já pulou do meu ombro com raiva e agora está pulando pela sala. Ele pode subir nas suas costas, não doem. Escrevo o nome do restaurante e recebo uma resposta: — Certo. Até a noite. Reviro os olhos e faço caretas, mas não por causa dele, mas por causa das costas. Passa-se uma hora. Felizmente, a dor diminui um pouco, mas não completamente. Caminho como uma avó que passou o dia capinando três hectares de abóbora e cana-de-açúcar. No entanto, na hora das refeições, estou muito melhor. Eu me endireito, mas a dor não desaparece, ela simplesmente se torna suportável. Após um banho quente, desaparece completamente. Enquanto eu me maquiava e penteava meu cabelo, isso não me incomodava nem um pouco. ‍ ‍
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